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Correio Feminino

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Autor: LISPECTOR, CLARICE
Editora: ROCCO
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - CONTOS E CRÔNICAS

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorSobre o Autor

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Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2006

Sinopse

Clarice começou a atuar na imprensa em 1940 - três anos antes de lançar seu primeiro romance, 'Perto do coração selvagem' - colaborando de modo intermitente com jornais e revistas até dois meses antes de sua morte, ocorrida em 1977. Reunidos pela primeira vez em livro, os textos de sua fase inicial abordavam os mais diversos temas, desde a educação dos filhos aos tratamentos de beleza; dos remédios contra os ratos à busca da felicidade; da escolha do perfume aos dilemas morais. Falava de tudo, passando do trivial ao transcendental com desconcertante desenvoltura. Assim, o que encontramos aqui é uma outra faceta, pouco conhecida e estudada, de Clarice. Uma faceta que irá certamente surpreender e encantar quem se embrenhar pelas páginas deste 'Correio feminino'.
Opinião do Leitor:

Sílvia  /  Data:  6/7/2007
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Excepcional
A bárbara Clarice ensina a endurecer sem perder a ternura. Na onnda avassaladora da emancipação feminina algumas mulheres se esqueceram dos detalhes que as fazem diferentes e a genial Clarice que tanto falou da alma feminina em seus livros parte para aspectos mais concretos, como o modo de andar, falar, etc (sempre com sagacidade e elegância). Imperdível.

Saiu na Imprensa:

Jornal do Brasil  /   Data: 9/12/2006
Entre mulheres
O itinerário de Clarice Lispector nas páginas femininas da imprensa carioca mostra a face pouco conhecida da sofisticada autora de 'A hora da estrela', que vai ganhar edição especial

Cláudia Nina

Foi sempre pela mão de amigos – Rubem Braga, Fernando Sabino, Alberto Dines – que Clarice Lispector entrou no jornalismo. Não fosse a interferência, somada à necessidade financeira da vida de recém-divorciada, com dois filhos, e a escritora refinada, autora de obras como 'A paixão segundo GH' e 'A maçã no escuro', talvez jamais tivesse se aventurado na imprensa. Ainda mais nas colunas femininas que escrever – somente sob a proteção de pseudônimos, naturalmente.

A maior vaidade de Clarice Lispector era intelectual. Em parte, a confusão com a data real do nascimento da escritora foi alimentada pela própria. Gostava de parecer precoce e deixar que os leitores acreditassem que a brilhante estréia, o romance 'Perto do coração selvagem', com o que foi comparada a Virgínia Woolf, tinha sido escrito aos 17 anos. Não o fora. Clarice, que nasceu em 10 de dezembro de 1920 (e portanto faria aniversário amanhã), já não era mais uma adolescente quando o livro surgiu em 1943. Já tinha entrado na casa dos 20, o que faz toda a diferença para a literatura.

Voltando à imprensa feminina: Clarice temia pisar no ramo de amenidades. Daí o disfarce de Tereza Quadros, nos anos 50, para a coluna “Entre Mulheres”, do jornal 'Comício', que ocupava uma página inteira do tablóide; de Helen Palmer, publicada às quartas e sextas no segundo caderno do 'Correio da Manhã', de 59 a 61. Foi ainda a ghost-writer de Ilka Soares na coluna de moda do 'Diário da Noite' nos anos 60.

Toda esta história está contada de duas formas diferentes em livros importantes para o estudo desta face pouco explorada da obra de Clarice Lispector. São eles Correio Feminino, antologia dividida em cinco blocos que caracterizam o percurso da autora por estes meandros da superficialidade, incluindo reproduções em fac-símiles das páginas, e ainda Clarice Lispector jornalista: páginas femininas & outras páginas. Ambos são trabalhos cuidadosos de Aparecida Maria Nunes, que pesquisa o tema há duas décadas.

Embora tenham sido publicados em tempos diferentes, por editoras diferentes, os livros se complementam. Pode-se dizer que o segundo funciona como um guia do primeiro.

'Clarice Lispector jornalista' conta as histórias dos bastidores que precederam a feitura das páginas reproduzidas em 'Correio Feminino'.

Descobre-se como foi difícil para Clarice aceitar o convite dos amigos e decidir escrever sobre aulinhas de sedução; maneiras de se tratar a empregada e o marido, como cuidar da pele e estar sempre elegante, receitas, orientação dos filhos, cremes para mãos e maquiagem, conselhos de felicidade e testes de polidez.

Para que Clarice enfrentasse com dignidade a tarefa, foi preciso que entendesse que os pseudônimos eram uma espécie de ficção. Disfarçada, passaria a viver ali, nas colunas femininas, uma personagem de si mesma.

A imprensa sempre esteve presente na carreira de Clarice Lispector. Os contos publicados na revista 'O senhor' e depois as crônicas que durante anos escreveria para o Jornal do Brasil não são adendos a uma obra paralela. O exercício semanal de escrever para o jornal e estar mais perto de seus leitores foi sempre alimento para a ficção, que ganhou outros contornos à medida que a jornalista ganhava cancha de cronista.

Segundo Aparecida Maria Nunes, há que se ter cautela ao ler os textos reunidos em 'Correio Feminino', lembrando que, por trás dos pseudônimos, existe uma autora para quem a verdade a ser capturada está sempre num relance.

Como escreve Aparecida: “Ao conquistar seu público pelo tom de confidente e conselheira, Clarice Lispector, valendo-se dos 'pequenos textos inofensivos' sobre o comer, o vestir, o enfeitar-se, instiga sua leitora a refletir sobre as duas realidades em que se estrutura a sociedade: o mundo da s simulações e da verdadeira natureza das coisas”.

De fato, nada em Clarice Lispector é inofensivo. Nem mesmo quando ensinava as mulheres a serem formigas e se prepararem para o inverno.


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Sobre o autor:

LISPECTOR, CLARICE
Clarice Lispector nasceu em 1920, na Ucrânia, uma das repúblicas da extinta União Soviética. De família judia, chegou ao Brasil com os pais e mais duas irmãs em 1922. Sua família residiu primeiramente em Maceió e depois em Recife, onde Clarice passou sua infância. Perdeu a mãe em 1930 e, três anos depois, seu pai mudou-se com as filhas para o Rio de Janeiro. No Rio, Clarice formou-se em Direito e foi casada com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve seus dois filhos. Seu primeiro livro foi o romance 'Perto do coração selvagem', lançado em 1943. Clarice morreu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos.


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