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Futuro Chegou, O

Instituiçoes E Desenvolvimento No Brasil

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Autor: NOBREGA, MAILSON DA
Editora: GLOBO
Assunto: ECONOMIA NACIONAL

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2005

400 pág.
Sinopse

Escrito em meio a uma crise política - ainda que paulatinamente projetado ao longo dos últimos 20 anos - o livro 'O futuro chegou - instituições e desenvolvimento no Brasil', de autoria do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, é um ensaio de fôlego, que se propõe a difícil tarefa de debater com uma ampla tradição de interpretações do Brasil para responder à pergunta - para onde estamos indo? Na busca de uma resposta, Maílson da Nóbrega recorre, em primeiro lugar, à história. Remontando, na primeira parte do livro ('Como o Ocidente ficou rico'), às origens do capitalismo, ele se debruça sobre alguns momentos cruciais da história do Ocidente, como a Revolução Gloriosa, a Revolução Industrial, etc., para entender a formação do mundo contemporâneo. Sua análise é arguta, recorrendo a diversos autores e a diversas interpretações, mas Maílson não é historiador. Seu interesse não é entender o passado em si mesmo, mas juntar elementos que lhe permitam entender como funciona o nosso mundo e, especificamente, como o Brasil se encaixa nele. Ao longo da narrativa histórica, Maílson vai discutindo processos, analisando modelos de desenvolvimento, expondo teorias, em suma, 'acumulando capital' histórico e teórico para introduzir o leitor à grande tese do livro. Essa tese está profundamente associada à chamada Nova Teoria Institucional, que Maílson abraça - sempre de forma crítica. De acordo com essa perspectiva, o desenvolvimento não é fruto de políticas econômicas milagrosas, mas da existência e da consolidação de instituições fortes que permitam tanto o crescimento sustentado - e não os surtos ocasionais propiciados pelas conjunturas específicas - quanto a distribuição da riqueza - pois, como Maílson não deixa de lembrar ao longo de toda a sua obra, crescimento e desenvolvimento são termos distintos, o primeiro não implicando necessariamente o segundo, na ausência de mecanismos que transformem a riqueza em bem-estar para o conjunto da população. É a partir dessa perspectiva que Maílson aborda, na segunda parte de sua obra ('A trajetória do Brasil'), a história do Brasil, delineando, aos poucos, um modelo muito claro, absolutamente dominante até os meados da década de 1980, em que o patrimonialismo e o personalismo dominavam a vida nacional e impediam a formação de instituições sólidas que pudessem embasar um modelo seguro de desenvolvimento. Mas, nos últimos vinte anos, com o colapso do nacional-desenvolvimentismo, foi se delineando um novo modelo, ainda em gestação - mas que já dá sinais claros de sua existência e de suas potencialidades - que, segundo Maílson, deve ir se substituindo ao antigo e será caracterizado por três elementos centrais - a democracia, a economia orientada pelo mercado, ancorada em fortes instituições e políticas sociais focalizadas nos segmentos menos favorecidos da população.
Opinião do Leitor:

Sérgio Luiz CAbrini  /  Data:  26/6/2009
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História da economia clara e concisa
O livro esclarece muito da economia no Brasil, mostrando um contexto social, político e economico.


Edson Guerino Bartoletti  /  Data:  24/6/2008
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O Futuro Chegou, mas ainda exige atenção
Mailson da Nóbrega escreveu um brilhante livro,de forma acessível para economistas e leigos.O que mais chama a atenção é o novo campo econômico ressaltado por Mailson, a economia das instituições. O autor defende, com toda a razão, que o fortalecimento das instituições e a disciplina econômica do governo são os pilares do crescimento e desenvolvimento econômicos.Ao contrário do direito anglo-saxão que é consuetudinário,ou seja, fortemente apoiado em usos e constumes/jurisprudência,o brasileiro deriva do português,que por sua vêz se originou do Direito Romano,o que lhe confere um caráter eminentemente formal,hoje em vias de mudança graças ao instituto da cláusula vinculante. A solidez institucional requereu um longo caminho,dada essa natureza do direito e da sociedade brasileira, que como a portuguesa,é estamental e as elites governantes tendem a misturar a coisa pública com a privada. Sem dúvida,o autor está correto ao afirmar que a redemocratização, a independência dos poderes,a independência de fato do Banco Central, o respeito à propriedade e aos contratos, o controle da inflação cimentaram o que hoje vemos, ou seja, crescimento econômico com baixa inflação. Interessante a perspectiva do autor de que este caminho é sem volta,mas que exige atenção quanto a medidas populistas, que poderiam levar à perda de todas essas duras conquistas.


