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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
1ª Edição
- 2004
184 pág.
Criadora de um universo de letras e sonhos, Ana Maria Machado tem agora seu trabalho desvendado neste 'Trança de histórias'. São dez estudos que revelam em profundidade a obra da escritora, numa espécie de sobrevôo por seus diversos e variados títulos. A o fazer uma justa leitura de sua obra, 'Trança de histórias' destaca a atualidade e a importância de Ana Maria Machado na literatura brasileira, tanto pela qualidade materializada no plano lingüístico e temático, quanto pela repercussão e pelo destacado papel na formação de leitores críticos. Um reconhecimento inestimável a quem, em suas histórias, sempre revelou profundo respeito pelo leitor de qualquer idade e sintonia com as questões cruciais de seu tempo.
Saiu na Imprensa:
O Estado de S. Paulo /
Data: 10/4/2005 Coletânea homenageia Ana Maria Machado
Trajetória da autora é revista sob diferentes aspectos
Heloisa Prieto
Para que serve um fantasma? Segundo as convenções da tradicional narrativa de suspense e mistério, o fantasma é um personagem que funciona como motor da narrativa, foco de distúrbio, propulsor de sustos, metáfora do acaso e do perigo.
Porém, quando Ana Maria Machado coloca um fantasma em ação, em sua obra intitulada Do Outro Mundo, a criatura do além assume o papel de porta-voz da mais dolorosa realidade: vinda do período da escravidão, uma menina descreve os sofrimentos
mais terríveis. Ao romper com a tradição gótica européia, Ana Maria homenageia a tradição oral brasileira, tão repleta de almas em busca de alento, os malfadados “encostos” de nossa linguagem coloquial. Originalidade, delicadeza e lucidez são elementos constantes na obra de uma de nossas autoras mais premiadas, agora homenageada pela antologia organizada por Maria Teresa Gonçalves Pereira e Benedito Antunes .
Trança de Histórias é composto por uma série de dez ensaios sobre a obra de Ana Maria, cujo objetivo é apresentar seu trabalho sob diferentes aspectos, contemplando, conforme afirma a organizadora, “tanto a produção voltada para o público adulto quanto aquela conhecida como infantil e juvenil”. Vale notar aqui o termo “conhecido”, já que a inquietude e complexidade expressas no texto de Ana Maria tornam seu trabalho refratário a rótulos ou especificações de faixa etária. Como bem aponta a teórica Marisa Lajolo, Ana Maria desafia o conceito de “escritorilha”, imagem romântica do criador depressivo e isolado,
resgatando o papel do “escritor- voz-coletiva” dos tempos medievais e dos anônimos cantadores ambulantes.
Marisa ainda aponta outra questão fundamental: a trajetória sinuosa dos livros considerados infantis: quem os paga não é quem os lê. De modo que para conquistar um jovem leitor é preciso, antes, encantar a criança dentro do adulto que o encaminhará. Em ensaio bem fundamentado, Eliana Yunes refere-se a Ana Maria como “uma trança de gente” cuja escrita é “propulsora da relação amorosa de crianças com livros”, ou ainda segundo Maria Zaira Turchi, autora de excelente texto, “as obras de arte literária conseguem conjugar talento literário e capacidade de construir pontes entre pessoas de diferentes gerações”, pois, “escrever para crianças e jovens é ser capaz de expressar-se de modo a criar uma ética de troca significativa”.
Ao analisar a obra multifacetada de Ana Maria, os ensaístas de Trança de Histórias não só destacaram um grande talento literário, como também abordaram questões básicas como a ficção histórica, a tradição oral, ou a pretensa dicotomia “adulto e/ou criança”. Temas que já desafiavam autores como o inglês Graham Greene, admirador do escritor Robert Louis Stevenson, autor de A Ilha do Tesouro. Ao homenageá-lo, também por meio de uma antologia, diria Greene, “é principalmente durante a infância que os livros exercem uma influência real em nossas vidas”.
Sobre o autor:
ANTUNES, BENEDITO Benedito Antunes é professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Assis – SP. Foi supervisor do Centro de Docuemntação e Apoio à Pesquisa (cedap) dessa faculdade de 1998 a 2003. É autor de Juó Bananére: as cartas d’Abax’o Pigues (Editora Unesp, 1998).
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