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Ficha Técnica Saiu na ImprensaSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2009

208 pág.
Sinopse

Desacordo Ortográfico é uma provocação ao pensamento do igual. Desacordo Ortográfico é uma exaltação da diferença. É uma antologia de textos organizada por Reginaldo Pujol Filho que reúne autores que, em vez de escrever no bom português, preferiram adotar os seus estranhos portugueses.
Saiu na Imprensa:

Zero Hora  /   Data: 11/11/2009
Uma provocação ortográfica

Não Editora lança antologia que valoriza sotaques e peculiaridades locais da língua portuguesa

PRICILA MONTANDON

As nuanças da literatura independem da ortografia. Podem matar hífens e exterminar tremas, mas nunca um acordo ortográfico eliminaria os sotaques de cada escritor, por mais que escrevam na mesma língua.

É sob essa ótica que se organiza Desacordo Ortográfico (Não Editora), antologia de textos de autores brasileiros, africanos e portugueses que busca valorizar a diferença da língua portuguesa.

A obra, organizada por Reginaldo Pujol Filho e que será lançada nesta sexta, às 19h, no Complexo Master (Praça Garibaldi, 46), não pretende discutir politicamente o acordo ortográfico recém-adotado pelo Brasil. A intenção é mostrar a pluralidade da língua, uma provocação ao que pretende o acordo: unificar o português nos oito países lusófonos (Brasil, Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Timor Leste).

A ideia do livro surgiu durante as discussões sobre o acordo, em 2007, quando Pujol, incomodado com a ideia da língua unificada, quis provar que a literatura vive do “múltiplo trabalho da forma”. Ele então partiu em busca de autores dos quais já gostava, encontrou outros que não conhecia bem, e a resposta foi unânime:

– Todos ficaram muito entusiasmados com a ideia. A literatura tem que espantar, incomodar as pessoas. Mas não entramos no mérito de discutir o acordo – diz Pujol.

Se um brasileiro sente estranheza ao ler um autor angolano, ao perceber sinais locais no texto e palavras desconhecidas, a literatura estaria provocando emoção e cumprindo seu papel. Ao mesmo tempo, dada a autonomia da literatura, um acordo ortográfico não ameaçaria sua pluralidade. Pujol concorda:

– O acordo não tem esse poder de unificar. Se observarmos na prática, no falar diário da pessoas, mexe muito pouco. Angola vai continuar com suas influências, nós gaúchos com as nossas, e por aí vai.

Desacordo Ortográfico lembra como pode ser prazeroso ler um texto em sua língua materna escrita de forma diferente. A materialização dessa estranheza pode também ser percebida no blog do livro (www.desacordo-ortografico.blogspot.com), com vídeos de autores lendo textos de outros autores com seus sotaques.

Nas páginas de Desacordo... estão reunidos escritores como Luis Fernando Verissimo, Pepetela, Luandino Vieira e Altair Martins, há textos antigos e novos, e obedecer à nova ortografia ou não nem entrou em discussão.

O livro custa R$ 27, mas será vendido a R$ 22 no lançamento.

Trechos

Luandino Vieira, português que se mudou para Angola aos três anos

“NOSSA MÃE

ardia na fogueira, eu não estava lá. As formigas desertaram paus e lenhas, vieram m’avisar. Feiticeira, a acusação babada na boca do bode. Todos os chamados, escolhidos. Fui, era novembro, fazia frio. Mulôji a Kolombolo enfeitiçou seu penacho de ndua, cinzento virou azul no fogueiro fumo, diadema de penas inocentava.”

Patrícia Portela, de Portugal

“O Espaço era uma ilusão óptica,

e a vida, um processo de lento de combustão.

Eu olhava para ti e tu olhavas para mim

as partículas do teu olhar vinham na minha direcção e o

vento que provocavam

criava uma rede de veias e artérias,

uma auto-estrada de linhas sanguíneas indefinidas que

me conduzia até os pulmões.”

