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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
1ª Edição
- 2003
189 pág.
Duas narrativas paralelas se entrecruzam na geometria peculiar do autor paulista, autor do roteiro do filme 'O invasor', que ele próprio transformou depois em livro. O primeiro núcleo de 'Cabeça a prêmio' trata de Brito e Albano, dois matadores de aluguel a serviço dos irmãos Menezes, poderosos traficantes de drogas. Nessa história aparecem também o piloto de avião Dênis e Elaine, filha de um dos chefes do tráfico. Eles protagonizam a segunda história - sua paixão, marcada por uma forte carga sexual, leva-os a um temerário plano de fuga.
Saiu na Imprensa:
O Estado de S. Paulo /
Data: 26/10/2003 Histórias de amor e crimes
'Cabeça a Prêmio', de Marçal Aquino, traz de volta o universo preferencial do escritor
LUIZ ZANIN ORICCHIO
Em certo meio, o nome de Marçal Aquino ficou tão ligado ao cinema que é preciso algum esforço para se lembrar do óbvio - que ele é, antes de tudo, um escritor. Cabeça à Prêmio (Cosac & Naify, 189 págs.) é exatamente isso, uma obra de ficcionista maduro, de alguém que explora um terreno já conhecido e preferencial, mas sempre acrescenta algo ao que já fez anteriormente. No caso de Marçal, se sabe, é o mundo dos pistoleiros, dos crimes de encomenda, das mulheres perigosas, do ciúme, do desencanto - e das reviravoltas rápidas da trama.
Essa, aliás, é uma das características da sua prosa. A surpresa está sempre rondando a leitura, à espreita, presente como dado de estilo, saltando sobre o leitor como um desses assassinos de aluguel que povoam as páginas. Os dois matadores desta trama atendem pelos nomes de Brito e Albano. Ficamos sabendo algo da vida deles ao longo das páginas, como sabemos de outras histórias paralelas, a da filha do chefão do narcotráfico que se apaixona pelo piloto de avião, empregado do pai, a ex-prostituta que se torna mulher de um dos matadores profissionais, e por aí vai.
As histórias seguem assim, ora independentes umas das outras, ora se entrelaçando. Vão formando a teia de um romance bem urdido, construído a partir dos seus elementos mais básicos. Daí a impressão inicial do leitor de que está diante de um livro de contos. Mas esses contos interagem, se põem em relação, ganham relevo e vão formando um mosaico mais complexo.
Em Cabeça a Prêmio encontra-se o ambiente preferencial de Aquino, fruto, como se sabe, de antigas reportagens feitas em seu tempo no Jornal da Tarde.
O repórter foi atrás de uma matéria sobre matadores de aluguel e ficou fascinado pelo que viu. O escritor tirou benefício do fascínio do repórter e transformou esse ambiente, e essa gente, em seu posto de observação para o fenômeno humano.
Os "profissionais" de Marçal Aquino são impiedosos. Matam por dinheiro e não se esquecem disso. Essa circunstância, essa escolha, determina suas vidas.
Também sofrem como qualquer ser humano, se relacionam, amam, sentem ciúmes, inveja e insegurança. Não são melhores por isso, e nem a sua humanidade os redime, como não desculpava os administradores de Auschwitz. A linguagem do repórter, depurada pelo escritor, não os absolve nem condena. Recolhe o mal existente na experiência humana e o mistura com o bem, um tão difícil de separar do outro. De comum, somente destinos trágicos, forjados em situações-limite.
AQUINO, MARÇAL MARÇAL AQUINO nasceu em Amparo, no interior paulista, em 1958. Publicou, entre outros livros, O amor e outros objetos pontiagudos (1999), Faroestes (2001), O invasor (2002), Famílias terrivelmente felizes (2003) e Cabeça a prêmio (2003). Foi roteirista dos filmes Os matadores, Ação entre amigos, O invasor, Nina e Crime delicado. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios é sua estréia na Companhia das Letras.
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