ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 18 x 23 cm
1ª Edição
- 2004
96 pág.
O livro 'Preto no Branco' é uma compilação das melhores tiras de Allan Sieber e aborda com muito humor e sarcasmo diversas situações do dia-a-dia. O cartunista não poupa nada e ninguém em suas charges - trabalhadores, patrões, artistas, guetos, religiões... nem ele mesmo fica imune à zombaria - nas divertidas sessões de auto-análise, seu alter-ego é o seu próprio psicanalista que, no melhor estilo Talk Show, lança ácidos comentários sobre o temperamento e até sobre a situação financeira do autor.
Opinião do Leitor:
Daniel Juliano / Data: 26/5/2004 Conceito do leitor: | (opine)
Humor corrosivo
O livro é sensacional. Muito humor politicamente incorreto, sobre situações cotidianas que todos vivemos - e não temos coragem de pensar (ou escrever) sobre.
Saiu na Imprensa:
O Globo /
Data: 3/7/2006 Ilustre
Sucesso de vendas e aclamação de veteranos fazem de Allan Sieber o astro do cartum nacional
Rodrigo Fonsceca
Nem um básico "Merci beaucoup!" Allan Sieber fala direito. Como dizem por aí que ele se tornou a grande estrela do cartum brasileiro - e os boatos aumentaram depois que "F.", revista mantida a duras penas por ele e os colegas Arnaldo Branco e Leonardo, ganhou publicação regular pela editora Conrad - o desenhista e cineasta gaúcho de 34 anos, consagrado no cinema por desenhos como "Deus é pai", precisava manter a cabeça livre, bem relaxada para pensar bobagem. Estudar línguas exigiria demais de sua massa encefálica. Mas, agora, não tem escapatória: Sieber precisa urgentemente dominar o francês - no sentido gramatical, é claro! Nem que seja para autografar "Noir sur blanc", a versão para o idioma de Balzac de seu elogiado álbum "Preto no branco", que a parisiense Folies d'Encre despeja daqui a alguns meses no mesmo mercado editorial que consagrou Astérix e Tintin.
Mas os interesses lingüísticos de Sieber, neste momento em que ele começa a conquistar espaço nas livrarias européias, são bem específicos:
- Até o lançamento eu aprendo alguns xingamentos estratégicos - diz Sieber, cujo álbum "Sem comentários", da Casa 21, acaba de conquistar o troféu HQ Mix (o Oscar do quadrinho brasileiro) como Melhor Publicação de Humor de 2005.
Animando Aldir Blanc com estilo
. Desde 1992, quando fez do traço um ganha-pão, trabalhando na Otto Desenhos, a produtora do animador Otto Guerra (dos curtas "Novela" e "Cavaleiro Jorge"), em Porto Alegre, Sieber já ganhou seis HQ Mix, algo que faz dele um dos nomes mais premiados da história do humor gráfico nacional. Segundo a Conrad, ele também é dos autores mais bem-sucedidos comercialmente. Suas HQs publicadas pela editora, como "Preto no branco" e "Vida de estagiário", tiveram tiragens entre 5.000 e 6.000 exemplares, um número bastante expressivo para um autor nacional.
Sieber é uma aposta nossa. Ele é um dos caras mais engraçados dos quadrinhos brasileiros e seus resultados são bem bacanas - atesta Alexandre Linares, coordenador editorial da Conrad, que já tem cobrado do cartunista os originais de seu novo álbum, "Desenhando com o lado externo do cérebro".
-Será um manual tosco de desenho - explica Sieber. - Vou dar uma de Mister M e revelar meus segredos.
A popularidade de Sieber inspirou na Conrad (uma das editoras que mais investem no setor de quadrinhos hoje no Brasil) confiança na “F.”, em que Sieber reúne tiras, cartuns e entrevistas, no molde das extintas "Chiclete com banana" e "Piratas do Tietê". Depois de três números que fizeram sucesso entre os críticos especializados, mas que alcançou público limitado, a "F." passa de quatro mil para 30 mil exemplares.