André Felipe Pontes Czarnobai, o Cardoso, de Porto Alegre

“Agora já faz um tempo que NÃO me acontece, mas houve uma ÉPOCA em que era bem FREQUENTE acordar pela manhã e, enquanto PERFOMAVA a tradicional CONFERÊNCIA da GLANDE durante o MIJÃO matutino primordial, encontrar um LONGO fio de cabelo enroscado no PESCOÇO do PAU.”

Desacordo ortográfico

Antologia. Não Editora, 208 páginas, R$ 27.

Sobre o autor:

VERISSIMO, LUIS FERNANDO
Luis Fernando Verissimo nasceu em 26 de setembro de 1936 na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, filho do escritor Erico Verissimo e Mafalda Verissimo. Em 1943, convidado a lecionar na Universidade de Berkeley, na Califórnia, Erico Verissimo partiu com Mafalda, Luis Fernando e Clarissa, a filha mais velha, para os Estados Unidos, onde ficaram durante dois anos. Em 1954 a família Verissimo viajou novamente para os Estados Unidos, onde Erico exerceu a função de Presidente do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, em Washington DC, durante 4 anos. Neste período Luis Fernando iniciou seus estudos de música, aprendendo a tocar saxofone e tornando-se um admirador fervoroso de jazz. Ao Retornar ao Brasil, em 1956, começou a trabalhar na editora Globo de Porto Alegre, no setor de arte e planejamento. Em 1962 transferiu-se para o Rio de Janeiro onde exerceu as atividades de tradutor e redator de publicações comerciais. Casou-se com a carioca Lúcia Helena Massa, sua colega de trabalho na redação do Boletim da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro, com quem teve três filhos - Fernanda, Mariana e Pedro. De volta a Porto Alegre em 1967, Luis Fernando começou a trabalhar como copy-desk do jornal Zero Hora e como redator de publicidade. Em pouco tempo já mantinha uma coluna diá-ria assinada, tornando-se conhecido por suas crônicas de humor, seus comentários políticos e esportivos e uma série de cartuns e histórias em quadrinhos. Seu primeiro livro, O Popular, coletânea de crônicas e cartuns, foi publicado em 1973. Atualmente, o autor escreve semanalmente para os jornais Zero Hora e O Estado de São Paulo, e diariamente para o Jornal do Brasil, além de contribuir para inúmeras revistas e escrever também para a TV Globo. Zero Hora, O Estado de São Paulo e Jornal do Brasil também publicam, diariamente, sua tira de quadrinhos As Cobras. Em 1995, o autor comemorou a centésima edição do livro O Analista de Bagé, que já vendeu mais de 500 mil exemplares desde seu lançamento em 1981. A vendagem do conjunto da obra do autor já ultrapassou a marca de 1 milhão de exemplares. Seu único romance, O Jardim do Diabo, foi traduzido para o alemão e o espanhol, e algumas de suas crônicas foram publicadas nos Estados Unidos e na França em coletâneas de autores brasileiros. Luis Fernando Verissimo também é colaborador do jornal português O Público. Além de muitas vezes premiado pela Editora Abril como melhor cronista de humor do país, Verissimo também recebeu, por seus comentários políticos e sociais, vários prêmios humanitários concedidos por organizações dedicadas aos direitos humanos (entre eles, recentemente, a Medalha Chico Mendes, oferecida pelo grupo Tortura Nunca Mais). Em 1995, o programa da TV Globo Comédias da Vida Privada, baseado em seu trabalho, recebeu o prêmio da crítica de melhor programa da TV brasileira.

FREIRE, MARCELINO
Marcelino Freire, natural de Pernambuco, vive em São Paulo desde 1991. Participou das coletâneas Geração 90 e Os Transgressores e foi um dos editores e escritores da revista PS:SP. É também autor de EraOdito, Angu de Sangue e organizador de Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século.


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