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Arte De Viajar, A

Conceito do Leitor: Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)
Autor: BOTTON, ALAIN DE
Editora: ROCCO
Assunto: FILOSOFIA

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorSobre o Autor

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ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2003

272 pág.
Sinopse

Segundo Alain de Botton, as viagens estão entre as atividades que melhor revelam a dinâmica da busca pela felicidade, em todo seu ardor e seus paradoxos, pois elas expressam como poderia ser a vida fora das restrições do trabalho e da luta pela sobrevivência. É disso que trata seu livro, 'A arte de viajar', em que ele explica que mais importante que saber o que ver numa viagem é saber por que ver. Botton conta como as viagens, a literatura e as artes plásticas se influenciam entre si - um simples passeio pode levar à redação de um clássico, que por sua vez pode inspirar a pintura de uma obra-prima, estimulando milhares de pessoas a fazer o mesmo passeio. Neste ciclo infinito, muitas vidas encontram seu sentido.
Opinião do Leitor:

Renata D'Andrea Bourroul  /  Data:  4/3/2009
Conceito do leitor:  Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)

Alain de Botton mais uma vez nos surpreende positivamente
Neste livro, o filósofo mais uma vez nos surpreende positivamente com um texto claro, objetivo e bem-humorado, sem contudo deixar de ser profundo.
Elucida várias sensações que temos como viajantes nos forçando a refletir sobre elas e a compreender a sua razão.

Saiu na Imprensa:

Jornal do Brasil  /   Data: 3/1/2004
Pé na estrada
Alain de Botton fala de viagens literárias e reais em seu novo livro de ensaios

MAURÍCIO GONÇALVES

O embate entre o homem e o real - a vontade louca de dar sentido a tudo que nos cerca (mundos externo e interno), de compreender o nosso ir e vir dentro desse angustiante silêncio universal -, eis o coração do mais recente livro de Alain de Botton, A arte de viajar.

A obra do autor suíço, nascido em 1969 e criado em Londres a partir dos 12 anos, tem uma bem-bolada arquitetura: cinco grandes divisões correspondentes às partes de uma viagem (elas mesmas temas a serem desenvolvidos) e, simultaneamente, a viagens que de Botton realizou. O autor do best-seller Como Proust pode mudar sua vida, seu quarto livro, serve-se também do recurso visual - fotos, pinturas, litografias - para dialogar com o leitor e costurar as próprias viagens com a de pensadores, pintores e escritores consagrados. Assim, principalmente devido a este último recurso, o livro divaga por vários pontos de vista. O apuro inglês na construção literária transparece no sexto trabalho do escritor laureado com o Prêmio Europeu de Ensaio Charles Veillon, que congratulou críticos importantes como o búlgaro Tzvetan Todorov e o italiano Roberto Calasso.

Tendo escrito três romances anteriormente, Alain de Botton traz artistas canonizados para perto do leitor. Gustave Flaubert, autor do clássico Madame Bovary, e mesmo o menos conhecido J. K. Huysmans, parisiense do século 19, dândi, criador da excêntrica personagem chamada Duc des Esseintes, são descritos através dessa necessidade fundamental que é viajar, conhecer. Daí o choque com a realidade e as diferentes respostas dadas a ela. Podemos depreender duas atitudes básicas em relação aos viajantes do livro, ainda que se corra o risco do binarismo: a primeira é o sair para o mundo, enfrentá-lo. Um retrair-se, recolher-se em função de um desacordo com o ''em torno'', é a segunda atitude. Flaubert ilustra a primeira atitude, o Duc des Esseintes a segunda, e no meio disso tudo o poeta Charles Baudelaire.

