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Carmen - Uma Biografia

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Autor: CASTRO, RUY
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Encadernado
 - 23 x 16 cm 1ª Edição - 2005

632 pág.
Sinopse

'Carmen', de Ruy Castro, é a biografia da brasileira mais famosa do século XX. Ano a ano, o autor acompanha a vida de Carmen - do nascimento da menina Maria do Carmo, numa aldeia em Portugal (e a vinda ao Rio de Janeiro, em 1909, com dez meses de idade), à consagração brasileira e internacional de Carmen Miranda e sua morte em Beverly Hills, aos 46 anos, vítima da carreira meteórica e dos muitos soníferos e estimulantes que massacraram seu organismo em pouco tempo. Mas 'Carmen' não é apenas uma biografia. Enquanto entrelaça a intimidade e a vida pública da maior estrela do Brasil, Ruy Castro nos leva a um passeio pelo Rio dos anos 20 e 30, e por Nova York e Hollywood dos anos 40 e 50 - cenários em que é especialista. Além disso, o autor resgata a história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da juventude do passado, da Rádio Mayrink Veiga, do Cassino da Urca, da Broadway, dos gângsteres que dominavam os nightclubs americanos e dos bastidores dos estúdios de cinema - numa época em que para estrelas como Carmen, as noites não tinham fim.
Saiu na Imprensa:

Zero Hora  /   Data: 9/2/2009
O centenário notável de Carmen

A história foi contada pelo próprio Ruy Castro, em sua passagem pela Feira do Livro, em Porto Alegre, em 2008, em companhia da mulher, Heloísa Seixas. Depois de cinco anos dedicados a pesquisas, entrevistas, coletas de material, discografia, filmografia da cantora Carmen Miranda, Ruy Castro começou a escrever a biografia da cantora e foi surpreendido, quando tinha apenas as primeiras 80 páginas, por um câncer de garganta. Um dos papas nacionais do jornalismo entregou-se ao tratamento, mas transformou a redação de 'Carmen: uma Biografia', em parte de seu tratamento – Eu não tinha medo de morrer, tinha medo era de não acabar o livro – comentou.

Mas Ruy concluiu, tanto o livro quanto o tratamento, e desde então já se entregou a novos projetos. Ele mesmo admite o carinho que tem pela obra, que considera um de seus melhores livros, crédito que divide com a fascinante figura de Carmen. A artista – cujo nascimento completa cem anos hoje – conquistou seu biógrafo, que buscou no livro recuperar a importância de Carmen como intérprete – para muito além do caricatural chapéu de frutas. Ruy Castro concedeu a seguinte entrevista por e-mail.

Confira na página central do Guia Hagah a programação especial de TV em homenagem a Carmen Miranda

Zero Hora – O senhor aborda em 'Carmen: Uma biografia' as origens do famoso episódio no qual a cantora retornou dos Estados Unidos e foi acusada de “americanizada” por suas interpretações em inglês e sua ligação com o cinema americano. Qual foi, de verdade, a reação do público ouvinte de Carmen e quais foram as fontes desse boato? Foi algo restrito a um círculo ou era uma desaprovação generalizada?

Ruy Castro – O verdadeiro público da Carmen nunca a chamou de “americanizada” nem isso era um pecado na época – em 1940, os EUA eram os heróis do mundo. Quem não gostou de ouvi-la falando “Hello, people!” foi a plateia do Cassino da Urca naquela noite em que Carmen tinha aceitado dar um show beneficente a pedido da primeira-dama, dona Darcy Vargas. Essa plateia era formada pelos membros da ditadura Getulio Vargas, totalmente simpática ao nazismo naquele tempo: os ministros, os militares, os empresários alemães e seus sócios brasileiros. Dois meses depois, Carmen voltou à Urca para o seu verdadeiro público e saiu consagrada.

