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Eu Receberia As Piores Noticias Dos Seus Lindos

Labios

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Autor: AQUINO, MARÇAL
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - ROMANCES

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorOpinião do funcionárioSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2005

232 pág.
Sinopse

No momento em que narra os fatos de 'Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios', o fotógrafo Cauby está convalescendo de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará que algum tempo antes fora palco de uma corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo - mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico. A trajetória do fotógrafo, dado a premonições e a um humor desencantado, vai sendo explicada por meio de pistas - a história de Chang, morto num escândalo de pedofilia; o mistério de Viktor Laurence, jornalista local que prepara uma vingança silenciosa; a vida de Ernani, que no passado tirou Lavínia das ruas e das drogas. Mesmo diante de todos os riscos, Cauby decide cumprir seu destino com o fatalismo dos personagens trágicos. 'Nunca acreditei no diabo', diz ele, 'apenas em pessoas seduzidas pelo mal'.
Opinião do Leitor:

Patrícia PAS Maganha  /  Data:  30/9/2006
Conceito do leitor:  Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)

Excelente, mix de amor e locura.
Livro de história perfeita e sedutora, proporciona horas de prazer, sem dúvida.
Quando menos se espera o título do livro, que por si só é poesia, se abre no enredo tornando-nos cúmplices da história de amor.
Boa leitura!

Opinião do Colaborador:

Maria Carolina Borin <mcborin@livrariacultura.com.br>
venda - humanas - Paulista-Adm

Num Pará fervilhando pela guerra garimpeiros, devastado pela seca das relações humanas, nasce um amor, um grande amor, um amor eterno. Romance lindo, uma história incrível de tirar o fôlego e com personagens impressionantemente bem construídas. um dos melhores livros de literatura brasileira da década.

Saiu na Imprensa:

Gazeta Mercantil  /   Data: 3/3/2006
O veneno da esperança
Novo romance de Marçal Aquino é uma defesa do amor sublime

Marcius Cortez

A vontade que dá é a de resenhar o novo livro de Marçal Aquino, Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, como se fôssemos um dos seus personagens. Não propriamente os dois principais, o fotógrafo Cauby - um maluco de bom calibre, sujeito esquisito conservado na calda da mansidão mesmo que à custa de poesia ou de barbitúricos – ou então do anjo e da devassa Lavínia, a fascinante mulher por quem os homens rastejam. Há outros tantos, em papéis secundários, mas tão vivos e tão cheios de significados que não seria pecado inventarmos um contato entre eles. O professor Schianberg, o investigador Polozzi, a dona Jane, proprietária da pensão, e mesmo Zacarias, o tatu, que vive no quintal do fotógrafo entre as avencas e as ervas, podem muito bem se prestar a este colóquio.

São atentos e intensos, apesar de completamente diferentes. O professor Benjamitn Schianberg, que escreveu o livro "O Que Vemos no Mundo - Um Tratado Sobre o Amor, humano" (Lebrão Editores, Porto, 1991), brilha no decorrer de "Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios". Trata-se de um personagem ausente da ação da história, mas é ele quem a pontua e quem vai abrindo caminho para que entendamos o que Marçal Aquino quer nos dizer. Há frases luminosas e lá pelo meio de um dos seus capítulos, esbarramos numa delas: "Nós nos alimentamos tanto do bem quanto do mórbido. No meio disso, existe a poesia".

O investigador Polozzi é o amigo feito nas diabruras da noite, no bordel de nome vulgar, o "Grelo de Ouro". Um cara ponta firme, polícia, mas sincero como um bom espelho. Traiu o Cauby, certa vez, traição feia, mas se redimiu porque é ele quem encontra Lavínia, internada numa clínica para doentes mentais, conforme prometera, num momento-limite. Por outro lado, tem a Jane, a dona Jane, que salva a vida de Cauby e que mostra ser uma mulher de princípios numa terra onde solidariedade e dignidade são cartas fora do baralho.

Por fim, esta formidável metáfora, Zacarias, o tatu, bicho que se enfurna, insólito, nos subterrâneos do quintal do Cauby, talvez porque já não acredita nem sequer que possa ser picado pela peçonha da esperança.

Certamente um personagem que ninguém gostaria de sê-lo é a cidade onde acontece a história. Um lugarejo nos confins do Pará, região quente, úmida e totalmente à mercê daquele que manda: a sagrada mineradora, que mói as pessoas, criando o clima de tensão entre os garimpeiros, a maioria da população, e tecendo a nuvem poeirenta que encobre os crimes cometidos em nome de um bem-estar impossível. Por acaso este rico-pobre lugar não seria outra metáfora do ficcionista Marçal Aquino? (Não seria exagero pensar em Euclides da Cunha, pois veja como ele descreveu Canudos: "A urbs monstruosa, de barro, definia bem a civitas sinistra do erro. O povoado novo surgia, dentro de algumas semanas, já feito ruínas").

Há o Chang, o chinês gay que se deu bem no comércio local, o estrangeiro aventureiro sem escrúpulos que veio fazer a América e que é amigo apenas do dinheiro e dos menininhos. Há Ernani, um personagem importante, o marido traído, pastor, outro homem que rasteja por Lavínia, um cara do bem, porém um tanto confuso e ingênuo por querer desafiar a mineradora sem imaginar que estava brincando com fogo. Há o careca, "seu" Altino, um pobre diabo, marcado por uma bela história de servidão humana. Há o menino, outro singelo artifício do autor, pois este garoto é a metalinguagem em ação, é ele quem está escrevendo uma história, é ele o projeto de um escritor.

