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Ficha Técnica Saiu na ImprensaSobre o Autor

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Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2006

308 pág.
Sinopse

'As religiões no Rio' é uma compilação de reportagens publicadas na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, entre janeiro e março de 1904. O autor - um jovem jornalista chamado João Paulo Coelho Barreto, que acabara de adotar o pseudônimo de João do Rio e que em breve se tornaria um dos mais famosos escritores do país. A obra integra a coleção Sabor Literário - cujo ícone é um cerejinha, o toque especial -, que apresenta aos leitores textos inéditos ou pouco conhecidos de grandes escritores. O Rio, como todas as cidades nestes tempos de irreverência, tem em cada rua um templo e em cada homem uma crença diversa. João do Rio investiga e cataloga maronitas, presbiterianos, metodistas, batistas, adventistas, israelitas, espíritas, cartomantes e até um frei exorcista do morro do Castelo (que, curiosamente, é a única presença católica em toda a obra). Os capítulos mais importantes, no entanto, são os cinco em que o autor estuda os cultos afro-brasileiros - enquadrados até os anos 1930 como infração da lei, sendo inclusive perseguidos pela polícia. Esta edição, comemorativa do centenário de sua publicação, conta com um meticuloso cotejamento entre a primeira edição e os artigos da Gazeta que a originaram.
Saiu na Imprensa:

Jornal do Brasil  /   Data: 21/10/2006
A atualidade de João do Rio em dois livros

Alvaro Costa e Silva

Carlos Drummond de Andrade, em crônica publicada no Jornal do Brasil em 1981, queixava-se do esquecimento a que fora relegado João do Rio, chamando a atenção para suas qualidades: "É, fundamentalmente, escritor-jornalista, mais do que jornalista-escritor, e, recorrendo à estilização do fato, apresentava flagrantes que oscilam entre a reportagem e o conto". Hoje, passados 25 anos do puxão de orelhas de Drummond, a situação é outra. Como reflexo da valorização que o estudo da história do Rio recebeu nas últimas duas dé­cadas - com o aparecimento de novos livros e a republicação de antigos - a obra de João do Rio vive um momento de in­tensa discussão. Seus livros, que antes eram peças de cole­cionador, voltaram às livrarias.

Dois bons exemplos são As religiões do Rio e Vida vertigi­nosa. O primeiro estava fora de catálogo há 30 anos e reapare­ce na coleção Sabor Literário, da José Olympio. O segundo, publicado pela primeira vez em 1911, no apogeu da carreira de João do Rio, é considerado um de seus melhores livros.

Aos 25 anos, João Paulo Coelho Barreto já adotara o pseudônimo João do Rio, quan­do escreveu para a Gazeta de Notícias a série de reportagens intituladas 'As religiões do Rio', que logo apareceram em volu­me da editora de Garnier, em 1904. O livro se tornou um best-seller da época, tirando edições que totalizaram 10 mil exemplares.

O material recolhido é bastante informativo e abrange maronistas, presbiterianos, metodistas, batistas, adventistas, israelitas, espíritas, cartomantes e até um frei exorcista que exercia o ofício no Morro do Castelo. Revestem-se de importância maior, como do­cumento, as cinco matérias pioneiras sobre os cultos afro-brasileiros, que mostraram a iniciação de uma iaô, a hierarquia do candomblé e a presença dos malês (muçulmanos negros). Do ponto de vista literário, é impressionante a descrição de uma missa negra: "O homem desceu os três degraus, os sacristãos surgiram com turíbulos enormes, e ele, despregando a casula, surgiu inteiramente nú, com o cava­nhaque revirado, a mão na an­ca, cruel como o próprio Rebel­de. As mulheres arrancaram as roupas, rasgaram-se enquanto seu dorso reluzente e suado curvava-se diante dos incensos. Com uma voz de metal bradou: 'Satã! Não vês na cruz o larápio que roubou a tua lábia e o teu saber?' ".

Segundo o jornalista e pes­quisador João Carlos Rodri­gues, que escreveu uma biografia de João do Rio e é res­ponsável pela reedição de 'Vida vertiginosa', o que mais salta aos olhos neste livro é "a atua­lidade de sua temática, quase um século depois de sua publi­cação". De fato, parece-nos es­tar lendo um jornal sobre o Rio de hoje, com temas como favela, automóvel, jogo do bicho, samba, pedofilia, prostituição. Inclusive a praga do culto às celebridades não escapa à pena do cronista, no texto "O muro da vida privada". Vale lembrar que o autor, por conta de seu homossexualismo, foi vítima de maledicências e piadas de botequim.

O estilo do cronista - re­cheado de neologismos, gali­cismos, anglicismos, lusitanis­mos e coloquialismo - está em sua melhor expressão, assim como outras das característi­cas de sua prosa apontadas por João Carlos Rodrigues, "o paradoxo, a contradição, a atração pelo repulsivo, o bizarro, o inu­sitado, o diferente". Uma lin­guagem de transição, como a da própria época retratada.

Rodrigues, no entanto, le­vado, talvez, pela empolgação, comete alguns exageros. Afir­ma, a certa altura de introdu­ção, que a crônica carioca pre­cisou aguardar Nelson Rodri­gues e José Carlos Oliveira pa­ra ver surgir um nome à altura de João do Rio. Ora, na mesma época deste, estava em atividade Lima Barreto, e contemporâneos daqueles que foram Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Elsie Lessa. Todos grandes.


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Sobre o autor:

RIO, JOAO DO
João Paulo Coelho Barreto, jornalista e cronista, nasceu no Rio de Janeiro em agosto de 1881. Começou no jornalismo aos 16 anos e, aos 18, chegou à redação do jornal Cidade do Rio. Na década de 1920, fundou 'A Pátria e o vespertino Rio Jornal'. Nas redações pelas quais passou, além de João do Rio, usou os pseudônimos Claude, Caran d’ache, Joe, José Antônio José e Godofredo de Alencar. Percorria a cidade em busca de material para suas histórias, fossem reportagem, contos ou crônicas – o que à época ainda se confundia. Assim, sagrou-se como flâneur. Suas influências literárias foram Oscar Wilde, Eça de Queiroz e Charles Baudelaire. Em 1908, escreve 'A alma encantadora das ruas', uma de suas obras mais celebradas. Em 1910, entrou para a Academia Brasileira de Letras. João do Rio faleceu aos 39 anos, em junho de 1921. A José Olympio lançou recentemente 'João do Rio – Uma antologia', organizada por Luís Martins (autor de 'Lapa' e 'Noturno da Lapa').


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