ZH – Até se tornar a Carmen Miranda famosa pelo cinema, Carmen era a voz da música popular brasileira. Não é irônico que hoje sua imagem, a imagem do estereótipo que precisou assumir no cinema estrangeiro, tenha se tornado um ícone visual que por vezes sobrepuja a voz da Carmen intérprete?

Castro – É, é uma pena. Mas quem consegue não ser massacrado por Hollywood? Que os fãs europeus de Carmen se interessem mais pela artista internacional que ela se tornou, é até compreensível – mesmo porque eles não entendem o que ela canta em português. Mas é uma vergonha que nós, podendo ter acesso às maravilhas que ela gravou no Brasil, ainda a confundamos apenas com a comediante de Hollywood.

ZH – O senhor poderia falar um pouco da gênese da biografia de Carmen? Como o senhor a escolheu como personagem? Já havia pensado em retratá-la antes (em um projeto como Saudades do Século 20) ou houve algum episódio definidor que o fez se decidir pela cantora?

Castro – Estava tomando banho e, de repente, me deu um estalo: Carmen Miranda! Isso foi em fins de 2000. Pensei nela e em toda a minha convivência com seus discos, com sua imagem e com o amor que meus pais tinham por ela. Veio tudo de uma vez. Combinado com o pouco que eu sabia a seu respeito – mas sabia que havia uma história de sucesso arrebatador e também muito sofrimento –, e, na mesma hora, decidi que ela seria minha biografada.

ZH – É possível dizer que a carreira de Carmen e de outros artistas, como Mário Reis, se tornou possível também graças à tecnologia, ao advento da gravação elétrica que possibilitou a cantores gravarem discos sem necessidade da voz operística de um Vicente Celestino ou Francisco Alves?

Castro – Sim. O microfone elétrico ajudou a que cantoras como Carmen pudessem trabalhar. Mas é preciso saber que, sem passar vergonha nenhuma, muitas vezes ela cantou em teatros e cinemas sem microfone, e que eram feitos com acústica especial.

ZH – Ainda no campo da tecnologia, nesta era da música digital compartilhada pela rede, o senhor acredita que este seja um bom momento para facilitar uma redescoberta de Carmen por um público que dela só tem a imagem e não conhece sua importância como artista e intérprete?

Castro – Sim. Toda a discografia dela está disponível no site (www.carmenmiranda.com.br). Só não acessa – e fica maravilhado – quem não quiser.

Carlos André Moreira


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Sobre o autor:

CASTRO, RUY
Ruy Castro (1948) é autor de ‘Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha’ (1995), ‘O Anjo Pornográfico - A vida de Nelson Rodrigues’(1992), ‘Chega de saudade - A história e as histórias da Bossa Nova’ (1990), ‘Saudades do século 20’ e de três antologias de frases venenosas e engraçadas - ‘O melhor do mau humor’, ‘O amor de mau humor’ e ‘O poder de mau humor’. Seus livros ‘Chega de saudade’, ‘O anjo pornográfico’, ‘Estrela solitária’ e ‘Ela é carioca’ (1999) ajudaram a redefinir gêneros como a biografia e o levantamento histórico de um lugar ou época. Outros, como ‘A onda que se ergueu no mar’ (2001) e ‘Carnaval no fogo’ (2003), caminham pela fronteira entre a crônica, com todas as liberdades que ela permite, e o ensaio, muito mais rigoroso. Para o público jovem, Ruy escreveu o romance ‘Bilac vê estrelas’ (2000) e a novela ‘O pai que era mãe’ (2001). É também autor de ‘Saudades do século 20’ (1994), sobre treze das figuras mais amadas do show business da época. Todos pela Companhia das Letras. Em outras editoras, publicou ‘Amestrando orgasmos’ (objetiva, 2004), de crônicas de humor, e ‘Flamengo’ (ediouro, 2004), uma história do seu clube de coração. Também traduziu e adaptou os clássicos de ‘Frankenstein’, de Mary Shelley, e ‘Alice no país das maravilhas’, de Lewis Carroll. Além disso, é jornalista com vasta passagem pela imprensa carioca e paulistana.


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