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No Caminho De Swann

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Coleção: EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO, V.1
Autor: PROUST, MARCEL
Tradutor: QUINTANA, MARIO
Editora: GLOBO
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
3ª Edição - 2006

558 pág.
Sinopse

Os sete volumes da obra 'Em busca do tempo perdido' constituem um emaranhado complexo de personagens, cenas, detalhes que reaparecerão muito depois e somente aí adquirem seu real significado, articulados pela memória que, ativada por circunstâncias fortuitas, medita livre por diferentes campos, sendo as artes (particularmente a literatura) um dos mais freqüentados. Este primeiro volume também exemplifica isso, pois Swann, um dos principais personagens, é um refinado aristocrata conhecedor de literatura, colecionador de objetos de arte e freqüente nos salões parisienses. O narrador o conheceu quando criança em Combray, cidadezinha imaginária onde ele passava as férias de Páscoa. No segundo, o narrador, já adolescente, desistindo do amor de Gilberte, filha de Swann, parte com a avó em viagem de férias para a fictícia praia de Balbec, com imaginárias ruínas antigas, em seu périplo de conhecimento da arte e de si. Assim, cada volume e todos se transformam em complexo programa de formação estética e humanística. Neste volume, Proust se dedica principalmente à narração de sua infância e adolescência.
Opinião do Leitor:

Rafael Roberti  /  Data:  15/1/2010
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Marcel Proust
Se cabe uma única frase é aquele que termina o filme de Raoul Ruiz: ''O seu livro percorre a sua vida bem como a de todos os outros homens''


André Maranhão Santos  /  Data:  10/3/2008
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Obra Prima
Um dos maiores escritores em se tratando de conceituar os sentimentos humanos. Proust não é um autor fácil de ler, mas suas digressões são imprescindíveis para a compreensão de uma literatura mais detalhada, quiçá minimalista. Destaque para as partes 2 e 3 intituladas: Um Amor de Swann e Nomes de terra: o nome.

Saiu na Imprensa:

Correio Braziliense  /   Data: 3/2/2007
A contemporaneidade de Proust
Escritor revolucionou a literatura ao impor toque subjetivo e interiorizado em sua obra

Em busca do tempo perdido, obra capital de MarceI Proust, um dos maiores escritores dos séculos 19 e 20, volta às livrarias em cuidadosa reedição da Editora Globo. A tradução original, que contou com poetas e autores importantes, como Mário Quintana (que traduziu o primeiro título da obra em 1948), Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, foi revista por Olgária Chaim Féres Matos, professora de filosofia da Universidade de São Paulo. O trabalho foi enriquecido por prefácios, cronologias, notas e resumos de Guilherme Ignácio da Silva. Cada volume da coleção conta com posfácio exclusivo - Jeanne-Marie Gagnebin, professora de filosofia da PUC-SP e Ralf Renner da universidade alemã de Freiburg, escreveram os que acompanharam No caminho de Swann e À sombra das raparigas em flor. As informações adicionais servem para munir o público que acaba de se deparar com o autor com informações de sua vida e obra. No texto abaixo, Ronaldo Costa Fernandes, ensaísta e escritor, reflete sobre a obra de Proust e o caráter revolucionário de seu trabalho

Ronaldo Costa Fernandes

A modernidade literária está apoiada sobre três grandes pilares. A primeira fundação foi feita por James Joyce, a segunda por Kafka e a última por Marcel Proust. Nada em literatura nasce do nada, mesmo que a escritura de um Joyce possa parecer uma ruptura enorme e definitiva com a tradição. Ora, a primeira reconciliação joyciana com a tradição vem com seu livro de contos de recorte nitidamente realista, a se­gunda com a introdução no Retrato do artista quando jovem das questões ocidentais da cristandade e, por fim, o seu Ulisses é paródico com a obra emblemática do início da literatura e da cultura ocidentais: A odisséia, de Homero. Caso não queira aprofundar e ver outras tradições: a língua irlandesa, a história da Irlanda, a apropriação que faz da técnica do "stream of consciou­sness" bebida em Édouard Dujardin, dos jogos de pala­vras de Sterne e Lewis Carroll. Kafka, por sua vez, é de­vedor de uma literatura do fantástico do século 19, do estranho, do maravilhoso de todos os tempos desde Homero e As mil e uma noites, da literatura gótica e, também entre outros, do absurdo de Jarry, de Nerval e outros. E, no nosso caso, Proust pertence à grande fa­mília dos intimistas, solipsistas, introspectivos de to­dos os tempos, seja o romance epistolar de Relações pe­rigosas, de Laclos, seja o Madame Bovary, de Flaubert, que abre espaço para a perquirição não só da intimida­de doméstica, mas também da mente humana.