Na galeria de personagens há ainda espaço para o poeta Viktor Laurence, intelectual que ama mais os livros do que os seres humanos, jornalista, um sujeito inteligente, mas desprovido de caráter, daquele tipo que passa por cima de qualquer coisa para disseminar a discórdia. Um cidadão que não é amigo de ninguém e que se dá ao luxo de cultivar um humor cortante. Por acaso, não seria uma metáfora para certos intelectuais brasileiros que ontem escreviam poemas e hoje se prestam ao papel sujo da adesão ao falso moralismo?

Enfim, costuma-se dizer que um romance é bom quando os seus personagens mexem com o leitor e como se pode perceber, envolvimento é o que não falta neste "Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios". Era Hegel quem dizia que a obra de arte é o luzir sensível da idéia. Escrever o texto de um romance é coisa para manipuladores, não resta dúvida, Tem razão o saudoso Anatol Rosenfeld quando sacramentou num dos seus ensaios que "o narrador da ficção não é o sujeito real de enunciados; é manipulador da função narrativa, como o pintor é manipulador do pincel e da cor; não narra, portanto, de pessoas e de coisas, mas narra pessoas e coisas".

As duzentas e vinte nove páginas da história de Aquino abriga variadas manipulações. Não se trata de nenhuma obra sinfônica, mas a obra é conduzida por alguns movimentos. O primeiro capítulo intitulado "O amor é sexualmente transmissível", no qual arrebenta aquela paixão que só quem viveu algo parecido entende, tem um quê de faroeste. Um homem na expressão da palavra encontra aquela mocinha de fechar o quarteirão numa cidadezinha estranha e então acontece a explosão, abençoada por Vênus, Eros e demais deuses de plantão porque a barra era pesada, afinal uma corrida de ouro conflagrada em pleno ciclo do garimpo paraense não é esporte para anjinhos.

O segundo capítulo, "Carne-viva" tem um quê de folhetim. Saímos do impetuoso território das loucuras do amor de Cauby e de Lavínia para o passado desta, sua infância traumática, o estupro, a prostituição, drogas, o agudo desespero e depois a sua vida junto com o marido, Ernani. Talvez seja o trecho mais convencional que por vezes beira ao "Eu, Cristiane F, 13 Anos, Drogada e Prostituída...", mas ainda bem que é curto.

O penúltimo capítulo, "Postais de Sodoma à Luz do Primeiro Fogo", o mais longo deles, sobe o tom da obra. Assemelha-se a um crescente que explode numa revoada de trompas seguida por um trovejar de uma percussão porque é o drama que se impõe. Estão lá Lavínia e Cauby, ambos em frangalhos, porém respirando. Há dois momentos grandes nesta parte do livro. O primeiro é quando Lavínia comunica-lhe que está grávida e a fala seguinte é o título do livro: "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios". Por aí dá para ver como muita coisa havia mudado e como o que restou em volta dos dois amantes queimava no fogo inevitável da infelicidade humana. O segundo momento é quando a turba ignara, induzida pela onda dos que julgam sem o ônus da prova, parte para fazer justiça com as próprias mãos. Por acaso esta não seria outra curtida metáfora que assaltou a mente do roteirista de filmes de sucesso como "O Invasor" e, recentemente, "Crime Delicado"?

Fechando o espetáculo, o epílogo ou seria o gran finale? No "Poema escrito com bile", Marçal Aquino tenta nos dizer o que é aquilo que chama de amor. De fato, a esperança é um veneno terrível, pois depois de tudo o que aconteceu e que continua acontecendo, ele ainda vem nos falar de uma "reserva de sonho contra tudo que não é doce, sutil ou sereno".

"Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindo Lábios”constrói um pilar de resistência dedicado aos dementes que “conseguem entregar-se por inteiro àquilo que consagraram como objeto de culto e devoção. Para viver num estado de excitação constante, confinados num território particular, incandescente, vedado aos demais”. O universo que o autor nos promete está longe de ser uma utopia, é apenas o mundo possível visto “pela ínfima minoria que vive alheia nas frestas da realidade”.

É um livro para quem acha que ainda pode existir alguma coisa sublime entre um homem e uma mulher. Apesar de tudo, apesar de todos. Ele nos oferece o cheiro bom do sexo, a fúria das tensões do corpo, o sangue quente, o sêmen generoso. Mas, principalmente, nos brinda com o impacto de que são os grandes amores os verdadeiros cimentos que justificam a nossa passagem por este mundão besta.


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Sobre o autor:

AQUINO, MARÇAL
MARÇAL AQUINO nasceu em Amparo, no interior paulista, em 1958. Publicou, entre outros livros, O amor e outros objetos pontiagudos (1999), Faroestes (2001), O invasor (2002), Famílias terrivelmente felizes (2003) e Cabeça a prêmio (2003). Foi roteirista dos filmes Os matadores, Ação entre amigos, O invasor, Nina e Crime delicado. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios é sua estréia na Companhia das Letras.


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