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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 21 x 14 cm
- Peso 0,395 Kg
1ª Edição
- 2008
312 pág.
Este livro apresenta uma pequena amostra da arte de escrever obituários. 'O Livro das Vidas' reúne uma seleção de textos publicados na seção de obituários do New York Times, com ênfase nas histórias de pessoas comuns, cujas vidas ganham outra dimensão ao serem descritas com o olhar dos repórteres do diário americano. Para além dos 'mortos ilustres', esta coletânea mostra como a seção de obituários pode alcançar grandes momentos ao descrever, com humor, ironia e notável poder de síntese, histórias de pessoas que dificilmente freqüentariam as páginas dos jornais.
Opinião do Leitor:
Marilda Mattos / Data: 10/6/2008 Conceito do leitor: | (opine)
Você já pensou o que será escrito em seu obituário?
Minha avó costumava ler o jornal (zero hora)a partir da página do obituário. Ela dizia que era estranho ter sua vida, 80, 30, ou 15 anos , resumida em poucas linhas. Quem escreve deve ser um poeta! Neste livro vemos que é preciso ser um jornalista-poeta sim, mas é preciso que o ''Ser Vivo'' ajude o poeta honrando a Luz que recebeu e a oportunidade de estar neste mundo. Muito bom o livro, leia e viva para que sua vida vire um poema.
fabio de sousa coutinho / Data: 5/2/2008 Conceito do leitor: | (opine)
Novidade estrangeira em ano brasileiro
Num ano em que vamos estar focados, com justiça, nos 100 anos da morte de Machado de Assis, no centenário de nascimento de Guimarães Rosa, nos 90 anos do grande Antonio Candido, nos 60 anos da morte de Monteiro Lobato e nos 40 da de Manuel Bandeira, somos brindados com esta verdadeira pérola que é O LIVRO DAS VIDAS-OBITUÁRIOS DO NYT. São textos preciosos, que honrariam qualquer dos imensos escritores brasileiros antes citados, mas que surgiram, tao-somente(?), das penas de redatores do NYT. É por essas e outras que se trata, consagradamente, do melhor jornal do mundo, uma publicação em que o excelente jornalismo e a boa literatura se confundem e nos são oferecidos diariamente, como os também indispensáveis café, pão, arroz e feijão.
Saiu na Imprensa:
Zero Hora /
Data: 16/2/2008 Páginas da morte
MÁRCIO PINHEIRO
Como não consegue explicar o absurdo da morte, o obituário faz com que a vida seja consagrada. Ainda que de maneira condensada e resumida, todo necrológio é uma exaltação, não necessariamente pelos elogios - às vezes exagerados - que carrega, mas pela capacidade de tentar buscar um sentido em tudo o que foi vivido. O New York Times levou este ensinamento ao ponto mais alto, fazendo da sua página de obituários um sinônimo do jornalismo de qualidade. Exemplo disso está em O Livro das Vidas (Companhia das Letras, 312 páginas), antologia organizada por Matinas Suzuki Jr. que reúne obituários publicados pelo jornal.
O livro surge da junção de duas outras coletâneas publicadas nos Estados Unidos. A primeira, de 1997, é The Last Word: The New York Times Book of Obituaries and Farewells, organizado por Marvin Siegel, editor de obituários do jornal naquele período. A outra, mais recente, é 52 McGs: The Best Obituaries from legendary New York Times writer Robert McG. Thomas Jr., reunindo textos do mais destacado fazedor de obituários. O que O Livro das Vidas ressalta são textos curtos, mas não superficiais, emotivos, mas sem escorregar para a pieguice, enfim, relatos escritos na medida certa, respeitando o rigor jornalístico, mas sem perder a ternura.
Como a seção está entre as mais lidas em muitos jornais e quase sempre trabalha com o imponderável - a pauta de Deus, como explica Matinas no posfácio, repetindo um conceito criado por Richard Pearson, do Washington Post - , cabe ao obituarista mesclar doses exatas de sensibilidade e objetividade. Síntese é a palavra-chave. A partir daí, os obituários do NYT seguem um padrão rígido, fazendo com que todos os necrológios comecem de maneira parecida, identificando o morto, dando sua idade e a causa da morte (confirmada por alguém próximo e que é citado como fonte). Tudo isso em, no máximo, dois parágrafos. Suicidas não entram, bem como eufemismos como "passou desta para melhor", "nos deixou". A morte é tratada com solenidade e com o máximo de praticidade. Por isso, o NYT - como tantos outros jornais do mundo - tem uma "gaveta" com possíveis obituários já engatilhados. Prática comum nas redações, a "gaveta" do NYT chama a atenção por outros dois motivos: a quantidade (hoje estima-se em mais de 2 mil necrológios semiprontos) e os detalhes, já que muitos textos foram enriquecidos pelos depoimentos das próprias pessoas que um dia farão parte da página de obituários.
Os personagens apresentados em O Livro das Vidas não são facilmente reconhecíveis - e isso valoriza ainda mais a leitura. Bill McDonald, atual editor do NYT, ensina que os melhores obituários são aqueles que nos falam de pessoas sobre as quais nós nunca tínhamos ouvido falar e nos deixam chateados por não termos tido a chance de conhecê-las. Uma das regras do NYT é que o obituário de um cineasta sai na seção de cinema, de um compositor na de música: assim, a página de necrológios contempla mortos que, no máximo, alcançaram uma microfama. Figuras como o "Calvin Klein do espaço", Russel Colley, "estilista frustrado de moda feminina que aproveitou sua carreira alternativa de engenheiro para se tornar o pai dos trajes espaciais". E até um dos anônimos mais famosos de todos os tempos: Nguyen Ngoc Loan, comandante da polícia nacional do Vietnã do Sul cuja execução improvisada de um prisioneiro vietcongue numa rua de Saigon, durante a ofensiva do Tet, em 1º de fevereiro de 1968, ajudou a inflamar a opinião pública americana contra a guerra. Ngoc Loan morreu em julho de 1998, aos 67 anos, e era dono de uma pizzaria em Virginia, nos EUA.
O Livro das Vidas é ainda um painel da vida americana do século 20. Estão lá detalhes sobre o crescimento urbano, a II Guerra Mundial, a literatura beat, o surgimento dos computadores, a Aids e as já citadas corrida espacial e guerra do Vietnã.
Matinas lembra também que Alden Whitman, o "pai do obituário moderno na imprensa americana", editor que revolucionou a seção de obituários do NYT quando para lá foi em 1964, dizia que "um bom obituário não é uma biografia". Para ele ,o necrológio era "um instantâneo do sujeito". Uma polaróide de uma vida.
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