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Duque De Caxias

O Homem Por Tras Do Monumento


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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do Leitor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
 - 23 x 16 cm 1ª Edição - 2008

616 pág.
Sinopse

Esta biografia mostra o lado humano do duque de Caxias, ao retratar seu convívio com a família, amigos, seu dia-a-dia como um homem comum. Aqui, percebe-se como e porque Caxias passou a ser considerado mito.
Opinião do Leitor:

Santiago  /  Data:  26/1/2009
Conceito do leitor:  Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)

No olho do furacão
O trabalho da historiadora Adriana Barreto vem preencher, com sensibilidade e competência ímpares, uma lacuna difícil de justificar na historiografia nacional: a trajetória de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. O livro, escrito com objetividade e relevância analítica, oferece ao leitor não uma biografia laudatória e/ou apologética, mas antes de tudo um quadro histórico onde se percebem as tensões sociais e políticas inerentes a construção do Estado-nação brasileiro no século XIX, fosse no Exército, no Parlamento ou na Corte. Assim como seu trabalho anterior (O Exército na consolidação do Império), esta obra é obrigatória à qualquer um que se arrisque a tentar compreender os sentidos do Império do Brasil, pois Lima e Silva esteve no olho do furacão, sendo, ao mesmo tempo, ator e testemunha do processo de formação daquele Império.

Saiu na Imprensa:

O Globo  /   Data: 11/4/2009
Um mito humanizado

Historiadora refaz trajetória do Duque de Caxias em análise profunda e cativante

Duque de Caxias — O homem por trás do monumento, de Adriana Barreto de Souza. Editora Civilização Brasileira, 616 pgs. R$ 75

Marco Morel

O homem por trás do monumento. Com a síntese deste subtítulo, a historiadora Adriana Barreto de Souza conduz o leitor pelas tramas densas e intensas da biografia de Luís Alves de Lima e Silva (18031880). No Brasil, a recente tradição editorial tem privilegiado biografias e narrativas históricas de impacto escritas por jornalistas, ou por historiadores não acadêmicos. Mas, no caso deste livro, originalmente tese de doutorado aprovada na UFRJ, há o fecundo encontro de análise profunda e embasada com estilo fluente e agradável, que cativa leitores não especializados e satisfaz aos especialistas do ramo. Trata-se de obra sem concessões “marqueteiras” e, ao mesmo tempo, sem enclausurar-se num linguajar hermético.

O tema é propício a despertar curiosidade e aguçar polêmicas. Mas, com habilidade e segurança, Adriana Barreto remove, já na introdução, as camadas de memória e posicionamentos datados que nos impedem de conhecer o personagem histórico em sua complexidade. Se a memória do passado é ditada pelo presente, cabe aos historiadores, num sentido inverso, entender como o passado, com suas mediações, marca o presente.

Deste modo, não é o Duque de Caxias endeusado por militares (e atacado por seus opositores) do século XX que aparece nesta obra, mas o cidadão de importante atuação pública no Brasil monárquico, imperial, conservador e escravista — entrevisto também a partir de sua vida privada e familiar.

União de ação política, militar e diplomática

Demarcando-se, pois, dos enfadonhos elogios patrioteiros e de certa fúria revisionista, a autora (baseada em referências teóricas e procedimentos metodológicos atualizados e exaustiva pesquisa em arquivos) nos apresenta o perfil de um jovem nascido ainda no período colonial, membro de uma família expressiva de militares portugueses, mas sem grandes destaque, nem títulos de nobreza. O livro começa quando o avô paterno do futuro Caxias, José Joaquim de Lima e Silva, iniciando a carreira militar, é transferido para o Brasil em meados do século XVIII. E, justamente, com a vinda da Corte portuguesa em 1808 e a Independência posterior, tal família de militares viverá num momento propício que permitirá sua ascensão hierárquica, política e social — situando-se em posição-chave nos primeiros passos de efetivação das Forças Armadas nacionais. Aí sim, podese dizer que Luís Alves representará o apogeu, não só de sua família, mas da consolidação da nação brasileira com as características que conhecemos.

Conjugando ação política e militar, Luís Alves de Lima e Silva dará seus primeiros passos e consolidará sua carreira reprimindo movimentos políticos e sociais de contestaç ã o à ordem vigente — a exemplo, aliás, de seu pai, o brigadeiro Francisco de Lima e Silva, que iniciou a trilha seguida pelo filho. Deste modo, vemos desfilar a série de rebeliões da primeira metade do século XIX no Brasil, sobre as quais Luís Alves teve atuação decisiva: desde os motins de rua no Rio de Janeiro às enormes movimentações das camadas pobres na Balaiada maranhense, sem esquecer sua vigorosa ação politica contra a Farroupilha gaúcha e outros episódios. Foi graças à repressão da Balaiada maranhense — quando o então coronel Luís Alves conseguiu retomar para o poder imperial a estratégica cidade de Caxias das mãos dos caboclos, escravos e outros rebeldes — que surgiu seu primeiro título de nobreza, como barão.

Sempre numa redação clara que transmite gosto pelo assunto, a autora não esconde contradições nem se furta a tratar de episódios incômodos para o biografado, como o caso escandaloso, na época, em que o irmão de Luís, o capitão Carlos Miguel de Lima, assassinou a golpe de espada o redator Clemente José de Oliveira, do “Brasil Aflito”, em pleno Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro, à vista de muitas pessoas — sendo depois absolvido por falta de provas e testemunhas.

Em alguns momentos mais soldado do que político, em outros mais diplomata do que militar, o livro permite, com sensibilidade, acompanhar como a trajetória de Luís Alves — que passa pela metamorfose de receber título de nobreza e chegar a marechal — se confunde com os caminhos da nação e do Estado brasileiros que se constituíam.

Chamado de O Pacificador por seus biógrafos mais tradicionais, percebemos, aqui, os ingredientes de tal atitude chamada de pacificadora, que envolvia eficazes mecanismos de articulação politica e estratégia militar, alianças e repressões, ligação com poder político e, às vezes, desencontros com este. As medalhas e condecorações que ornavam sua farda foram ganhas nos violentos campos de batalha e nas batalhas políticas dos gabinetes imperiais, em sua presença no Parlamento, no Partido Conservador, no Executivo e, mesmo, como integrante da Corte monárquica.

Projeto conservador e centralizado da sociedade

Neste sentido, a trajetória de Caxias pode ser considerada exemplar, não tanto pelo orgulho reiterado em torno de um “grande personagem”, mas porque justamente ele foi elemento decisivo, como agente histórico, do estabelecimento de um projeto conservador e centralizado da sociedade brasileira. Individualmente brilhante e até genial, desempenhou papel destacado em seu tempo — embora também tivesse seus momentos de fraqueza, ambiguidades, erros e paradoxos.

Adriana Barreto partiu de dois eloquentes silêncios de inúmeras biografias anteriores, ou seja, as origens familiares e a dimensão política da atuação deste militar — que foi senador e governou províncias. O leitor, pois, tem diante de si um Duque de Caxias humanizado e que, aliás, ainda nem tinha se tornado duque. Era conde, em 1845, quando se encerra o livro. A autora está devendo, portanto, a publicação da segunda e instigante parte da vida do personagem, envolvendo, entre outros aspectos, a Guerra do Paraguai, a maçonaria e a chegada dele ao cargo de presidente do Conselho de Ministros, o mais alto depois do imperador.

MARCO MOREL é professor da UERJ e pesquisador do CEO/PRONEX


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