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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 14 x 21 cm
1ª Edição
- 2002
176 pág.
Um defunto autor escreve suas memórias póstumas - coincidências diabólicas ligam seu avô a um livro que prega o fim do indivíduo. 'Braz, Quincas & Cia.', é uma fascinante narrativa de suspense, em homenagem à obra de Machado de Assis - capítulos curtos, digressões, citações da literatura universal, ironia aguda e pessimismo são algumas das marcas do estilo do 'bruxo do Cosme Velho' que o autor usa neste romance enigmático e engenhoso.
Saiu na Imprensa:
Época /
Data: 16/9/2002 Machado na cabeça
O escritor carioca Antonio Fernando Borges decide revisitar Braz Cubas e Quincas Borba e se dá bem.ANTONIO GONÇALVES FILHOUm escritor que põe nos títulos nomes dos personagens de Jorge Luís Borges e Machado de Assis só pode ser insano, despudorado ou genuinamente ousado. Para a felicidade do leitor, o carioca Antonio Fernando Borges pertence à terceira categoria. Premiado por reinventar o escritor argentino em seu ‘Que Fim Levou Brodie?’ (Record), ele passou os últimos quatro anos revisitando outro autor canônico. O resultado é o surpreendente e divertido ‘Braz, Quincas & Cia.’ Borges, o brasileiro, brinca com duas das maiores criações machadianas em plena era da clonagem. Não satisfeito, faz uma leitura paródica da filosofia criada por Quincas Borba, o ‘humanitismo’. Mais corajoso ainda, nada contra a maré da literatura telegráfica e volta a escrever como um contemporâneo de Joaquim Maria Machado de Assis, de quem, aliás, tirou um dos nomes para batizar o ‘consagrado escritor do século XIX’ do próprio livro.O ‘tio Maria’ de ‘Braz, Quincas & Cia.’ é o irmão mais esperto do avô do narrador, que, a exemplo de Braz Cubas, está mortinho da silva. Ou melhor - acha que está. Antes de revelar a saga do parente, ele terá de saber se sobreviveu para contar a sua, uma vez que tentou se matar num hotel barato. Borges é otimista. Supõe ser o leitor bastante vivo para não se perder no labirinto e perceber que, nesse jogo de espelhos, entram as dúvidas existenciais de Hamlet, os sortilégios de Fausto e a miserabilidade religiosa dos padres de Beenanos. Se a resposta for negativa, metade da narração estará irremediavelmente perdida. A outra metade, menos metafísica, poderá ser aproveitada. Basta seguir o roteiro - o narrador vivo resume o morto, que resume todos os vivos. Não entendeu?Recomeçando - o Velho, avô do defunto, também era escritor, mas, sem o talento do irmão, o ‘tio Maria’, dedicou-se à fabricação de biscoitos amanteigados. O Velho, no entanto, deixou uma obra inédita. Um advogado faustiano entra no circuito propondo a solução do enigma - quem é o verdadeiro autor do tratado sobre os ‘perigos’ do individualismo? Em resumo - o que Borges, o brasileiro, propõe, mais que uma revolução estilística, é uma retomada da paródia filosófica de Quincas Borba ao positivismo, num tempo de padronização cultural. Se Rubião, herdeiro do filósofo no livro de Machado, era reduzido à condição de ‘coisa’, o narrador de Borges é sufocado pela idéia do coletivismo com razões maiores. Ao vencedor, as batatas, defende o defunto, observando a morte do indivíduo no mundo dos vivos.Borges faz questão de confundir escritor e narrador. Conjuga o verbo na terceira pessoa e usa o pronome na primeira do singular justamente para reafirmar sua crença na independência ideológica e filosófica. Por conta dessa incômoda liberdade, o escritor teve de amargar críticas injustas ao receber o Prêmio Nestlé de Literatura há cinco anos. Um crítico reconheceu a ‘elegância’ de sua construção, ressalvando que sua prosa era ‘chata’ como a dos alunos bem-comportados. Com ‘Braz, Quincas & Cia.’, certamente os adjetivos serão outros. A homenagem de Borges a Machado é sincera, comovente e, acima de tudo, não tem nada de comportada.
Sobre o autor:
BORGES, ANTONIO FERNANDO Antonio Fernando Borges nasceu no Rio de Janeiro, em 1954. Estreou na literatura em 1996, com 'Que fim levou Brodie?' (Prêmio Nestlé), pela Editora Record. Entre seus livros publicados, também estão 'Braz, Quincas e Cia.' (2002), 'A Rainha do Sul' (2004) e Memorial de Buenos Aires (2006), pela Companhia das Letras; e 'Não perca a prosa'(2004) pela Versal Editores.
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