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que chamar de banana-nanica aquela
que é sempre a maior entre as espécies
ofertadas no mercado? Se jornalistas novatos
não têm nada a ver com o habitat
marinho, quem teve a idéia da batizá-los
de foca?
Para responder a essas e muitas outras perguntas
sobre o sentido dos vocábulos, o jornalista
e publicitário Márcio
Bueno efetuou uma ampla
pesquisa e escreveu A
origem curiosa das palavras.
A explicação para a banana-nanica
é simples: o que é pequeno não
é o fruto, mas a planta – enquanto
outras bananeiras chegam a atingir seis metros
de altura, ela não passa de dois metros.
Quanto ao apelido de foca para jornalistas
principiantes, a analogia é esclarecida
pelos veteranos: nas entrevistas coletivas,
os novatos ficam na ponta dos pés, com
a cabecinha levantada e os olhos arregalados,
procurando entender e fixar tudo o que o entrevistado
fala, pois ainda têm dificuldade de distinguir
o que é e o que não é relevante.
O autor relata que muitos termos foram criados
com base em personagens reais, como é
o caso de baderna, que surgiu graças
a Marietta Baderna, bailarina italiana auto-exilada
no Brasil em 1849. A moça causava furor
não só por seu grande talento,
mas por suas atitudes transgressoras, como a
de viver maritalmente com um artista sem se
casar e a de alternar a dança clássica
com as afro-brasileiras, chegando a dançar
com os próprios escravos na Praça
da Carioca. Outro exemplo é a gíria
pinel, empregada para pessoa louca
– o termo tem origem no nome do médico
francês Philippe Pinel, que não
foi um maluco famoso, como se poderia imaginar,
mas o pai da psiquiatria moderna, primeiro a
inaugurar o tratamento da loucura.
Lugares também inspiraram várias
palavras. Na década de 1940, impedidas
de mostrar as pernas, as mulheres inventaram
a bermuda, manobra para ficar mais
à vontade no arquipélago das Bermudas.
Já a designação biquíni
para a criação do costureiro Louis
Reard procede da ilha francesa de Bikini, onde
os Estados Unidos haviam iniciado testes atômicos.
O nome foi escolhido porque se entendia que
o traje seria tão explosivo quanto uma
bomba atômica. Também originário
da França, o termo greve vem
da antiga Place de Grève, hoje
chamada Place de L´Hôtel-de-Ville,
em Paris, onde os desempregados costumavam se
reunir. Nessa mesma praça, os trabalhadores
passaram depois a se agrupar para promover atos
reivindicatórios.
Entre muitas outras curiosidades apresentadas
no livro, vale ressaltar ainda que até
as novelas contribuíram para incrementar
a língua portuguesa. Antes de Espigão,
trama escrita por Dias Gomes em 1974, sobre
a especulação imobiliária
desenfreada, a palavra espigão
tinha apenas as acepções de pico-de-serra,
monte ou rochedo. Foi o autor que deu a essa
palavra o sentido de arranha-céu. Do
mesmo modo, foi a novela Araponga (1990),
do mesmo dramaturgo, que popularizou o nome
da ave como gíria para designar o indivíduo
que atua como espião.