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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 16 x 23 cm
1ª Edição
- 2007
640 pág.
Autor de 'Entrevistas com Francis Bacon - A brutalidade dos fatos', David Sylvester, considerado o mais importante crítico britânico da segunda metade do século XX, apresenta neste livro ensaios produzidos ao longo de mais de meio século (1948-2002). 'Sobre arte moderna' faz um ataque frontal e objetivo à obra de arte, pensando-a a partir de seus predicados, sem descuidar do modo como ela se atrela ao contexto de sua produção e da própria história da arte. O livro elucida, em dez capítulos e dois pós-escritos, não só o desenvolvimento da arte no período do pós-guerra, mas também o vaivém entre os pólos artísticos europeus - Paris, Viena e Londres e, nos Estados Unidos, Nova York e seu expressionismo abstrato. Destacam-se os capítulos 'A arte ulterior' e 'Arte da cultura Coca-Cola' por serem textos-manifesto. Um ensaio sobre Giotto, precedido por outro a respeito de Richard Serra, encerra o volume mostrando a amplitude dos interesses do autor, bem como a noção de moderno da qual ele faz uso.
Saiu na Imprensa:
O Estado de S. Paulo /
Data: 31/3/2007 O crítico que andava na contramão
Coletânea reúne os textos principais do inglês David Sylvester, o homem que descobriu Francis Bacon e Lucian Freud
Antonio Gonçalves Filho
O inglês David Sylvester (1924-2001) foi um crítico singular. Secretário do escultor Henry Moore durante os anos 1950, eles conversavam tanto sobre arte que Sylvester decidiu escrever para publicações importantes como The Observer e New Statesman em vez de ficar discutindo com o amigo os rumos da arte de seu tempo. Essa militância de meio século rendeu um bocado para a história. Os pintores Francis Bacon e Lucian Freud devem a ele sua fama. Também a arte pop inglesa, em especial o pioneiro Richard Hamilton, tem uma dívida enorme com Sylvester, de quem a editora Cosac Naify lança a sólida compilação Sobre Arte Moderna (616 págs.), que reúne os melhores ensaios publicados pelo autor entre 1948 e 1998, além de cinco textos concluídos em seu último ano de vida.
Crítico respeitado, Sylvester foi também curador (entre as exposições mais significativas estão as retrospectivas de Renoir na Hayward Gallery, em 1969, e a de Francis Bacon na Bienal de Veneza de 1993, que lhe garantiu o Leão de Ouro, único crítico a receber a honraria na mostra italiana). Dele, a mesma editora Cosac Naify publicou há dez anos o livro Entrevistas com Francis Bacon: A Brutalidade do Fato (que será relançado ainda este ano). Bacon foi uma pedra no sapato do crítico. Em 1958, seu contato com a pintura do homem não era exatamente harmonioso. Essa parecia 'tão deploravelmente ruim', caricatural e monstruosa que, ao longo de vários anos, Sylvester preferiu manter silêncio sobre ela. Isso após ter escrito, em 1954, um texto fundamental (no livro) sobre Bacon, em que destaca seu diálogo com a pintura de Rembrandt - e não de Velázquez, como insistem todos os outros críticos.
Sylvester, aliás, sempre andou na contramão. Odiava o pedantismo dos críticos. Autodidata, foi expulso da escola ainda jovem, mas não perdeu tempo. Viajou para Paris, onde conheceu Giacometti, em 1947, e passou a freqüentar todas as retrospectivas, duas delas marcantes em sua formação, as de Bonnard (Museu da Orangerie, 1947) e Paul Klee (Museu de Arte Moderna de Paris,1948). Ver uma pintura de Klee, para ele, equivalia a pisar numa pedra solta. Sylvester perdia o chão com a profusão de signos multievocativos do pintor, deslumbrado com seu vocabulário pictórico, tão além de seu tempo que antecipou Pollock. Mas Sylvester só percebeu isso em 1958, quando inseriu num texto dedicado ao americano observações sobre Klee publicadas dez anos antes.
O crítico não tinha o menor constrangimento em confessar esse tipo de expediente ou promover uma revisão radical em algum texto que considerasse incompleto ou injusto contra algum desafeto. Modestamente, ele diz que falhou ao escrever sobre os artistas que mais admirava. Assim, o livro é montado (com coordenação da crítica Sônia Salzstein) como se fosse uma retrospectiva, procurando estabelecer relações analógicas entre os artistas (Cézanne aparece na maioria dos textos, perdendo apenas para Picasso em número de citações). De todos eles, com a possível exceção de Francis Bacon, o que sempre esteve mais próximo dele foi Giacometti (que assinou um retrato do crítico em 1960). Quando os dois se conheceram, a arte abstrata dominava o mundo e nada indicava que os artistas figurativos teriam ainda alguma chance de sobreviver. Contra a corrente, Sylvester apostou nele e em Francis Bacon, certo de que essa linguagem ainda não estava esgotada.
A postura do crítico faz toda a diferença. Ele não dedicou seu tempo apenas ao que gostava. Exemplo foi o exaustivo trabalho sobre a obra de Magritte (ele publicou seu catalogue raisonné em 1969). Sylvester concluiu que desperdiçou anos de sua vida com alguém que não era seu tipo. Magritte foi, segundo ele, um artista popular com fantasias prosaicas. Mas defendeu-o até a morte.
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