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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 14 x 21 cm
1ª Edição
- 2007
As memórias de um jornalista mochileiro no melhor estilo bibliomania. Uma aventura literária na Paris da virada do milênio. Mais do que a fascinante história da livraria mais charmosa do mundo, a Shakespeare and Company, este livro conta, com um humor impagável, o dia-a-dia de seus personagens e a boemia cultural nas ruas. Com pouco dinheiro no bolso, Jeremy Mercer partiu para a França. Um dia aceitou o convite de uma balconista da Shakespeare and Company para uma xícara de chá. Descobriu que poderia dormir e viver na livraria em troca de prestar serviços diários no local. Fazia parte do trabalho ler pelo menos um livro por dia.
Opinião do Leitor:
Gisele / Data: 6/7/2009 Conceito do leitor: | (opine)
Doce utopia
Um livro leve, doce que tem uma certa dose de utopia e de tempos que não vemos mais, que não parecem reais, como conversas à beira do Sena, noites ao luar regadas a vinho e muita leitura, além de uma falta de dinheiro e condições básicas de vida. Ainda assim um relato doce e uma vida calma e tensa em meio a livros.
Daniel Perin / Data: 14/9/2008 Conceito do leitor: | (opine)
Simplesmente fantástico
Esse livro nos remete à Cidade Luz e mostra como o acaso pode influenciar a vida de uma pessoa. Livro altamente recomendável, de leitura fácil e rápida.
Livros e aventuras
Um livro leve, gostoso de ler, que faz com que nos sintamos ''amigos'' do autor, como se estivéssemos conversando com ele sobre viagens e aventuras. Sensível e elegante, surpreende por se tratar de reflexões de um jovem de vinte e poucos anos. Recomendo este livro e acho que todos que o lerem ficarão com vontade conhecer a livraria Shakespeare and Company!
Jornal do Brasil /
Data: 18/8/2007 Clássicos literários, percevejos e pães mofados em Paris
Canadense narra os seus dias na Shakespeare and Company
Vivian Rangel
"Seja gentil com estranhos, pois eles podem ser anjos disfarçados". Foi com este conselho que o livreiro George Whitman recebeu o canadense Jeremy Mercer
para o tradicional chá dos domingos na Shakespeare and Company e ofereceu-lhe uma cama entre as estantes repletas. Eram duas as condições: ler um livro por dia e ajudar nas tarefas da livraria. Mercer, que não tinha dinheiro nem rumo, não titubeou, mudou-se para o colchonete infestado de percevejos e encarou a rotina de falta de banho e escassez de comida. A trajetória é narrada no misto de diário, romance e reportagem Um livro por dia, recém-traduzido (por Alexandre Martins) no Brasil.
Antes de chegar a Paris, o repórter de polícia canadense sequer havia ouvido falar da livraria, herdeira ideológica do histórico ponto fundado por Sylvia Beach na década de 20. Americana de Nova Jersey, Sylvia abriu as portas em 1919 e inaugurou uma espécie de bunker da inteIligentsia. Ezra Pound, Gertrude Stein, Scott Fitzgerald e Simone de Beavoir foram alguns dos associados. Foi Sylvia quem enfrentou a censura e publicou 'Ulisses' , de James Joyce. Ernest Hemingway - que dedica algumas páginas de 'Paris é uma festa' à livraria - foi ainda responsável por reabri-la no fim da Guerra, chegando em uma caravana de jipes e gritando o nome de Sylvia antes de retirar os últimos alemães de cima do telhado.
As memórias e o acervo de Sylvia foram herdados por George Whibnan - livreiro americano que não tem qualquer parentesco com o poeta mas que já tirou várias fotos como neto de Walt. Seguindo o ideal marxista e o impulso bibliófilo, expandiu a livraria em três andares, todos com camas para acomodar poetas, escritores e escapistas interessados em "respirar o ar denso de sonhos da capital francesa". Como os beatniks William Burroughs, Allen Ginsberg e George Corso - este ladrão de vários exemplares, sustento de outros vícios. E também Samuel Beckett, Henry Miller e Anäis Nin - de quem, aliás, George foi mais do que amigo. O livreiro não negava abrigo a quem compartilhasse de suas paixões literárias. E suportasse as condições da livraria.
Poeira, pães mofados, ausência de chuveiros e as mudanças de humor de George foram alguns dos obstáculos enfrentados por Mercer; que usou o diário do período morando na livraria como bloco de anotações para iniciar seu livro.
- A livraria tem uma atmosfera caótica, algo de albergue espanhol, exótico e excitante, embora nem sempre um ambiente criativo - pondera Mercer. - Mas a Shakespeare and Company de hoje é muito mais acessível do que a original, não importa se você é apenas um turista ou tem reais ambições como escritor.
Repórter de polícia numa pacata cidade canadense, Mercer revelou nomes de uma fonte criminosa em um de seus livros de reportagem. Praticamente fugiu do país sob ameaça de retaliação. Paris foi o destino, supostamente escolhido porque lá poderia completar os créditos que faltavam para receber o diploma de jornalista. Sem dinheiro e vagando pela cidade, num dia de chuva adentrou a Shakespeare and Company e começou a ler.
- O melhor livro que descobri por lá foi 'O céu que nos protege', de Paul Bowles - elege Mercer. - Citaria outros como 'A trilogia de Nova York', de Paul Auster, e 'Viagem ao fim da noite', de Céline. Ler é um exercício. Agora, por exemplo, estou lendo 'Moby Dick', mas só consigo ler 50 páginas por dia. Se estivesse na Shakespeare and Company terminaria em dois dias.
De forma leve e divertida, Mercer intercala sua rotina na livraria em 2001- que garante ser a versão fiel dos fatos - com dados da história da livraria e da vida pessoal de George. Por vezes o relato perde o rumo na tentativa de emular a vida errante dos beatniks em contraste com a mentalidade classe-média de Mercer. Ou no grand finale, quando o repórter heroicamente garante a permanência da livraria.
Com o sucesso do livro - como relata Mercer em seu blog, 23 livrarias visitadas em 44 dias na época do lançamento - ele abandonou o jornalismo e finaliza 'When the guil1otine fell' , sobre o último homem a perder a cabeça na França, um libelo contra a pena de morte. A Shakespeare and Company é atualmente dirigida por Sylvia - filha de Whitman batizada em homenagem à criadora da livraria - e, embora seja mais seletiva ao receber os hóspedes, mantém os rituais de leitura obrigatória e o chá aos domingos.
O lado jornalista de Mercer só volta a pulsar quando perguntam se ele pretende escrever novamente sobre a livraria.
- Alguns críticos me julgaram ingênuo, o que de fato eu era ao chegar a Paris - admite. - Espero que, um dia, alguém faça uma biografia definitiva da Shakespeare and Company, pois não sou a pessoa adequada. Afeiçoei-me a George, minha vida foi transformada pela livraria e não poderia escrever algo tão objetivo.
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