ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
2ª Edição
- 2001
310 pág.
Um romance de idéias que descreve as formas mais sutis e engenhosas que pode assumir o pesadelo do totalitarismo, e que resiste às interpretações político-ideológicas de esquerda ou direita suscitadas desde seu lançamento.
Opinião do Leitor:
Arcelino C. Pereira / Data: 26/9/2008 Conceito do leitor: | (opine)
Magnífico
Uma maravilha de ficção que nos mostra como vivemos numa sociedade hipócrita e, acima de tudo, condicionada (Um jogo de cartas marcadas).
Fabio Fernandes / Data: 6/4/2008 Conceito do leitor: | (opine)
Excelente
Totalmente imperdível. Prta quem gosta de ficção, com certeza está entre os três melhores já escritos.
Francisca porto / Data: 7/9/2006 Conceito do leitor: | (opine)
Livro real
O livro admiravél mundo novó é uma obra fascinante e real, não tenho palavras para decifra-lo de tão real e verdadeiro, é uma obra escrita há muito tempo mas que está acontecendo agora, você que gosta de genetica, e é inteligente e gosta de uma leituara inteligente, leia esse livro bombástico, no bom sentido é claro.
O Globo /
Data: 22/3/2003 Retrato de um futuro perigosamente verossímil
Adriana Lisboa
A estrutura é digna de um bom livro de ficção científica: num longínquo e imaginário futuro, são encontrados, dentro de um velho carvalho, os Manuscritos Everhard — documento que tem nada menos do que sete séculos de existência e narra a ascensão do totalitarismo fascista nos EUA, nas primeiras décadas do século XX. É o chamado Tacão de Ferro, que dá nome ao mais célebre romance do americano Jack London. Publicado pela primeira vez em 1907, “O tacão de ferro” é agora lançado pela coleção “Clássicos” da editora Boitempo.
No obscuro momento da “edição” dos Manuscritos Everhard, o movimento internacional do trabalho chegou ao poder, depois de séculos de domínio das oligarquias e de uma série de sangrentas revoltas. É na época da Segunda Revolta, 1932, que Avis Everhard redige suas memórias, espécie de tributo ao marido, o revolucionário de nome sugestivo, Ernest Everhard, preso e executado pelo Tacão de Ferro.
Romance de Jack London faz pensar em “1984”
Pelo tema, o romance de London faz pensar naturalmente nos célebres “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley
, e “1984”, de George Orwell. Embora não tenha obtido o êxito de seus dois sucessores, “O tacão de ferro” é também um soturno retrato de um futuro perigosamente verossímil, e alerta para a necessidade de contenção do avanço do totalitarismo. Se a interessante estrutura de “O tacão de ferro”, explicitada já nas primeiras linhas, captura de imediato o leitor, porém, o que vai se desenrolar nas mais de duzentas páginas seguintes talvez só venha a seduzir por suas projeções históricas.
“O tacão de ferro” constitui-se de análises e discursos por vezes exaustivos do herói Everhard, elaborador de uma filosofia da classe operária. Avis se apaixona por Ernest depois de ouvi-lo sair vitorioso de um debate, durante certo jantar, em que ele defende a ciência em detrimento da metafísica. E Everhard é capaz de dizer à esposa, na hora de dormir: “A evolução social é lenta, exasperadamente lenta, não é, querida?”. O livro é monocórdico. E Avis, tão apaixonada a ponto de resvalar para a pieguice, chamando seu marido de “anjo de Deus” (mas com um “corpo de gladiador” e um “espírito de águia”), e assegurando: “Era um poeta, um cantador em ação; e toda sua vida ele cantou a canção do homem”. “O tacão de ferro” ganha um ritmo mais envolvente da metade ao fim, e o aumento progressivo da tensão, com a descrição das greves, das prisões políticas e das artimanhas dos oligarcas para controlar os trabalhadores, seria bem-sucedido se não tivesse que se ver a cada duas ou três páginas interrompido pela ladainha de Ernest Everhard.
A tradução de Afonso Teixeira Filho é o que toda boa tradução deve ser — ou seja, transparente. Não se justifica, porém, a profusão de notas de rodapé, que devem sempre se limitar ao mínimo indispensável para sanar eventuais riscos à compreensão. É desnecessário comunicar ao leitor, por exemplo, que certa passagem do romance é uma alusão a tal versículo do Apocalipse, ou do Evangelho de Marcos.
Para quem acredita que o compromisso ideológico deixa muitas vezes na corda bamba as qualidades ficcionais de um texto, e que espera encontrar num romance algo que o diferencie de um mero panfleto, o socialista revolucionário Jack London fica devendo. Mas para o leitor interessado num livro que, mais do que registrar sua época, assumiu a arriscada tarefa de elaborar minuciosa e consistentemente as convulsões sociais que talvez viessem a decorrer dela, “O tacão de ferro” é uma leitura enriquecedora — e assustadora. Além disso, traz de brinde um prefácio de Anatole France e uma carta de Leon Trotski a Joan London, filha de Jack, como posfácio. Credenciais que por si só já justificariam a presente reedição. Infelizmente, porém, não há como fechar o livro sem sentir aquele ressaibo meio amargo provocado pela comparação tão óbvia quanto inevitável: Huxley e Orwell eram muito melhores.
Sobre o autor:
HUXLEY, ALDOUS Aldous Huxley (1894-1963) nasceu na Inglaterra. Aos dezessete anos, uma doença reduziu sua visão a um décimo do normal. Huxley passou grande parte da vida longe da terra natal: morou na Itália, na França e, em 1937, no auge da fama, mudou-se para os Estados Unidos, onde veio a morrer. É autor, entre outros, dos livros 'A Ilha', 'Admirável Mundo Novo' e 'Contraponto'.
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