Mesmo sabendo a importância de outras vanguardas do século 20 como Virginia Woolf, Faulkner (que pertence à linhagem de Joyce), e muitos outros mais, decidimos ficar com os três escritores mencionados acima como pilares também porque se mostram como exemplos de escritura unindo o tradicional com a renovação e, mais ainda, apontando para um futuro li­terário. James Joyce, com seu Finnegans wake, poderia levar a literatura ao silêncio ou a um beco sem saída, onde o romance ou a prosa se diluísse num hermetis­mo tamanho que, com uma experimentação desabri­da, conduziria a uma encruzilhada sem leitor. Mas o Joyce que permanece e que impulsionou seus segui­dores estão mais próximos do Ulisses do que do Finne­gans wake. Por sua vez, Kafka tem importância visceral ao apontar o absurdo na burocracia, na justiça, nas re­lações sociais e até mesmo na perplexidade diante da vida. O fantástico em Kafka é o fantasma do cotidiano e das relações sociais (e de poder) elevados à categoria de trama da prosa. O certo é que todos eles refletem uma reação ao mundo mecanizado e massificado, co­mo observou Zéraffa. Não mais a massa operária de Zola, não mais o épico de Tolstoi. Agora a saga e o mundo público é o espaço do íntimo, do privado, do particular. E nesta estrutura tripartite vem se incorpo­rar MarceI Proust com suas preocupações sobre o Tempo e a Memória agindo sobre o indivíduo.

Os três pilares vão produzir segmentos distintos na história da modernidade literária do século 20. Dos epígonos de Joyce, criados a partir da aporia e antino­mia de Finnegans wake, não se pode dizer que foi produzido efeito mais permanente a não ser nas vanguar­das que aceleraram o processo de descontinuidade da sintaxe da prosa. Mas, Joyce legou a várias gerações o seu "stream of consciousness", o jogo de palavras, a fragmentação e o uso de diversos discursos narrativos, a paródia corrosiva, a ironia das mais ácidas. Os "herdei­ros" joycianos são inúmeros em todas as literaturas (desde o cubano Cabrera Infante até o nosso Guimarães Rosa, entre uma lista imensa a ser enumerada). Vindo de Kafka, os seguidores apreenderam o mundo do absurdo e o absurdo do mundo transfigurados em prosa que aqui e ali tomaram vários nomes, entre eles, o tão divulgado realismo mágico ou o universo des­concertante de narradores de diversas estirpes.

E quanto a Proust? Embora alguns poucos críticos de Proust o tenham visto como o último dos grandes romancistas do século 19, o autor de Em busca do tem­po perdido produziu uma obra que fermentou enorme gama de escritores que dele beberam sua contribuição fundamental para a modernidade literária. A fim de que se entenda o que foi herdado, será preciso inicial­mente compreender Proust.

Avanço estilístico

Em busca do tempo perdido poderia parecer ao leitor médio um romance sobre a frivolidade da aristocracia francesa. Ora, o que interessaria ao leitor desatento o enredo escasso, os encontros entre nobres, as intrigas de princesas, marquesas e membros da alta burguesia refinada, numa época já de grandes avanços no pensamento social como, entre outros, o marxismo e as expressões romanescas, na França e fora dela, que tra­tavam da classe média e da classe operária? Que inte­resse haveria naquilo que o próprio Proust chamou de memória involuntária, não consciente, que afloraria quando menos se espera? Ou nos seus avanços e recuos e sua construção em forma de catedral?

