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Historia Da Humanidade Contada Pelos Virus, A

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Autor: UJVARI, STEFAN CUNHA
Editora: CONTEXTO
Assunto: HISTÓRIA

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do Leitor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
 - 23 x 16 cm  - Peso 0,320 Kg 1ª Edição - 2008

208 pág.
Sinopse

Malária, sífilis, tuberculose, ebola, gripe, aids, sarampo e outros males que atacam a humanidade revelam muito mais da história do que se imagina. Os passos do homem ao longo das épocas, a convivência com diversos animais, o encontro com outros seres humanos tudo isso pode ser desvendado com o estudo microscópico de vírus, bactérias e parasitas que cruzaram - e cruzam - seu caminho. Este livro, escrito por um médico infectologista, traz a genética para a área das ciências do homem.
Opinião do Leitor:

Sonielson Luciano de Sousa  /  Data:  24/1/2009
Conceito do leitor:  Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)

As várias facetas da vida
Ao ler ''A História da Humanidade contada pelos vírus'' me deparei com um impressionante relato, calcado em explícitos exemplos científicos, de que até onde imaginamos que haja apenas a morte - como as provocadas pelos vírus, bactérias e parasitas em geral - na verdade se esconde uma outra faceta da vida, relacionada a estes microscópicos seres que, em muito, pelas suas ações, se assemelham aos seres humanos. É um livro pertubardor, mas igualmente fantástico.

Saiu na Imprensa:

O Globo  /   Data: 6/12/2008
Vírus mudam o mundo

Maioria das doenças hoje comuns no Brasil, como a gripe, é estrangeira

Roberta Jansen

A grande maioria das doenças que hoje são comuns no Brasil veio de outros países. Elas foram trazidas por viajantes enfermos que por aqui aportaram em diferentes épocas, alterando a história do país desde a sua descoberta. É o que revela o infectologista Stefan Cunha Ujvari, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, em seu novo livro A História da Humanidade contada pelos vírus (Editora Contexto). Da gripe à Aids, passando por sarampo, varíola, cólera, febre amarela e até a malária, todas foram importadas e acabaram se estabelecendo por aqui.

A vulnerabilidade do país à entrada de doenças é tão antiga quanto o seu próprio surgimento e bastante comum, como mostrou o recente episódio do sul-africano que morreu numa clínica carioca vítima de uma febre hemorrágica de origem ainda desconhecida. Não que todas as doenças que entrem cheguem para ficar. Esse não parece ser o caso da enfermidade que matou William Charles Erasmus na última terça-feira, que se configura como um caso isolado. Mas, ao longo da História, muitas se estabeleceram.

— As primeiras doenças que chegaram aqui com a descoberta das Américas pelos europeus foram a varíola e o sarampo, que se espalharam entre os índios — contou Ujvari.

Novas tecnologias de obtenção de DNA antigo estão ajudando os cientistas a rastrearem as origens específicas das doenças, num trabalho que cada vez mais se junta ao de arqueólogos e lingüistas na reconstrução do passado.

— O estudo do material genético mostra que essas duas doenças (varíola e sarampo) surgiram a partir da domesticação dos animais, ou seja, de dez mil anos para cá — revela o infectologista. — O vírus da varíola, por exemplo, é bem semelhante a vírus encontrados no camelo e no gerbo, um roedor da Ásia.

Peste negra chegou com viajantes

Uma hipótese é que, com a domesticação do camelo, o vírus tenha saltado para o homem, originando um outro vírus. A outra, é que o homem já se encontrava assentado, atraindo roedores que teriam lhe passado o vírus.

Já o sarampo tem sua origem no gado, que costuma sofrer de peste bovina, causada por um vírus semelhante. Acredita-se que, quando o homem começou a domesticar o boi, também na Ásia, ele acabou sendo infectado pelo vírus que, ao longo do tempo, acabou se transformando no atual vírus do sarampo. Tanto a varíola quanto o sarampo foram levadas para a Europa na época do Império Romano. Aportaram por aqui junto com as caravelas dos descobridores. A gripe e a peste negra também chegaram ao Brasil de carona com viajantes. A origem da peste ainda é desconhecida, mas estudos genéticos feitos com o material resgatado na polpa dos dentes de mortos em épocas de epidemia já conseguiram encontrar fragmentos da bactéria em corpos do século XIV na Europa.