Encontramos Gustave Flaubert, acompanhado do amigo e escritor Maxime Du Camp, viajando pelo Egito. O suíço nos mostra que por trás de um certo orientalismo do francês, de um anseio pelo exótico, típico da época, estava um forte sentimento antiburguês. O desejo de caos de Gustave era uma crença profunda de que a vida regia-se assim, desordenada, e que a contrapartida burguesa - métrica, número, protocolo - era sua negação. Ele enaltece os burros que bosteiam, o estoicismo dos camelos, a se apaixonar, na cidade de Esna, pela prostituta local Kuchuk Hanem. Flaubert exalta a materialidade das coisas. No meio desse turbilhão, somos deslocados fina e alternadamente para as impressões de Alain diante de Amsterdã. Nosso espírito preconceituoso, terceiro-mundista, que já estava mexido com o retrato inusitado dos sentimentos de um europeu no meio da África, tende a cair ao perceber que inusitadas combinações de letras no interior de certas palavras, ausentes na Grã-Bretanha do nosso guia, podem parecer-lhe exóticas. A Holanda mostrada por esse ensaísta, naquele momento, é um lugar que parece estar ''do outro lado do mundo''.

''De que adianta a movimentação quando uma pessoa pode viajar de modo tão fantástico sentada numa poltrona?'' No meio do caminho do Duc des Esseintes para Londres tinha uma pedra. O herói francês do romance Às avessas é mostrado por de Botton desistindo da viagem à terra de Charles Dickens. A Inglaterra fabricada em sua cabeça deve ser muito melhor do que a real, é a conclusão do Duc. Quem não conhece a ânsia de uma expectativa? Inferimos desse trecho de A arte de viajar que nossa diferença para o personagem de Huysmans é a racionalidade francesa que, irônica, opta pela cidade imaginada e se salvaguarda de uma decepção. A ''escola pessimista'' foi o termo que Alain cunhou para definir os viajantes que já possuem, como terroristas, seus Big Bens, Coliseus e Corcovados guardados no bolso da calça.

Charles Baudelaire, por exemplo, viveu o surgimento da vida moderna, da cidade moderna. Andou pelos subterrâneos desse monstro sempre crescente. Viu, em meados do século 19, surgirem o armazém e a multidão, o trem e a eletricidade. Imiscuiu-se entre bulevares e luzes. E cantou-os. Cantou a balbúrdia ao seu redor. Louvou o aspecto artificial da maquiagem e das novas construções humanas: a racionalidade contra o mundo natural. Conclamou a todos para que observassem o heroísmo da vida moderna, a poética do cotidiano. Pediu que tivéssemos olhos de criança, que víssemos tudo pela primeira vez. Cada coisa, por mais bizarra que seja, tem sua beleza. Para isso, é preciso uma disposição interna.

No capítulo intitulado ''Arte'', já ao final do livro, Alain de Botton vai falar da fruição da beleza e, mais à frente, sublinhar a ''disposição mental de viajante''. Tudo, portanto, deve começar internamente, no espaço só nosso, reservado ao nosso viver solitário - espaço privado. Esse ver pela primeira vez, esse abrir-se para o mundo em busca de beleza, encontro dos espaços público e privado, talvez seja a primeira e maior viagem. A referência aqui é Xavier de Maistre, escritor francês, autor de Viagem à roda do meu quarto, história de um homem que visita o próprio quarto. As coisas, descobertas, são novas, belas, ainda que num diminuto e conhecido quarto. Tudo se torna caminho, estrada, travessia. A começar por nós. ''Existe é homem humano'', escreveu Guimarães Rosa.

O grego Homero confeccionou uma obra inteira para a volta de Ulisses ao seu lar, Ítaca, após a batalha de Tróia: a Odisséia. Um grego de Alexandria, Konstantinos Kaváfis, poeta do século 20, meditou também em versos sobre essa viagem paradigmática: ...Mas não apresses a viagem nunca./ Melhor muitos anos levares de jornada/ e fundeares na ilha velho enfim,/ rico de quanto ganhaste no caminho...// Ítaca não te iludiu, se a achas pobre./ Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,/ e agora sabes o que significam Ítacas.

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Sobre o autor:

BOTTON, ALAIN DE
Alain de Botton nasceu na Suíça em 1969. Formou-se em Cambridge e mora em Londes. Sua obra já foi traduzida para mais de 16 idiomas. No Brasil, já publicou 'Como Proust pode mudar sua vida', 'Ensaios de amor', 'O movimento romântico', 'As consolações da filosofia' e 'A arte de viajar'.


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