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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
1ª Edição
- 2004
536 pág.
'Meu nome é Vermelho' alia narrativa policial, uma história de amor proibida e reflexões sobre as culturas do Ocidente e do Oriente. A trama se passa em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da Hégira (a fuga de Maomé para Meca), o sultão encomenda um livro para demonstrar a riqueza do Império Otomano. Para provar a superioridade do mundo islâmico, porém, as imagens devem ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando uma onda de intrigas, fortalecida pelo assassinato de um dos artistas que trabalhava no livro.
Opinião do Leitor:
joice / Data: 12/3/2008 Conceito do leitor: | (opine)
delicioso, encantador
A história, que tem como pano de fundo os conflitos e contradições da sociedade turca, é narrada a partir de perspectivas tão diversas e curiosas que isso a transforma em uma história com uma riqueza de detalhes encantadora.
Chato e confuso
Olhem, este livro consegue ser pior do que Neve. História chata, contada de maneira prolixa e confusa, que aliás é característica de Pamuk
Fernanda / Data: 15/10/2007 Conceito do leitor: | (opine)
Cansativo
Sou uma devoradora de livros... mas não consegui terminar de ler esse livro...Muito cansativo, detalhista, muitas vozes... por diversas vezes acabei me perdendo na compreensão e voltava a leitura, até que acabei desistindo. A frustração foi tamanha que não vou me arriscar em comprar ''Neve'', outra obra do autor.
Zero Hora /
Data: 14/10/2006 Entre o realismo literário e a fábula fantástica
CARLOS ANDRÉ MOREIRA
Pouco conhecido no Brasil, o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, o turco Orhan Pamuk, é uma celebridade literária em seu próprio país, e um autor de obra sólida, cujas traduções foram recebidas com entusiasmo na Europa e nos Estados Unidos. Seus livros são narrativas que, assim como seu tema central, o das marcas produzidas pelo contato entre o Oriente e o Ocidente, unem com equilíbrio o melhor das tradições literárias européias e árabes. De uns, Pamuk extrai a visão moderna do artista que reflete sobre seu próprio ofício, o olhar crítico sobre o conhecimento e suas múltiplas facetas, representadas na multiplicidade de narradores que povoa alguns de seus melhores livros. Dos outros, o autor apresenta uma habilidade de tecer histórias como quem alinha fio a fio numa tapeçaria que, ao final, torna-se um desenho rico, belo e detalhista. E, o que é mais precioso para o leitor brasileiro: uma de suas melhores obras tem tradução recente e ainda pode ser encontrada nas livrarias.
A Companhia das Letras lançou em 2004 "Meu Nome É Vermelho" , 536 páginas - que o próprio autor recomenda como uma iniciação a sua obra. Na entrevista concedida ao site oficial da Academia Sueca, na última quinta-feira, Pamuk fez a indicação, não sem ironia: "O leitor que compra livros porque o escritor recebeu o Prêmio Nobel deveria começar com Meu Nome É Vermelho".
Uma recomendação válida, já que o romance é maravilhoso, em mais de um sentido: é belo e magistralmente orquestrado e é uma história contada com um pé no realismo literário e outro na fábula fantástica que os árabes praticam como ninguém desde As Mil e Uma Noites. Sua própria trama é uma edificação maravilhosa, cuja estrutura multifacetada resiste bravamente a resumos redutores, mas vamos tentar. No século 16, às vésperas do milésimo ano da Hégira, episódio fundador do Islamismo, o sultão de Istambul resolve encomendar à sua escola de artistas uma edição única do Alcorão: um livro belíssimo caligrafado pelos melhores mestres da escrita e ilustrado com um retrato fiel do sultão, realizado com "o novo estilo" realista ocidental cuja prática o monarca testemunhou durante uma visita ao Doge de Veneza. Uma empreitada megalomaníaca que pode acabar muito mal se for descoberta pelos guardiões da fé islâmica, que consideram uma afronta a representação da figura humana. O trabalho, então, precisa ser executado secretamente, e um dos mestres ilustradores convoca, para ajudá-lo, seu sobrinho, chamado "O Negro". Para atender ao pedido do parente, "O Negro" retorna a Istambul após 12 anos de ausência para descobrir que sua prima, Shekure, por quem foi apaixonado na juventude e cuja mão lhe foi recusada pelo mesmo tio que hoje lhe pede favores, tornou-se uma bela mulher, mãe de dois filhos, esposa de um militar desaparecido em uma guerra quatro anos antes.
Numa narrativa que flui sem costuras visíveis entre vários gêneros, ocidentais e orientais, a história já começa com o assassinato de um dos mestres miniaturistas encarregados de ilustrar o livro do Sultão - uma morte que "O Negro" terá de desvendar ao mesmo tempo em que, às escondidas do tio, corteja sua antiga paixão. As tramas se interpenetram enquanto a narrativa, em camadas, vai se desenrolando pela voz de 19 narradores: "O Negro", Shekure, alguns dos mestres ilustradores cooptados para o livro secreto, o assassino do artista, o próprio cadáver do morto e até mesmo cores e desenhos.
Num mosaico polifônico de grande beleza, com influência da lírica árabe, Pamuk entrelaça temas como a relação entre o Ocidente e o Oriente, a autoria e o anonimato na arte e mesmo as disputas internas de um Islã flagrado em um momento de crise. Numa Istambul que sofre com a miséria e a carestia provocada pelas guerras constantes, ainda que governada por um sultão patrono das artes, começam a surgir pregadores que apontam a miséria do povo como um castigo de Alá aos desvios da palavra divina expressa no Alcorão - as origens do processo de fanatização que desembocou nas constantes tensões fundamentalistas de hoje.
Em Meu Nome É Vermelho, Pamuk consegue o prodígio de aliar o detalhe preciso e lírico dos miniaturistas - como seus próprios personagens - ao vigor épico dos muralistas de ampla mirada.
PAMUK, ORHAN O romancista turco Orhan Pamuk nasceu em 1952, em Istambul. Teve uma educação no Robert College, da Turquia, e passou a estudar arquitetura na Universidade Técnica de Istambul. Abandonando a escola de arquitetura três anos depois, tornou-se escritor em tempo integral e, em 1976 graduou-se no Instituto de Jornalismo da Universidade de Istambul. Em 2006, foi apontado pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo e, no mesmo ano, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
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