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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
1ª Edição
- 2004
204 pág.
Herta faz uma espécie de retorno ao passado e às experiências pessoais para mostrar o mundo terrível de adversidades e humilhações que ela mesma viveu na Romênia comunista, um país tomado pelas trevas de um regime repressor, numa sociedade onde a oportunidade é limitada, a delação se tornou uma instituição extra-oficial e a confiança no próximo é uma raridade escassa tanto quanto um prato de comida decente ou um belo sapato feminino. A autora descreve uma nação habitada por cidadãos que, em boa parte, recorrem ao álcool para suportar uma rotina burocratizada, onde nada de interessante parece acontecer.
Opinião do Leitor:
Samuel Ribeiro Giordano / Data: 15/12/2009 Conceito do leitor: | (opine)
Só sendo vampiro na Romenia comunista
A autora dá uns socos no estômago do leitor como que avisando. Isso aqui é leitura para quem tem fibra.O comunismo desmistificado e desnudado é mostrado na sua mais veemente ilustração.O comunismo onde o machismo continua a predominar,onde o alcoolismo continua a grassar, onde o dedodurismo continua a vançar não tem nada de revolucionário e moderno. Ainda mais sem liberdade, sem comida, sem moral ,sem valores básicos e sem perspectiva. Tinha que cais de podre mesmo o regime de Ceausescu e de outro tiranos baratos.Vou ler outros livros dela. ''Vive la liberté''.
metáforas em excesso
Overdose de metáforas, ela não merece o Nobel. Aliás, ultimamente ninguém tem merecido esse prêmio.
Saiu na Imprensa:
Época /
Data: 12/10/2009 O Nobel para a desconhecida Herta Müller
Na última quarta-feira, durante o ensaio geral para a cerimônia de entrega do Nobel de literatura, o porta-voz da Academia Sueca revelou o nome do vencedor: Paulo Coelho. A brincadeira arrancou gargalhadas da plateia. Famosos por suas escolhas exóticas, os jurados dificilmente elegeriam um autor popular e conhecido no mundo todo. No dia seguinte, dessa vez para valer, foi anunciado o prêmio para
Herta Müller, escritora romena radicada na Alemanha. O público aplaudiu, para depois tratar de descobrir quem era aquela mulher.
”Você já leu alguma obra de Herta Müller”?, pergunta uma enquete publicada no site do Nobel logo após o anúncio da vencedora. A resposta, para 93% dos visitantes, foi ? “não”?. O resultado é mais do que esperado: mesmo na Alemanha, Herta está entre os autores atuais menos famosos ou admirados pela crítica. Fora da Europa, a fama da escritora é ainda menor. Apenas cinco de seus 21 livros foram traduzidos para o inglês.
Em português, há apenas uma tradução disponível: o romance O Compromisso, publicado em 2004 pela Editora Globo. A falta de traduções deve-se, em parte, ao estilo da escritora. “É uma prosa poética, densa e cheia de metáforas e expressões arcaicas do alemão”, afirma o crítico literário Marcelo Backes, especialista em literatura alemã.
Ainda sem ter lido suas obras, o mundo conheceria a biografia da vencedora pouco depois do anúncio do prêmio. Nascida numa comunidade alemã da Romênia em 1953, viveu sob o duro regime comunista do ditador Nicolae Ceausescu. Foi censurada e participou de um grupo de defesa à liberdade de expressão para escritores. Por ter se recusado a colaborar com o serviço secreto, foi demitida de seu emprego e deixou o país em 1987 para se instalar na Alemanha, onde publicou quase toda a sua obra.
A ditadura é um tema recorrente nos livros de Herta. Eles retratam o impacto de regimes totalitários sobre a vida íntima do cidadão. É o caso de O compromisso, cuja protagonista é assediada no trabalho, vê sua rotina ser interrompida por interrogatórios e tem de enfrentar a perda da melhor amiga, fuzilada ao tentar fugir para a Áustria. "Eu me habituei a essas coisas", diz a personagem principal. "Elas chegam se esgueirando, uma após a outra". Para Lya Luft, tradutora do livro, a história retrata "a feminilidade num clima opressor, no qual a mulher se torna mais vulnerável".
A história de vida fascinante de Herta, aliada à repercussão tímida de seu trabalho, motivou acusações de que sua premiação com o Nobel teria caráter político. Em 2009, comemoram-se os 20 anos da queda da ditadura romena e do comunismo na Europa. A tradição do Nobel sugere outra explicação. Em vez de celebrar autores consagrados, a Academia Sueca tem privilegiado os relativamente obscuros, mas de alta qualidade. É o caso de Imre Kertész e Orhan Pamuk, ambos premiados nesta década. Revelados pelo Nobel, os autores ganharam fama equivalente a seu valor literário ? centenas de traduções de suas obras chegaram às livrarias. A julgar por O compromisso, a história de Herta não será diferente.
LUFT, LYA Gaúcha de Santa Cruz, Lya Luft começou sua carreira literária em 1980, aos 41 anos, com a publicação do romance 'As parceiras', seguido por 'A asa esquerda do anjo' (1981), 'Reunião de família' (1982), 'Mulher no palco' (1984), 'O quarto fechado' (1984), 'Exílio' (1987), 'O lado fatal' (1988), 'A sentinela' (1994), 'O rio do meio' (1996, prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes), 'Secreta Mirada' (1997), 'O ponto cego' (1999), 'Histórias do tempo' (2000), 'Mar de dentro' (2002), 'Perdas & Ganhos' (2003) e 'Pensar é transgredir' (2004). Formada em letras anglo-germânicas e com mestrados em Literatura Brasileira e Lingüística Aplicada, Lya trabalha desde os vinte anos como tradutora de alemão e inglês e já verteu para o português obras de autores consagrados como Virginia Woolf, Günter Grass, Thomas Mann e Doris Lessing, além de ter recebido o prêmio União
MULLER, HERTA Herta Müller nasceu em 17 de agosto de 1953, em Nitzkydorf, na Romênia. Estudou Literatura Alemã e Romanística em Temeswar e começou ali seus trabalhos literários como tradutora e professora de alemão. Entre outros prêmios, recebeu o Nobel em 2009 e o Kleist de Literatura.
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