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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 15,5 x 22 cm
1ª Edição
- 2003
80 pág.
'O trem da história' é um livro de arte para crianças que reúne obras pertencentes a acervos brasileiros. A pesquisadora Katia Canton conduz a viagem por trabalhos de grandes artistas do Brasil e do mundo, mostra como essas obras estão próximas do público brasileiro e como é possível conhecê-las numa viagem pelos museus do país. Canton escolheu artistas de variadas tradições artísticas - Picasso e os mestres da pintura moderna da Europa convivem com os grande ícones do modernismo nacional, como Tarsila e Portinari, chegando até alguns artistas contemporâneos brasileiros, como Leda Catunda e Carmela Gross.
Saiu na Imprensa:
Jornal do Brasil /
Data: 11/10/2003 O trem da história na estação da infância
Katia Canton conduz os pequenos leitores numa viagem didática e artística.
Duílio Gomes
Para o crítico de arte inglês E.H. Gombrich, o problema da estética é que ''gostos e padrões do que é belo variam imensamente.'' Em outras palavras, você pode detestar a lebre felpuda e graciosa pintada por Dürer em 1500 e se apaixonar pela agressividade torta do galo desenhado por Picasso em 1938.
Quadros impressionistas, expressionistas ou de vanguarda podem não dizer nada para um adulto comum. Em outras palavras, telas magníficas de Rubens, Rafael, Da Vinci, Michelangelo ou vistosas ingenuidades de Matisse e Kandinsky muitas vezes passam batido diante de milhões de olhos que olham mas não vêem. Se esses adultos tivessem sido iniciados artisticamente na infância, poderiam no futuro entender e fruir melhor as diversas manifestações estéticas do chamado ''leque cultural''.
É o que a escritora e crítica de arte Katia Canton sugere nas entrelinhas de seu recém-lançado O trem da história, um bem cuidado álbum em papel cuchê que leva as crianças numa viagem didática pelo mundo da arte ocidental em seus vários períodos. Nesse passeio imaginário, explica a autora no início, ''cada parada do trem (ou imagem) nos apresenta o trabalho de um artista do Brasil ou de outros países do mundo.''
O ponto de partida, para o leitor que concorda em embarcar, é o quadro EFCB, de Tarsila do Amaral, primeira-dama do modernismo brasileiro. Dos blocos geométricos da Estação de Ferro Central do Brasil, com suas cores caipiras, sai o trem da história. Os quadros que a autora - PhD em artes interdisciplinares pela Universidade de Nova York e curadora do Museu de Arte Contemporânea da USP - selecionou servirão de paisagem vista dos carros ou deles integrantes.
Nessa aventura insólita, o narrador é ninguém menos que o célebre escolar de Van Gogh, que, com seu olhar inquieto, vê entrar, em um dos vagões, cinco mulatas. São as moças de Guaratinguetá, pintadas por Di Cavalcanti. Em seguida embarca um mestiço de Cândido Portinari. Passageiros entrando ou saindo e paisagens vistas das janelas fazem a seqüência natural do livro - as meninas Cahen d'Anders, de Renoir, os sete lagos de Leda Catunda, o pescador de Gauguin (cujas águas vão se misturar com as do Rio Epte, de Monet), cachoeiras de Carmela Gross, um cenário delirante e opressivo de Gerônimo Bosch. E mais: uma praça surrealista de Giorgio De Chirico, natureza-morta de Henri Matisse, a pequena bailarina de Degas, figuras cubistas de Picasso, a enseada de Botafogo vista por Ismael Nery, o farol de Anita Malfatti e os pescadores de Lasar Segall. Entre outros, eles compõem o restante da viagem.
A preocupação didática leva a autora, vez por outra, a esquecer que seu público é adolescente. Enquanto o texto do livro vem de forma transparente e criativa, as biografias ao fim do volume parecem escritas para iniciados. A de Van Gogh, por exemplo: ''(V.G.) acreditava que a arte deveria transcender a simples representação da realidade para captar estados emocionais e espirituais.''
Mas o que à primeira vista poderia parecer uma salada de escolas artísticas, revela-se, no fim, coerente e de bom gosto. Afinal, os quadros escolhidos são genuínas obras-primas, selecionadas do Museu de Arte Contemporânea da USP, do MASP, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do MAM-RJ, do Centro de Estudos Murilo Mendes em Juiz de Fora, do Museu Lasar Segall e da coleção Gilberto Chateaubriand. Livros dessa natureza, modulares, podem ser repetidos infinitamente, numa série do tipo Educação pela Arte. Assim, pelo trem da história desfilarão milhares de personagens e paisagens.
Essa sugestão se concretiza em outro livro de Katia Canton, só que desta vez dedicado ao público adulto. Retrato da arte moderna: uma História no Brasil e no mundo ocidental é um volume interativo que se debruça sobre cem anos de imagens e fatos fundadores do conceito ocidental de arte moderna. ''Aqui'', explica a autora, ''escolhemos uma série de fatos sócio-históricos, um repertório de artistas, um elenco de pensamentos e de idéias produzidos por esses artistas e relacionados a esses fatos e, finalmente, um grupo de obras feitas pelos artistas, para serem vistas e analisadas mais profundamente, arrematadas com atividades práticas e poéticas...''
Textos e imagens dialogam ao longo do volume, resumindo o que eclodiu artisticamente da segunda metade do século 19 à primeira década do século 20 (''A promessa de prosperidade''), os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial (''Um mundo em revolução''), o período entre guerras (''A destruição dos valores'') e o que virou moda do pós-Segunda Guerra Mundial a 1960 (''Das ditaduras fascistas à nova fisionomia do mundo'').
Os ícones das artes plásticas destacados pela autora no livro são variados e fascinantes. Entre eles, Rodin, Brancusi, Manet, Degas, Renoir, Seurat, o atormentado Van Gogh, Matisse, o divisor Pablo Picasso, Georges Braque, Modigliani, Kandinsky , Mondrian, Miró, Frida Kahlo, Savador Dalí e a ironia da arte conceitual de Marcel Duchamp com seus ''objetos achados''.
A parte dedicada ao Brasil resume-se à revolucionária (e inspirada em movimentos europeus) Semana de Arte de 1922 e à Antropofagia, que vão catapultar - ao lado dos escritores Mário e Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e o compositor Heitor Villa-Lobos - artistas como Tarsila do Amaral , Di Cavalcanti, Djanira, Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret e Oswaldo Goeldi. A autora reserva, ainda, um espaço para os pós-modernistas Portinari, Flávio de Carvalho e o Grupo Santa Helena, que reunia, na São Paulo dos anos 40, os imigrantes italianos Alfredo Volpi, Fúlvio Pennacchi (que, apesar de sua origem humilde - como de resto todos do grupo - acabou se casando com uma Mattarazzo), Aldo Bonadei, Francisco Rebolo, Clóvis Graciano, Mario Zanini e Rebolo Gonzales.
Sobre o autor:
CANTON, KATIA Katia Canton estudou Arquitetura, Jornalismo, Dança e Arte. Fez mestrado e doutorado em Nova Iorque, onde desenvolveu um projeto sobre a história dos contos de fadas na literatura.
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