Wolfgang Aurbach  /  Data:  31/8/2006
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Ponto de Ruptura e Desafios
Em 29/11/2005, após uma primeira leitura rápida, apresentei uma primeira opinião sobre este livro. Ainda mantenho esta opinião na íntegra. Apenas gostaria de acrescentar o seguinte, agora após uma releitura detida:

A força de impacto deste livro reside na interpretação dada ao ‘Ponto de Ruptura’ que ocorreu na história recente do Brasil, assim como no aporte de ricos subsídios de conhecimento em dois planos:
Na Parte I é apresentada uma análise abrangente dos fatores políticos, econômicos e sociais que determinaram o desenvolvimento dos países ricos do Mundo Ocidental.
A Parte II contém o mesmo tipo de análise, com respeito ao desenvolvimento tomado pelo Brasil. Nesta parte, merecem destaque especial as considerações sobre a Constituição de 1988 (cap. 13, p. 322 – Dez distorções) e sobre os Desafios (cap. 15, p. 354)
O livro está escrito numa linguagem culta e clara, o que torna a leitura deveras agradável. Entretanto, a quantidade de informação apresentada é enorme. O leitor não especializado tem que se esforçar, caso queira reter fatos e argumentos em grau suficiente para poder usá-los numa situação de debate.
O livro tem um enorme valor didático. É de se desejar que encontre um amplo círculo de leitores.


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Saiu na Imprensa:

O Estado de S. Paulo  /   Data: 4/12/2005
Para entender o Brasil de hoje
Maílson da Nóbrega analisa os caminhos que o País tem escolhido na busca do desenvolvimento

Marco Antonio Rocha

O livro O Futuro Chegou , que Maílson da Nóbrega , ex-ministro e atualmente um dos sócios da empresa de consultoria Tendencias, está lançando pela Editora Globo, mais do que nos surpreender pelo título – o futuro, por definição, nunca chega – nos impressiona pela abordagem inovadora, embora não de todo inédita, dos diversos caminhos e tentativas que este país tem escolhido em busca do seu desenvolvimento como Nação, e não apenas econômico.

A ótica com que o autor expõe e analisa essa marcha é também extremamente oportuna, em vista dos fatos acabrunhadores que a sociedade brasileira acompanha com indiscutível tristeza através da imprensa escrita, rádios e televisões. E, principalmente, ante as frustrações generalizadas trazidas por um partido político e um governo, maciçamente eleito. Ambos tidos como portadores de intensas esperanças de elevação moral e de modernização administrativa.

Mas o que estes fatos estão revelando, no seu conjunto, e na sua intimidade mais atentamente analisada por brasileiros que realmente se preocupem com os destinos da Nação, é, sobretudo, a fragilidade de várias de nossas instituições, que ainda nos assola e retarda a nossa chegada definitiva ao país moderno e decente que todos sabemos ser plenamente alcançável.

Como diz Decio Zylbersztajn, professor titular da FEA-USP, no prefácio, “a coluna dorsal da obra são as instituições estudadas no seu sentido mais amplo, que abrange aquelas formalmente estruturadas, bem como, as regras do jogo informais, que pautam o comportamento humano”.

