SETEMBRO  -  2003     Nº111
 VITRINE
Mais de 50 resenhas de livros para os leitores ficarem por dentro dos lançamentos editoriais
Home
Entrevista
Li, Gostei e
Recomendo
DVD
Gente que faz a cultura
Curiosidades
O certo é...
 
CONJUNTO NACIONAL
Av. Paulista, 2.073
CEP 01311-940
São Paulo, SP
Tel: (11) 3170-4033
Fax: (11) 3285-4457
SHOPPING
VILLA-LOBOS
Av. Nações Unidas, 4.777
CEP 05477-000
São Paulo, SP
Tel: (11) 3024-3599
Fax: (11) 3024-3570
BOURBON SHOPPING
COUNTRY
Av. Túlio de Rose, 80
CEP 91340-110
Porto Alegre, RS
Tel: (51) 3028-4033
Fax: (51) 3021-1777
 

or que chamar de banana-nanica aquela que é sempre a maior entre as espécies ofertadas no mercado? Se jornalistas novatos não têm nada a ver com o habitat marinho, quem teve a idéia da batizá-los de foca?

Para responder a essas e muitas outras perguntas sobre o sentido dos vocábulos, o jornalista e publicitário Márcio Bueno efetuou uma ampla pesquisa e escreveu A origem curiosa das palavras.

A explicação para a banana-nanica é simples: o que é pequeno não é o fruto, mas a planta – enquanto outras bananeiras chegam a atingir seis metros de altura, ela não passa de dois metros. Quanto ao apelido de foca para jornalistas principiantes, a analogia é esclarecida pelos veteranos: nas entrevistas coletivas, os novatos ficam na ponta dos pés, com a cabecinha levantada e os olhos arregalados, procurando entender e fixar tudo o que o entrevistado fala, pois ainda têm dificuldade de distinguir o que é e o que não é relevante.

O autor relata que muitos termos foram criados com base em personagens reais, como é o caso de baderna, que surgiu graças a Marietta Baderna, bailarina italiana auto-exilada no Brasil em 1849. A moça causava furor não só por seu grande talento, mas por suas atitudes transgressoras, como a de viver maritalmente com um artista sem se casar e a de alternar a dança clássica com as afro-brasileiras, chegando a dançar com os próprios escravos na Praça da Carioca. Outro exemplo é a gíria pinel, empregada para pessoa louca – o termo tem origem no nome do médico francês Philippe Pinel, que não foi um maluco famoso, como se poderia imaginar, mas o pai da psiquiatria moderna, primeiro a inaugurar o tratamento da loucura.

Lugares também inspiraram várias palavras. Na década de 1940, impedidas de mostrar as pernas, as mulheres inventaram a bermuda, manobra para ficar mais à vontade no arquipélago das Bermudas. Já a designação biquíni para a criação do costureiro Louis Reard procede da ilha francesa de Bikini, onde os Estados Unidos haviam iniciado testes atômicos. O nome foi escolhido porque se entendia que o traje seria tão explosivo quanto uma bomba atômica. Também originário da França, o termo greve vem da antiga Place de Grève, hoje chamada Place de L´Hôtel-de-Ville, em Paris, onde os desempregados costumavam se reunir. Nessa mesma praça, os trabalhadores passaram depois a se agrupar para promover atos reivindicatórios.

Entre muitas outras curiosidades apresentadas no livro, vale ressaltar ainda que até as novelas contribuíram para incrementar a língua portuguesa. Antes de Espigão, trama escrita por Dias Gomes em 1974, sobre a especulação imobiliária desenfreada, a palavra espigão tinha apenas as acepções de pico-de-serra, monte ou rochedo. Foi o autor que deu a essa palavra o sentido de arranha-céu. Do mesmo modo, foi a novela Araponga (1990), do mesmo dramaturgo, que popularizou o nome da ave como gíria para designar o indivíduo que atua como espião.

 
  ·     ·     ·