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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 16,5 x 24,5 cm
1ª Edição
- 2008
88 pág.
Se em 'Persépolis', Marjane Satrapi empreendeu um relato autobiográfico, em 'Frango com ameixas' não é sua própria vida que está em foco, mas a de seu tio. Artista como ela, Nasser Ali começa a narrativa com uma tragédia pessoal - durante uma briga, sua mulher destrói o antigo e precioso tar (um instrumento de cordas da tradição persa) que o celebrizara como um dos maiores músicos do país. Nasser Ali sai em busca de um novo instrumento, mas parece impossível encontrar um que tenha o som tão perfeito como o que ele herdara na juventude, durante seus anos de formação. A procura pelo tar o leva a conflitos com a família, os amigos e sua própria identidade de artista - é como se ela tivesse se rompido junto com o instrumento. Começam a vir à tona, então, as escolhas que ele poderia ter feito e as conseqüências das opções que fez, como a de se casar com a mulher que viria a destruir o seu maior bem. O que pode parecer uma história bastante específica se mostra universal. Sobreposta à biografia de Marjane - uma artista que só encontrou seu meio de expressão ao enfrentar os conflitos políticos e culturais de seu país -, a história pode ser lida como um manifesto pela liberdade de criação artística e pela arte como sinônimo máximo da individualidade. O tom predominante, marcadamente triste, não impede que o humor se infiltre.
Saiu na Imprensa:
Jornal do Commercio (PE) /
Data: 2/6/2008 Memória partida e reconstruída de Marjane
Existem alguns motivos que fazem de Marjane Satrapi ser hoje reconhecida como uma honorável contadora de histórias que, por um acaso, são as suas próprias. Mas de todos os seus méritos, certamente aquele que a distingue da maioria de autobiógrafos é uma aguçada percepção do outro e do eu. Porque quando o foco de sua obra está em você e naqueles que te cercam, o apuro do olhar de dentro e de fora faz toda diferença na distinção entre obras-primas e obras...digamos assim, esforçadas. "Frango com ameixas", a nova publicação de Marjane que chega ao Brasil pela Companhia das Letras, é um livrinho fininho de 88 páginas que você pode até mastigar rápido, mas que certamente te deixa um gosto (entre o agridoce e o amargo) por um tempo que dura o quanto você for capaz de perceber a familiaridade das encruzilhadas entre o que é externo e interno na formação do caráter de cada um.
Aqui, Marjane retoma as pequenas odisséias de sua família para contar a história de Nasser Ali Khan, um tio-avô que ela não conheceu, porém de quem muito ouviu falar. Afinal de contas, Nasser foi um músico nacionalmente reconhecido, mestre na arte de tocar o tar, popular no repertório instrumental iraniano. E é o tar que dá início a essa história.
Depois de uma briga com a mulher, Nasser vê seu tar quebrado pela esposa a quem ele, descobrimos adiante, nunca amou. Rompe-se então o curso de sua vida. Sem sua música, Nasser quer morrer. Mas nada é tão simples assim. A música, assim como todas as expressões da arte, é um subterfúgio para um sentimento tão mais abstrato quanto doloroso: o amor. A morte do tar é a morte de uma memória. E sem esta descobrimos que Nasser não pode viver.
Com a saga de Persépolis, que começou a ser publicada na França em 2000, Marjane ganhou reconhecimento internacional dos dois mais antigos panteões das artes: a gravura e a literatura. Suas obras são muito bem cotadas em ambos os campos e, claro, têm total devoção de uma outra arte que cruza os dois meios já citados: as histórias em quadrinhos. "Frango com ameixas" é uma obra-prima dessa rica arte sincronizada. Resta agora esperar que a Companhia das Letras publique Embroideries, possivelmente a mais feminina de todas as suas obras e uma das mais emotivas.
Sobre o autor:
SATRAPI, MARJANE Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969. Aos dez anos de idade, assistiu à Revolução Islâmica, que conduziu os radicais ao poder e mergulhou o país num longo período de intolerância. 'Persépolis' teve os direitos de publicação vendidos para quase vinte países, tornou-se um best-seller na Europa e nos Estados Unidos, e ganhou o prêmio de melhor história em quadrinhos da Feira de Frankfurt de 2004. A Cia. das Letras já publicou os dois primeiros volumes da série, e publicará 'Persépolis 4' ainda em 2006.
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