- Agora, finalmente, o sujeito pode achar nossa revista na banca. Ela lá visível. Agora basta neguinho comprar - diz Sieber, que hoje publica suas tiras em revistas como "Sexy" e "Trip" e na "Folha de S. Paulo".
Seu esforço de batalhar por maior visibilidade para a "F." lhe rendeu o respeito dos professores e pesquisadores que estudam as HQs brasileiras. Moacyr Cirne, autor de "Uma introdução política aos quadrinhos" e "Quadrinhos, sedução e paixão", elogia o gaúcho por aglutinar cartunistas.
- Nos anos 80, com a "Chiclete com banana" e "Piratas do Tietê", os cartunistas corriam atrás da gente. Tinham espaço. Hoje, nós é que temos de correr atrás deles. Há muito cartunista com potencial, como o Sieber, mas eles estão espalhados pelo Brasil.
Já cartunistas veteranos preferem ressaltar a contribuição de Sieber ao quadrinho brasileiro por seu talento natural para provocação:
- Allan é um cartunista de humor robusto. Robusto no sentido de forte, não de gordo como o Ronaldinho - elogia Jaguar. - Ele apresenta duas características que são essenciais a um cartunista talentoso: bom traço e não ter respeito por nada.
Apesar do prestígio conquistado e do sucesso de público de que desfruta, Sieber, que já comeu muito macarrão com cebola por falta de verba para almoços melhores, sabe como é difícil viver de quadrinho no Brasil. Hoje, seu soldo mensal vem da Toscographics, a produtora a partir da qual desenvolve seus projetos de animação e de filmes com atores de carne e osso, entre eles o curta-metragem "Jonas", que rendeu um Kikito de melhor atriz para Dedina Bernardelli no Festival de Gramado de 2003. E neste momento ele está na briga para captar os R$ 150 mil que faltam para montar o documentário "Pereio, eu te odeio", sobre o ator Paulo César -Pereio, de "Eu te amo" (1980).
- Hoje, 70% do dinheiro que eu ganho vêm- da Tosco, mas, independente disso, eu sempre farei quadrinhos - diz o cartunista, que desenhou as seqüências de animação do longa "O homem que copiava", de seu conterrâneo Jorge Furtado.
Para a 14º edição do Anima Mundi, que começa no próximo dia 14, no Centro Cultural Banco do Brasil, Sieber vai apresentar o curta "Santa de casa", uma adaptação do conto "Santinha milagrosa", de Aldir Blanc. O filme que consumiu três anos de trabalho e um investimento de R$ 140 mil - “Foi uma verdadeira superprodução para padrões nacionais", diz - brinca com o sincretismo religioso dos foliões cariocas.
- Admiro muito a geração do "Pasquim", a qual o Aldir pertence. Mesmo não sendo sambista, sou um cara observador.
Além de "Santa de casa", Sieber já terminou o roteiro e os story-boards do longa animado "De mão em mão". Ambientado nos anos 60, o filme fala de um funcionário público aparentemente exemplar que desenhava revistinhas pornôs, nos moldes de Alcides Caminha, mais conhecido pelo pseudônimo de Carlos Zéfiro.
Sobre o autor:
SIEBER, ALLAN Allan Sieber nasceu em 1972, na cidade de Porto Alegre. Colaborou com as principais revistas e jornais brasileiros: Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Pasquim 21, Trip, Superinteressante, General etc. Além disso, tem trabalhos publicados em outros países da América Latina e na Europa. A fama de Allan Sieber expandiu para além dos quadrinhos com a mega premiada animação Deus é Pai, onde criou uma relação nada pacífica entre pais e filhos. Nada de novo, se a dupla não fosse Deus e Jesus Cristo, seu filho meio doidão e irresponsável. É um dos fundadores da revista F!, uma das grandes promessas de publicação periódica de humor brasileiro. Ganhou em três ocasiões o Prêmio HQ MIX, a maior premiação da indústria dos quadrinhos no Brasil. Seu festejado álbum anterior, Preto no Branco (lançado pela Conrad em 2004), trazia o próprio autor como personagem principal, mostrando a autocrueldade e a acidez de seu humor.
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