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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 23 x 15,8 cm
1ª Edição
- 2009
592 pág.
O autor retrata sua própria história, da infância até o início da vida adulta, numa cidadezinha de Wisconsin, no centro dos Estados Unidos, que parece estar sempre coberta pela neve. Seu crescimento é marcado pelo temor a Deus - transmitido por sua família, seu colégio, seu pastor e as trágicas passagens bíblicas que lê -, que se interpõe contra seus desejos, como o de se expressar pelo desenho. Ao mesmo tempo Thompson descreve a relação com o irmão mais novo, com quem ele dividiu a cama durante toda a infância. Conforme amadurecem, os irmãos se distanciam.
Opinião do Leitor:
Luiz / Data: 27/12/2009 Conceito do leitor: | (opine)
Excelente
Com ótimos desenhos e um estilo bastante criativo, o autor aborda questões desde a iniciação do jovem ao primeiro amor, do distanciamento do irmão caçula ao isolamento perante o mundo, com muita sensibilidade, humor e audacia. Eu já li quadrinhos como Persépolis e Maus, mas dentre todos, e diferentemente do que citou o colega abaixo, achei ''Retalhos'' o melhor deles, mais denso e complexo, assim como as relações interpessoais.
Leandro Martinez / Data: 11/12/2009 Conceito do leitor: | (opine)
Bom para passar o tempo...
Este graphic novel é bem interessante. Conta as aventuras e dramas de um garoto ao entrar na fase da adolescência, e posteriormente, já em idade adulta suas reflexões sobre como passa a ver o mundo em contra-ponto à grande maioria das coisas que cresceu ouvindo. Lembra um pouco Demiem do Herman Hesse, mas a forma de comunicação através dos quadrinhos dá uma pitada de bom humor. Há realmente alguns deslizes de tradução, mas nada que comprometa. Interessante para passar o tempo, filosoficamente bem raso.
Bernardo Contreira / Data: 15/9/2009 Conceito do leitor: | (opine)
Tradução fraca
Concordo com o leitor Rafael que criticou a tradução, pois esta deixou a desejar e estragou o sentido do texto em diversos momentos. Para volumes importantes como este, a Cia das Letras deveria buscar tradutores conhecidos e não fazer ''apostas'' como aconteceu em Retalhos. É uma bela obra e vale a pena buscar o original em inglês.
Retalhos traz para HQ tradição do grande romance geracional
Situando-se num extremo oposto do quadrinho underground e mais próximo da tradição do grande romance geracional americano, de autores como Mark Twain e J.D. Salinger, um gibi virou de ponta-cabeça o mundo da narrativa gráfica em 2004. Trata-se de Retalhos, primeiro de Craig Thompson , que acaba de ser lançado no Brasil pela Companhia das Letras. Um relato autobiográfico em branco-e-preto que, se o leitor atentar apenas para uma sinopse, não vai parecer nada aventuresco e sedutor.
O primeiro amor, a rivalidade entre dois irmãos, a secura paterna, o inverno massacrante, o verão sufocante, o isolamento geográfico. Tudo que poderia resvalar numa narrativa pueril ganha uma dimensão épica avassaladora no traço claro e limpo de Thompson. Cada quadrinho vasculha minuciosamente cavernas da memória e do inconsciente, e nunca parece ter a intenção de chocar. O gibi tem algumas peculiaridades que o tornam único. Primeiro: é um calhamaço de quase 600 páginas. Segundo: promove uma comovente discussão teológica que passa pela infância, adolescência, chega à maturidade e não se completa jamais. Terceiro: é um rigoroso trabalho de “exorcismo” psicológico, tratando inclusive do abuso sexual que o autor sofreu na infância.
Quando saiu Retalhos, foi um auê: ganhou os prêmios mais importantes do gênero, incluindo três Harvey Awards e dois Eisner Awards. Atualmente, o autor trabalha em outro calhamaço, que tem o título de Habibi.
Thompson tem 34 anos e viveu a infância e adolescência numa fazenda remota no Wisconsin. Foi nessa ultrarreligiosa e puritana comunidade, que supervaloriza o trabalho duro e a abstinência, que o menino sensível cresceu e passou pelo seu grande teste de afirmação pessoal.
– Criar quadrinhos é algo cru e artesanal. Então, parece um veículo natural para narrar memórias. E, é verdade, é algo terapêutico – conta por e-mail Thompson, que não se vê nem como escritor, nem como ilustrador, mas numa posição no meio disso, a de cartunista. – Penso em Retalhos simplesmente como um gibi, embora goste de pensar que tem potencial para ambições literárias, num formato de romance gráfico.
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