Opinião do Leitor:
Celia Tamura / Data: 19/1/2010
Conceito do leitor:
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Duplamente marginalizados
Numa narrativa ágil, o jornalista Carlos Dorneles apresenta dados colhidos por meio de intenso trabalho investigativo, que inclui inúmeras entrevistas com os envolvidos e seus familiares, realizando ampla reconstituição jornalística do crime do bar Bodega. Essas informações situam os jovens acusados em suas condições de vida anteriores ao incidente, mostrando o cotidiano nas regiões periféricas à grande metrópole paulistana. O centro da questão é revelado por meio dos fatos noticiados pela grande imprensa brasileira, cujas declarações fornecem ampla visão da opinião preconceituosa, dominante no meio jornalístico, bem como na sociedade de classe média. Mas os fatos não param por aí. A pesquisa vai muito além dos acontecimentos imediatos após o crime do bar Bodega. Dez anos depois do desfecho das investigações policiais, o jornalista vai ao encontro das personagens envolvidas no episódio, revelando uma realidade decepcionante, na qual aqueles que foram outrora acusados, presos e torturados barbaramente, são vítimas, desta vez, de atos discriminatórios da própria comunidade periférica da qual fazem parte. Verifica-se a total falta de oportunidades para os ex-presidiários, mesmo que estes tenham sido falsamente acusados, escapando à condenação legal, tendo sua idoneidade comprovada no final. A humilhação dos socialmente desfavorecidos começa já com as precárias condições de vida, a moradia em locais os mais longínquos e esquecidos, passando pela detenção dos menores infratores, na Fundação Casa, até o mais cruel dos tratamentos, na prisão. Ao final de tudo, o abandono da própria sociedade, que impele para regiões cada vez mais distantes os seus membros “vergonhosos”, num ato de covardia, aliado ao sentimento de vaidade e ao orgulho. Não sendo marginais, as vítimas da injustiça são marginalizadas, à força, sem outra opção, já que a condenação pela sociedade periférica mostra-se como um reflexo do que é mostrado na mídia. Nesse ponto, os moradores das periferias mostram-se tão preconceituosos quanto os da elite da classe média, pois é nela que se espelham. Toma-se conhecimento, assim, da dificuldade em proporcionar uma nova chance aos que a merecem e precisam. Ao mostrar essa infeliz realidade, o livro concede o direito à palavra aos que não têm voz, para que o caso seja imediatamente discutido pela sociedade brasileira. As pesquisas de Dorneles revelam a preocupação pela informação integral, muito além da notícia jornalística, imediata. A partir das investigações em torno da situação atual, ou seja, muitos anos depois do incidente criminal, torna-se possível apreender uma imagem mais abrangente dos fatos, bem como conhecer o mecanismo discriminatório da sociedade. O texto ainda revela as inclinações literárias do jornalista, que em sua epígrafe cita Shakespeare, e ao final ainda arrisca uns versos acerca do mito da imprensa. Numa abordagem sensível e crua, Dorneles aponta algumas das causas da criminalidade, e denuncia o descaso e a condenação injusta, revelando um processo doloroso pelo qual passam aqueles que de, alguma forma, veem-se envolvidos em episódios degradantes, para os quais não há salvação.
cristina / Data: 11/6/2008
Conceito do leitor:
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providencial
num momento em que a investigação de um crime transforma-se em entretenimento, e a justiça em plebiscito, num momento em que uma sessão de um tribunal de justiça é transmitida ao vivo pela TV, lê-se este livro com uma sensação de alívio. deveria ser leitura obrigatória em escolas.
Clara Print / Data: 16/4/2008
Conceito do leitor:
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Para conhecer mais a imprensa
Em tempos de buscas frenéticas por culpados a qualquer custo para satisfazer uma platéia ávida pela catarse nas televisões e nos jornais, é uma leitura essencial.
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