Gestado num período de sete semanas que o autor passou como pesquisador visitante, na FEA-USP, a convite do prof. Zylbersztajn, o livro trata, se assim arriscamos resumir seu tema, do papel que as instituições de um país exercem no seu desenvolvimento, inclusive econômico. Insere-se como peça importante da Nova Economia Institucional, disciplina acadêmica da qual a imprensa não toma grande conhecimento, em geral muito mais empenhada em saber quem vai ser ministro, ou deixar de sê-lo.

Mas, foi a longa vivência de Maílson da Nóbrega no setor público brasileiro – de funcionário concursado do Banco do Brasil a ministro da Fazenda (1988-1990), com passagem por diversos setores – reunida à de membro do “board” de Governadores do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e somada a uma profícua atitude de “estudante”, no sentido nobre de quem está continuamente se esforçando por aprender mais, e mais acuradamente, que lhe deu os instrumentos teóricos e empíricos para a empreitada. E que não foram poucos, como se vê nas oito páginas de bibliografia consultada, no final do livro, que fornecem, a quem interessar possa, o roteiro de um excelente curso sobre economia, desenvolvimento, história do mercado, do capitalismo e das instituições.

Numa extensa primeira parte, o livro se estende pela história da Economia, desde o surgimento do mercado (“mais antigo que Matusalém”, diz o autor), passando pelos primórdios do capitalismo, com a Carta Magna e a Revolução Gloriosa, na Inglaterra, até chegar ao moderno Estado do Bem-Estar Social. Essa primeira parte procura nos explicar “Como o Ocidente ficou rico”, e termina com um tópico que interessa a muitos de nós: “Por que a América Latina ficou para trás”. A segunda parte trata do Brasil, desde a formação do Estado brasileiro até os desafios, estratégias e esperanças do momento atual.

A vontade do autor, de que o livro seja realmente lido e contribua para a catequese do público em relação a suas idéias, se expressa num recado de poucas linhas: “Dicas para a leitura deste livro”, onde ele nos oferece “três níveis de leitura”. Um de leitura ligeira, para saber do que se trata; outro de leitura do conteúdo; um terceiro, de leitura dos boxes inseridos na obra. São 18 e também têm um índice. Neles se fala de coisas que não precisam figurar no texto principal – são complementos de leitura, como por exemplo, uma das principais “instituições” informais do Brasil: o jeitinho! Ou, a explicação sobre o Prêmio Nobel e a do Orçamento Público.

O ex-ministro poderia ter lançado um livro com uma coletânea dos artigos que escreve aos domingos para o Estado. Isso já seria leitura obrigatória. Mas, O Futuro Chegou é mais do que leitura obrigatória. É para estudo obrigatório em escolas de administração e economia, é para debate obrigatório em seminários, é para crítica obrigatória, é para instrução obrigatória das classes política e empresarial brasileiras. É para todos os que queiram pensar seriamente, com base em material sério, sobre o futuro deste país. Mesmo que discordem das idéias e propostas do autor, ou das suas análises sobre a evolução das instituições no Brasil e sua importância.

O otimismo insinuado no título, em relação ao Brasil, funda-se no fortalecimento, que o autor procura demonstrar, de muitas das nossas instituições, ocorrido nos últimos 20 ou 30 anos e pouco percebido pelo grande público. Assim, o futuro que chegou para nós (ou que estaríamos em vias de desfrutar) significa que estamos deixando de ser governados pelo empirismo, arbítrio e improviso de lideranças carismáticas, para passarmos a ser governados por instituições que gradualmente se consolidam, confiáveis e racionais, como são as que promoveram o enriquecimento e a liderança dos países hoje maduramente desenvolvidos.


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Sobre o autor:

NOBREGA, MAILSON DA
Economista formado pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Maílson da Nóbrega foi ministro da Fazenda entre 1988 e 1990, depois de atuar no Banco do Brasil e no setor público. Como ministro, presidiu vários órgãos, entre os quais o Conselho Monetário Nacional e o Conselho Nacional de Política Fazendária. Foi ainda membro do Board de Governadores do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Atualmente é sócio da Tendências Consultoria Integrada, empresa de consultoria econômica e política sediada em São Paulo. Foi pesquisador-visitante da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da (FEA) da USP.


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