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Eles Foram Para Petropolis

Uma Correspondencia Virtual Na Virada Do Seculo


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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
 - 21 x 14 cm 1ª Edição - 2009

264 pág.
Sinopse

Na obra 'Eles foram para Petrópolis', os jornalistas Ivan Lessa e Mario Sergio Conti reúnem a correspondência eletrônica que mantiveram publicamente entre os anos 2000 e 2001. O livro é um cruzamento da correspondência clássica com a rapidez da internet.
Opinião do Leitor:

Isabel Khol  /  Data:  3/6/2009
Conceito do leitor:  Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)

Leitura deliciosa
Ivan Lessa tem um texto sofisticado e engraçado. Mario Sergio Conti introduz temas relevantes e lhes dá um enfoque irônico e erudito. A leitura é deliciosa.

Saiu na Imprensa:

Jornal do Commercio (PE)  /   Data: 9/5/2009
Algumas bem traçadas linhas

José Teles

A correspondência virtual trocada entre Ivan Lessa e Mario Sergio Conti é publicada em livro que diverte e informa

Na maioria das vezes, correspondência de pessoas famosas, quando publicadas em livro, são lidas como se o leitor tivesse invadindo a privacidade do missivista. A impressão é outra ao se ler Eles foram para Petrópolis uma correspondência virtual na virada do século, de Ivan Lessa e Mario Sergio Conti (Companhia das Letras, R$ 45, 264 páginas). Aqui se parece mais como se os dois estivessem convidando seus leitores para um papo informal, descompromissado, inclusive politicamente incorreto, o que, no caso de Lessa, é um estilo em que ele é insuperável: leva um processo mas não perder o chiste. O ex-editor do semanário O Pasquim, que vive em Londres há 30 anos, manteve uma correspondência virtual com Mario Sergio Conti, autor do livro Notícias do Planalto e atual editor da revista Piauí, publicada no UOL.

O livro reúne os e-mails publicados entre abril de 2000 e maio de 2001, numa página intitulada Correspondência, e também e-mails privados que ambos trocaram neste mesmo período. A leitura é leve e gostosa, tanto pelo talento de Ivan Lessa, que tem o dom de escrever como se conversasse, coloquial e ao mesmo tempo esbanjando erudição sem pedantismo e tiradas bem-humoradas, que lembram Paulo Francis em seus melhores momentos. Conti, bem mais moço do que Lessa, é também muito mais sério. Os estilos são diferentes, não por acaso se complementam. Os assuntos são os mais variados possíveis. Vão de ficção, teatro, cinema e música (que parece ser o assunto predileto de Ivan Lessa), à reprodução de uma reportagem que Conti fez para a Folha de S.Paulo sobre uma turnê de João Gilberto (de quem são amigos), viagens, onças (sic), e índios.

Quando Mario Sergio Conti resvala para a seriedade, Ivan Lessa rebate implacável, como um beque central de pelada de subúrbio. É assim quando Conti escreve sobre uma lenda dos caiapós, colhida pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss, Lessa chuta de volta: “Lévi-Strauss, conforme ficou provado na iconoclástica biografia Le con et ses conneries, de Alain Baisebien não entendia uma palavra de caiapoês e foi enganado e roubado por um intérprete contratado em Mato Grosso, José Henrique Silvares, que inventou tudinho graças a extraordinário talento para bater a carteira de turista estrangeiro cultural”.

A correspondência dispara para todos os lados, e geralmente, para gáudio do leitor, acerta em cheio, os dois discordando até quando concordam. Num e-mail em que comenta o filme Buena Vista Social Club, escreveu Conti: “Buena Vista Social Club foi elogiadíssimo. Explica aqui para o preto velho, caro Lessa: que catzo o Wenders tem a ver com músicos septuagenários de uma ilha caribenha submetida a quatro décadas de ditadura? Ele mostra uma Havana caindo aos pedaços, músicos vivendo na pobreza, desempregados, e não tem curiosidade de perguntar por que Cuba e seu povo estão daquele jeito. Medo de melindrar o comandante Fidel? De atacar o boicote americano? Vai saber. Fosse feito no Brasil com, digamos, a velha guarda da Nenê de Vila Matilde, é óbvio que o alemão encaixaria referências à desigualdade social. Como é em Cuba deixou o contexto histórico e político de lado – o que é um meio covarde de tomar partido”. Ivan Lessa não gostou de Buena Vista Social Club, mas por outros motivos: “É isso mesmo. O Buena Vista Social Club não gostei não. E não por motivos ideológicos, feito você... Uma coisa que me chateou, e muito, no Buena Vista foi o que ele fez com os velhos. Os velhinhos são tratados como crianças. Como eu estou perto dessa fase (ser tratado como criança) sei a safadeza que é. Por que é que a plateia acha tão bacaninha assim o Compay Segundo ou o Ibrahim Ferrer e fica se dizendo: ‘Ah que gracinha’ e ‘Que coisinha fofa mais linda!’ E isso me deprime horrendamente, seu!...” É um livro que se pode ler aleatoriamente. Sugere-se que se comece pela reportagem de Mario Sergio Conti sobre uma turnê européia de João Gilberto, que se sentiu traído por Conti revelar algumas passagens e nomes que João achava que não deveriam ter sido citados. Lendo na ordem das páginas também não tira a graça de um livro, que consegue ser instigante e divertido em quase todas suas páginas.


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Sobre o autor:

LESSA, IVAN
Nasceu em São Paulo, em 1935. Cresceu no Rio de Janeiro, mas escolheu Londres para viver com mulher e filha. Foi redator da revista Senhor, do Diário Carioca, da Última Hora e de programas de televisão. Também trabalhou na Folha de S. Paulo e na Status. Em 69, começou a escrever para o Pasquim, onde publicou suas principais histórias, além dos consagrados Gip-Gip Nheco-Nheco, Diários de Londres, Cartas e Pasquim Novela.

CONTI, MARIO SERGIO
Jornalista, foi diretor de redação da Veja entre 1991 e 1997. Em 1992, ganhou o prêmio Editor do Ano da World Press Review pela cobertura do afastamento de Fernando Collor da Presidência. Seu livro Notícias do Planalto recebeu em 2000 o prêmio Jabuti de reportagem.


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