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Autor: JABOR, ARNALDO
Editora: OBJETIVA
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - CONTOS E CRÔNICAS

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2006

236 pág.
Sinopse

Neste livro, Arnaldo Jabor apresenta uma coletânea de crônicas em que temas públicos misturam-se ao universo de nossas fixações interiores. Política, sexualidade, miséria, arte, memória, medo - ao usar o cotidiano como matéria-prima de seus textos, Jabor associa fato e ficção mostrando paixões e taras que talvez preferíssemos ocultar.
Opinião do Leitor:

MArcel Souza  /  Data:  16/8/2009
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EXCELENTE
Bom, qualquer obra que tenha que falar de Jabour, acho que dispensa comentários, seu caráter crítico e debochado com aquele teor de intelectualidade não agrada a grande maioria das pessoas, mas para quem gosta de livros que salientam esse tipo de assunto, livros que gostam de ''cutucar'' os fatos vale a pena. Além de ser um livro extremamente inteligente, conta com generosas pitadas de humor e ironia.


Sérgio Clemente  /  Data:  1/1/2007
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Recordações do jornalista e escritor Arnaldo Jabor.
Arnaldo Jabor fala de uma planta da família das cactáceas: o mandacaru; comparando-o ao povo nordestino: essa planta de bracinhos curtos tem uma força interior; uma vontade de viver; assim como o retirante que resiste até o último momento; sem comida e ausência de àgua; assim como todo brasileiro que resiste a classe corrupta política; até o último momento; até que eles sejam presos ou, até que eles morram de velhice para que nós possamos nos esquecer deles. Fala também da reunião da União Nacional dos Estudantes UNE; que quase acabou em tragédia: porque a sede foi queimada por estudantes de direita. E do seu memorável encontro com Fidel Castro em Cuba.

Saiu na Imprensa:

Jornal do Brasil  /   Data: 30/9/2006
Entre a surra e o saco de bala
Crônicas reunidas de Arnaldo Jabor ajudam a suportar o cenário atual

Gustavo de Almeida

Joseph K., personagem de Franz Kafka em 'O processo', de­para-se com um grupo de crian­ças que fazia farra em um vão de escada. Contrariado por ter de mais uma vez se aventurar nas secretarias do tribunal, K dedica àquele grupo de crianças um único pensamento: "Da próxima vez, não sei se trago uma benga­la para surrá-las ou um saco de balas para engabelá-las".

Ao ler o novo livro de Ar­naldo Jabor, Pornopolítica, a sensação é de ouvir este pen­samento alto e com a alma re­juvenescida a ponto de brin­car com o futuro. Com suas crônicas, o jornalista nos aju­da a suportar o cenário atual, ora nos dando a leveza do en­godo, ora nos dando a crueza de uma surra.

Este é o sexto livro de Ja­bor. Certamente o tema política não é novidade em seu cardápio de assuntos. Não se pode defini-lo como um cro­nista "de centro". Oscilando entre a bengala que surra e as balas doces que engabelam (como quando o telefone toca e é Nelson Rodrigues cha­mando do além), Jabor cons­trói e desconstrói a realidade, mas com a simplicidade da­quele que não é historiador. E nem poderia, pois ao historia­dor não cabe a ironia.

Jabor se revela, mais que irônico, um cínico necessário ao se dirigir aos policiais que participaram da chacina da Baixada, ocorrida em março do ano passado: "Mas tam­bém há o prazer... sim, devo lhe dizer... matar ainda é a maior diversão", escreve ele, na voz do policial assassino - ­ironicamente parafraseando o jurássico slogan: Cinema é a maior diversão.

O agradável cinismo de Ja­bor possivelmente vem do fenômeno não identificado pelos psicólogos de consultório, mas já catalogado pelos de botequim: a falta de saco. Do mesmo jeito que já reve­lou a falta de saco para filmar - apesar de, muito de vez em quando, sentir vontade - ele mostra falta de saco para qua­se tudo em volta: Lula, Brasí­lia, casal Garotinho, carna­val...

­ Jabor mostra sua falta de saco até mesmo para a inter­net, e sua profusão de textos assinados por... Arnaldo Jabor. "A rede tem meu nome em artigos falando das mu­lheres de bundinha dura, tem uma defesa sensual da celuli­te, tem um famoso artigo meio veado falando da beleza dos gaúchos, saudado com vi­ril alegria por homenzarrões que me agarram na rua: Che, tua escritura estava macanu­da, trilegal!", escreve na crô­nica "A cornidão é um senti­ mento nacional".

O ranzinza e o melancólico se alternam nos escritos do cineasta. As lágrimas de uma caminhada pelas ruas sujas e maculadas de Copacabana pe­los olhos verde-e-rosa de um certo Anjenor (sic) dão lugar, de súbito, nas crônicas se­guintes, ao sarcasmo rodrigueano de quem diz que "a história é uma mentira" e o fim dela é outra "invenção da­quele japonês amigo do Pen­tágono" (referência ao cien­tista político Francis Fukuya­ma, que em 1989 previu o fim da história com a derrocada do socialismo europeu).

'Pornopolítica' é uma ótima e necessária viagem por uma me­sa de bar. E o melhor de tudo: entre as balas e as surras, o lei­tor fica mesmo é com as balas.


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Sobre o autor:

JABOR, ARNALDO
Arnaldo Jabor nasceu no Rio de Janeiro. Estudou Direito, foi crítico de teatro e cineasta. Dirigiu filmes que se tornaram referência no cinema nacional, como 'Tudo Bem', 'Toda Nudez será castigada', 'Eu sei que vou te amar' e 'Eu te amo'. Desde a década de 90 é colunista no Estadão e em O Globo. Também é comentarista do Jornal Nacional. Publicou quatro livros, entre eles, 'Sanduíches de Realidade' e a 'Invasão das Salsichas Gigantes', pela Objetiva, que tiveram expressivo desempenho comercial.


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