Com seu estilo lento, de longuíssimas frases, de sin­taxe ordenada, Proust poderia parecer superado pelos seus outros dois companheiros, Joyce e Kafka, se não alertasse o leitor para uma literatura que preza o detalhe, a angústia de estar no mundo, a perspicácia de debruçar-se sobre o tempo com a delicadeza de roman­cista e a inquietação de filósofo. Num tempo de mudanças bruscas e vertiginosas, Proust vem nos mostrar que a natureza humana constrói-se aos poucos e que as exterioridades patéticas apenas projetam o meca­nismo tosco do reino animal ao qual pertencemos.

Proust erige um humanismo particular, não da for­ma convencional como conhecemos, nem mesmo na espécie de gnose do ser (falsamente confundida com um projeto de auto conhecimento). O humanismo proustiano é a consciência de uma individualidade contra a massificação (a vanguarda européia era uma renúncia ao mundo da série que, surpreendentemen­te, ela enaltecia, quando, no fundo, rejeitava-o), do humanismo contra o Capital (a aristocracia é um refúgio do eu - expressão muito usada por ele - contra as relações mercantilizadas).

Digressão como trama

Outro procedimento que o insere como um dos pais da modernidade é o uso sistemático e pre­meditado da digressão. A digressão é seu gran­de potencial e o diferencia da literatura realista que execrava justamente a incômoda interferência do narrador. Proust não a inventou, cer­tamente. Um dos grandes mestres da digressão no passado fora Fielding, com seu Tom Jones, onde deixava a trama para inserir longos co­mentários. Esta atitude estética de Proust é mais que um mecanismo estilístico: aponta pa­ra o romance como um ato de inteligência, uma epistemologia. Proust agora quer reflexão, num mundo perdido em banalidades e cada vez mais as­sombrado pelo fantasma das aparências.

Proust tornou o que era periférico em centro: a di­gressão passou a ser "trama". A trama rarefeita é pro­posital: o mundo agitado agora é de dentro do narra­dor. A lentidão narrativa aliada às poucas ações é uma recusa ao romance facilmente digerido. O freio nas pe­ripécias representa que elas agora pertencem ao reino da massificação que cumprem até mesmo melhor a proposta. O romance cresce em robustez e profundidade que outras artes narrativas não podem oferecer.

A crítica sobre Proust estudou, entre outros aspec­tos, alguns dos seus procedimentos como o impressio­nismo (a tentação de unir vida e obra seduz vários crí­ticos) e seu relativismo (Edmund Wilson), a "durée", as digressões de "contigüité" e de "resssemblance" (Bayard, em Le hors-sujet), as metáforas baseadas em pintura e música, a análise não do passado, mas da memória (Jean-François Revel), o discurso indireto que "conser­ta a linguagem comum, os defeitos da linguagem" (Ge­nette), as diferentes camadas temporais (Poulet), a narração como ato de leitura (Paul de Man), a crítica social do esnobe (Benjamin), o efeito do patético (Bar­thes) e a biografia literária (Citati).

Confrontado com o futuro mesmo do romance francês dos anos 50 (o nouveau-roman), Proust pode­ria parecer prolixo e ser tudo aquilo que a vanguarda do meio do século pregava: impessoalidade, limpeza, literatura do distante e do olhar. Pura aparência: Proust contaminava o nouveau-roman que, apesar da retórica do seu teórico Robbe-Grillet, era uma literatura subjetiva e obsessiva. Obsessiva como Proust em re­lação à mirada dada a seu objeto de estudo: o homem. Leia-se, por exemplo, O bonde, de Claude Simon, para perceber o andar circular, o mesmo objeto reiterativo, a longa digressão, a propensão à análise do ensaio. Aquilo que poderia parecer retórica excessiva é em Proust uma atitude perante o mundo: a reiteração, a circularidade, o espaço sufocante.

Homossexual, "doente dos nervos", edipiano, Proust foi um dos defensores mais ardorosos da divi­são entre autor e narrador. Para ele, ao contrário de Saint-Beuve, que advogava o estudo da biografia do autor para entendimento da obra, o self do autor não é o mesmo da figura ficcional do narrador. Dos três mi­tos da modernidade literária, Proust é o mais palatável e que faz com mais suavidade a passagem do romance do século 19 para a vanguarda do século 20, além de poder ser lido sem dificuldade pelo leitor médio, o que não ocorre com Kafka nem com Joyce. O poder de transgressão de Proust é mais sutil e menos explícito embora o leitor médio logo perceba que está diante de uma obra que ele estilisticamente não se defronta de forma recorrente.

