ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 13 x 21 cm
1ª Edição
- 2003
240 pág.
Esta obra é uma lição concisa sobre a história da resistência iraquiana contra novos e velhos impérios. Ao contar esta história, Tariq Ali tece uma devastadora crítica dos recentes ataques e da ocupação militar pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha. Detalhando as ambições e os personagens-chave da administração de George W. Bush, ele faz uma análise abalizada da resistência às estratégias de Washington, e traça um painel da atuação de intelectuais e líderes da esquerda iraquiana.
Saiu na Imprensa:
Correio Braziliense /
Data: 20/3/2004 Resistência (e poesia) babilônica
Escritor paquistanês vale-se dos poetas e comunistas árabes para mostrar que o Iraque jamais vai aceitar pacificamente a ocupação norte-americana
Renato Ferraz,
O Iraque é um país novo. Surgiu com o carimbo oficial do Ocidente na década de 20, depois do esfacelamento das forças turco-otomanas. Mas o seu povo, não. Tem milhares de anos de História - de rica História. A terra natal de Adão e Eva e de Hamurabi enfrentou batalhas e reagiu (decerto que capitulou algumas vezes) a várias ocupações: dos mongóis, por volta de 1250, aos britânicos, nas décadas de 40 e 50 do século XIX. Para contar, sob o ponto de vista da intelectualidade árabe, essa saga de sofrimento e de resistência do povo iraquiano, o escritor e historiador paquistanês Tariq Ali acabar de nos trazer Bush na Babilônia - A recolonização do lraque.
Na obra, os personagens são generais, mentiras de George W. Bush, petróleo, nacionalismo, intelectuais e, principalmente, poetas e comunistas - como YusufSalan Yusuf, ex-secretário-geral do PC iraquiano - executado em 1948 e que teria sido o único lider comunista do mundo árabe a contestar a imposição soviética de se aceitar a criação do Estado de Israel. Nela, Tariq Ali valese daquela poesia que nos nossos periodos recentes de breu chamávamos de engajada. E recolhe poemas para dissecar as origens da resistência iraquiana e cita Rimbaud para justificar suas teses:
Os poetas que compreendem a História, segundo Ali, não mergulham no desespero; continuam a ter esperança, enquanto recordam os crimes do passado como advertência para os criminosos de hoje. E vai buscar versos de Al- Jawahiri, um poeta cujo irmão foi ferido no levante iraquiano de 1948 contra os britânicos:
Esse horizonte luzido a sangue é o de agora. Como ocorreu outrora, hoje poemas percorrem sorrateiros a Bagdá cinzenta e humilhada pelas tropas norte-americanas, britânicas, japonesas, espanholas...O autor lembra que a poesia, embora não os poetas, gozou de considerável liberdade no mundo árabe, não importando quem governasse. "Fácil de aprender, a poesia pode ser recitada num café, pode ser gravada numa canção, pode cruzar fronteiras", ressalta Ali.
Há, entretanto, muita raiva na obra de Ali - que chega, em determinados momentos, a ser infame. Ele usa e abusa de adjetivos. Se refere a algumas lideranças curdas como vira-casacas. Aos iraquianos que ajudam os Estados Unidos no processo de ocupação destina-Ihes a denominação de sabujos. Ou chantagistas. É uma linguagem forte, parcial. Mas isso não tira o valor da obra, que de alguma forma ajuda a entender o passado do povo árabe - para entender o que acontece hoje - e mesmo as suas fraquezas diante do Ocidente. "Não sou daqueles que acreditam que todo desastre acontecido no mundo árabe é resultado da intervenção ocidental. Muitas vezes o Ocidente utilizou as fraquezas árabes para obter vitórias", reconhece o autor.
A obra, para o próprio Ali, deve servir como um alerta: tanto para quem ocupa como para quem resiste. Mesmo dada a parcialidade dos comentários e conclusões, o livro tem tal serventia. Afinal, talvez apenas Bush ache que o povo iraquiano seja bárbaro, não civilizado, niilista. Na verdade, os norte-americanos são chamados de (novos) mongóis - povo sem cultura escrita que temia livros e bibliotecas. Pena que a resistência iraquiana não se limite à disseminação da poesia de combate: o quais chama atenção ao Ocidente é o aumento d combate violento, do terrorismo que mata xiitas, curdos e poetas.
ALI, TARIQ O escritor paquistanês Tariq Ali é editor da New Left Review. Formado pela Universidade de Oxford, é autor de roteiros para cinema, peças de teatro, biografias e obras sobre história e política internacional como "Confronto de fundamentalismos", "Bush na Babilônia", "Can Pakistan Survive?", "Streetfighting Years", "The Nehrus and the Gandhis". A editora Record publicou "Medo de espelhos", da série de romances políticos do autor, e "Sombras da romãzeira", "O livro de Saladino" e "A mulher de pedra", da série de romances do "Quinteto islâmico".
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