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Melhores Cronicas De Machado De Assis


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Ficha Técnica Saiu na ImprensaSobre o Autor

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Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2003

406 pág.
Sinopse

Quem lê as crônicas machadianas de História de Quinze Dias até as de A Semana, nas duas últimas décadas do século passado, não pode deixar de espantar-se ainda hoje com aquela arte de desconversa; refinada, alusiva, muitas vezes maldosa e sempre irresistível. Este livro traz uma seleção de crônicas de Machado de Assis, selecionadas por Salete de Almeida Cara.
Saiu na Imprensa:

Correio da Bahia  /   Data: 27/7/2003
História e cotidiano do Brasil na pena dos mestres
Coleção Melhores Crônicas reúne trabalhos de grandes escritores nacionais publicados na imprensa. Machado de Assis é o outro escritor escolhido para a largada do projeto, que ainda trará vários nomes das letras brasileiras.

Cláudia Lessa

Velhos amigos e admiradores recíprocos, Machado de Assis (1839-1908) e José de Alencar (1829-1877) se "reencontram" na coleção Melhores Crônicas, que a Editora Global acaba de colocar no mercado. Os dois dos mais importantes escritores da literatura brasileira foram escolhidos para estrear o projeto que já tem no prelo nomes como Manuel Bandeira, José Castelo, Lima Barreto e Cecília Meirelles. Em livros individuais, ordenados cronologicamente, estão registradas crônicas publicadas em órgãos de imprensa da época, ao longo de suas carreiras literárias, e outras inéditas, encontradas nas pesquisas dos seus respectivos selecionadores.

A coordenadora geral da coleção, Edla Van Steen, há mais de 20 anos dirigindo projetos do gênero na Global (que também apropria-se das coleções Melhores Contos e Melhores Poemas), explica que Melhores Crônicas vem de uma preocupação da editora de trazer de volta, em um único livro, o melhor da obra de cada um dos autores escolhidos. No caso, a opção agora pela crônica, diz, é por entender a importância do gênero quanto à narração histórica sobre fatos atuais relativos à vida cotidiana, obtendo-se aí o mais fiel retrato de uma época. "O cronista reflete em seu texto uma realidade a que está inserido. Assim, através das crônicas de Machado de Assis, podemos ter um relato sobre os costumes brasileiros daquele período", exemplifica.

A seleção do material e o prefácio é da responsabilidade de profissionais especialistas em determinado escritor. "Como é o caso do professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo João Roberto Faria que, em suas pesquisas sobre a obra de José de Alencar, encontrou 15 crônicas inéditas do romancista, que foram incluídas no livro", contou a diretora. Já o referente a Machado de Assis ficou a cargo da professora do Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada da USP, Salete de Almeida Cara.

O volume das crônicas machadianas – Melhores Crônicas de Machado de Assis - traz textos escritos nas duas últimas décadas do século passado. Tem-se conhecimento de que o autor do clássico Dom Casmurro era apenas poeta e dramaturgo, no final de 1859, quando começou a escrever algumas crônicas na revista O Espelho (onde mantinha também uma coluna de crítica teatral). O livro reúne crônicas que datam daquele ano até 1897, já atuando em A Semana Ilustrada - onde tanto assinava pelo seu nome como pelo pseudônimo de Dr. Semana. Dentre estas, estão “Os fanqueiros literários”, “O parasita”, “O empregado público aposentado” e “O folhetinista”.

O segundo volume da coleção Melhores Crônicas - Melhores Crônicas de José de Alencar - reúne boa parte dos textos daquele que é classificado como o maior escritor brasileiro do romantismo: o cearense José de Alencar. Nele estão crônicas e folhetins que o autor de O Guarani escreveu nos jornais cariocas Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro, entre 1854 e 1857. João Roberto Faria, responsável pela seleção, ressalta que, naquela época, crônica se chamava folhetim e não apresentava as mesmas características atuais. Como ele diz, se tratava de um texto mais longo, publicado geralmente aos domingos, no rodapé da primeira página do jornal, e seu principal objetivo era comentar os principais fatos da semana.

"O folhetim pertencia ao jornalismo por ser essencialmente informativo e, muitas vezes, crítico. Por outro lado, a exigência de uma certa elegância e leveza na maneira de escrever colocava o folhetinista a um passo da literatura", explica o pesquisador. As qualidade de prosador de José de Alencar, que logo alcançaria projeção nacional, já se manifestava no seu jeito de criar folhetins. "Que para ele, jamais deixou de ser um exercício literário, ao mesmo tempo em que contemplou a variedade de assuntos, achou lugar para o sonho, o humor, o devaneio e a fantasia". Entre as crônicas selecionadas estão Conto de fada, A tomada do rio Alma, Correi, minha pena e A arte de conversar.

Viagem infinita por textos curtos

Outro projeto oferece ao leitor a oportunidade de conhecer melhor a fase de contista de Machado de Assis. Isso se dá através da recém-criada coleção O Encanto do Conto, que em seu número inaugural traz trabalhos machadianos. Um segundo lançamento que dá largada à série é Contos de João Alphonsus, sendo que o próximo livro da empreitada já está programado: Contos de Murilo Rubião. O projeto visa apresentar ao jovem leitor obras de alguns dos melhores contistas da literatura brasileira.

Cada volume, apresentado pelo jornalista, ensaísta e doutorando em literatura brasileira pela USP, Ivan Marques, traz uma cronologia ilustrada com fotos representando fatos históricos ocorridos no Brasil e no mundo na época do autor. "A arte do conto é uma das mais difíceis da literatura. Essa forma breve de narrativa exige no máximo de concisão e de intensidade. O contista, no seu curto espaço, apresenta uma percepção aguda, concentrada", registra.

Em Contos de Machado de Assis - ilustrado por Maurício Veneza - estão reunidas nove narrativas curtas, dentre as quais a mais famosa do autor: Um apólogo (1885). Na seqüência, outros contos ligados ao universo da infância e da adolescência, como Umas férias e Conto de escola. "A leitura desses contos é uma viagem surpreendente para um mundo de sentimentos contraditórios, narrados com talento, ironia e sutileza incomparáveis", escreve na apresentação do livro.

Considerado um dos mais importantes contistas brasileiros, o mineiro João Alphonsus (1901-1944) costumava declarar que o conto o atraia e satisfazia "quase que exclusivamente". Dentre seus textos, o mais conhecido é "Galinha cega", que ganhou elogios de Mário de Andrade e chegou a ser apontado como "um dos melhores espécimes do gênero na literatura universal". Além deste, outros seis contos foram publicados no volume, cujas ilustrações são assinadas por Rogério Coelho. "A leitura de seus contos reserva muitas surpresas. As criaturas surgem na plenitude de sua humanidade, ainda que elas sejam bichos ou homens transformados em bichos pela sociedade cruel em que vivemos", descreveu Ivan Marques.


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Sobre o autor:

MACHADO DE ASSIS
Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, em 1839. Bisneto de escravos, aos dez anos perdeu a mãe e, aos doze, o pai. Trabalhou inicialmente como aprendiz de tipógrafo e revisor. Depois exerceu as atividades de jornalista, autor de peças, tradutor e crítico teatral. A partir de 1867, começou a ascender na carreira burocrática e também firmou seu nome na literatura. Escreveu contos, romances, poemas, crônicas e ensaios. No final do século XIX, já era considerado o maior escritor do país. Morreu em 1908, depois de fundar a Academia Brasileira de Letras, da qual foi presidente. Principais obras - A mão e a luva (1874); Iaiá Garcia (1878); Memórias póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1892); Dom Casmurro (1900); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).


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