Proust ainda é contemporâneo, em termos de escrita e de leitura, em virtude da inanição da trama, de personagens aprisionados no filtro do narrador, personagens estes que fulgem brilhantemente para depois desaparecer ou ocupar um canto obscuro, ou ainda em razão do tema da perversão - tudo atualiza Proust. É ainda pertinente a invocação do ensaio (variante da digressão) que Proust não inaugura, mas utiliza-o de maneira magistral como na visita ao pintor, em Balbec, onde expõe sua concepção de pintura depois do aparecimento da fotografia. E mais ainda: Proust coloca em cena o narrador como personagem, não o narrador memorialista, mas aquele que cria a dilatação do eu, expande-a e, com a escrita, abarca mundos nunca antes narrados.

Em meio a esta prosa deliqüescente e voluptuosa, Proust faz o elogio da razão. O texto é organizado e lúcido - crítico mesmo - até nos poucos relatos de sonho. O mundo de Proust poderá ser anunciado como impressionista ou qualquer termo que se queira dar a partir da subjetividade, mas não se há de negar a necessidade de análise, inclusive do obscuro inconsciente e do momento fugidio - grande corruptor que só é apreendido pela precisa consciência. Proust é o escritor não de um mundo em transformação, mas de um mundo em transformação cuja mente quer fixá-lo em sua beleza. A Beleza é outro grande tema, junto com os já relatados. Viver representa conscientizar-se da Beleza da emoção, do esquivo, da surpresa, do pasmo frente ao desconhecido, da arte e da cultura como ninhos da verdade, do romance co mo refutação da mesquinhez, do transitório e da impossibilidade de apreender o movimento que, em última instância, é a vida.

Em Proust, há uma falência da linguagem; apesar da flânerie do verbo contida em mais de 3 mil páginas. Nomear é muito pouco para resgatar ou mimetizar a realidade. É preciso reconstruir também por meio da linguagem, por isso as metáforas desconcertantes e desdobradas (longas, aproximando o prosaico do sublime e vice-versa) , quando o autor cria a realidade da linguagem, onde nada se perde. E nós, leitores, passamos a fazer parte deste espectro que, em si mesmo, é um universo que não se basta, mas nos faz imergir na existência de um mundo de pensamentos que, ao fim e ao cabo, é a realidade última do leitor. Para nós, leitores, ler Proust não é tempo perdido, mas tempo recuperado.


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Sobre o autor:

QUINTANA, MARIO
Nasceu em 1906, em Alegrete (RS). Em 1919, matriculou-se no Colégio Militar de Porto Alegre, que deixará em 1924. Em 1926, empregou-se na Livraria do Globo, trabalhando com Mansueto Bernardi na seção de literatura estrangeira. Colaborou na Revista do Globo e no jornal O Estado do Rio Grande. Em 1953, ingressa no Correio do Povo, de Porto Alegre. Em 1967, recebe o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Em 1973, é lançado o famoso Caderno H, com os textos que publicou em periódicos, como A Província de São Pedro (em 1945) e o Correio do Povo (a partir de 1953). Em 1974, o governo do Rio Grande do Sul concede-lhe a medalha Simões Lopes Neto. Em 1976, ano em que o poeta completa 70 anos, é publicado o livro 'Apontamentos de história sobrenatural' (Editora Globo), pelo qual recebeu o prêmio Pen Clube de Literatura Brasileira no ano seguinte. Além disso, participou de inúmeras antologias no Brasil e no exterior, tendo diversos de seus poemas também traduzidos e divulgados em periódicos internacionais. Paralelamente a isso, Quintana foi tradutor, tendo vertido mais de trinta obras para a língua portuguesa. Em 1983, o prédio do Hotel Majestic, no qual o poeta morou entre 1968 e 1980, foi transformado na Casa de Cultura Mario Quintana, onde se encontra seu arquivo. Mario Quintana faleceu no dia 5 de maio de 1994.


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