Já a gripe se originou inicialmente no continente asiático — trata-se de um vírus que circula em aves migratórias e aquáticas, comuns na região, bem como em porcos, animais freqüentes na área — e também estaria ligada à domesticação de espécies. A tuberculose é um caso à parte, como explica Ujvari.

A tuberculose também chegou ao Brasil na época do Descobrimento — conta o infectologista. — Mas estudos genéticos feitos em múmias indígenas revelaram que ela já estaria presente, teria vindo junto com as primeiras migrações humanas provenientes do leste asiático.

Tão antiga quanto o ‘Homo sapiens’

Segundo Ujvari, a tuberculose é tão antiga quanto o Homo sapiens. Ao deixar a África nas primeiras levas migratórias, o homem já carregaria o bacilo. Entretanto, chama a atenção o fato de a grande maioria das doenças ter surgido na Ásia e não no continente africano, onde o homem surgiu.

— A resposta para isso é a domesticação dos animais — explica Ujvari. — O homem surgiu na África e migrou para outras partes quando ainda era nômade. Gripe, sarampo, varíola foram doenças vindas de animais.

Uma outra teoria sustenta que, enquanto era nômade e vivia em grupos pequenos na África, o homem tinha doenças que tendiam a ser mais crônicas e menos letais, como a tuberculose e as infecções por herpes e HPV. A lógica é que uma doença de letalidade mais alta exterminaria o grupo rapidamente e desapareceria. Já quando o homem se assentou, adotando a agricultura e a domesticação de animais, e abrindo espaço para o crescimento populacional, doenças de letalidade muito mais alta começaram a surgir.

— Trata-se de coevolução dos homens e das doenças — explica o infectologista. — Ele adquiriu na África o que poderia ter adquirido porque a população era pequena. Com a agricultura, os animais e o crescimento demográfico ele passou a absorver microorganismos mais agressivos.

A Ásia, como mostra o livro, foi um dos pontos iniciais. Do continente, as doenças foram ganhando o mundo, inclusive a África.

Num segundo momento histórico, o do tráfico negreiro, uma nova leva de doenças chegou ao Brasil vinda da África, como a febre amarela. A doença chegou com os escravos às ilhas do Caribe, no século XVII. Há registros da doença em 1640 na ilha de Barbados, uma colônia britânica. De lá, ela se espalhou por outras ilhas, para a América Central e para o litoral sul dos Estados Unidos. A chegada ao Brasil se deu em 1849, num navio que saiu de Nova Orleans e fez escalas em Salvador e Rio de Janeiro, disseminando a doença no litoral e gerando uma epidemia naquele verão.

— De 1849 a 1850 a epidemia causou uma mortalidade grande no Rio, assustando a população — relembra o infectologista. — Alguns médicos que já achavam que as embarcações negreiras traziam doenças voltaram ao tema com a epidemia, engrossando a campanha para o fim do tráfico de escravos. Alguns historiadores acreditam que a epidemia favoreceu o fim do tráfico, em 1850.

A primeira epidemia de cólera no país data de 1855, em Salvador. A doença teria chegado por uma embarcação proveniente da Europa, onde uma epidemia se alastrava. A malária também chegou por essa época, mas ninguém sabe ainda dizer se junto com os escravos ou com os colonizadores europeus. A doença era comum no Mediterrâneo e na África.

— A doença acabou se espalhando no Brasil, não só na floresta, mas também no litoral.

Aids e dengue: novas pragas

Mais recentemente, a Aids e a dengue chegaram ao Brasil com visitantes contaminados, entre as décadas de 60 e 80.

— Vivemos num mundo globalização, em que há um volume muito maior de gente circulando, e mais vulnerável ao surgimento de doenças vindas de outras regiões — aponta Ujvari. — A boa notícia é que a informação também está globalizada, então conseguimos controlar muito mais o que ocorre, como nesse caso do paciente no Rio.


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