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Demonio Do Meio-Dia, O

Uma Anatomia Da Depressao

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Autor: SOLOMON, ANDREW
Tradutor: CAMPELLO, MYRIAM
Editora: OBJETIVA
Assunto: MEDICINA E SAÚDE - PSIQUIATRIA

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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do Leitor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
 - 16 x 23 cm 1ª Edição - 2002

504 pág.
Sinopse

Ir ao fundo do poço é uma expressão leve para descrever a experiência de vida do autor Andrew Solomon. Ele desceu mesmo, foi às profundezas do inferno para vencer uma das síndromes que mais aflige a humanidade nos dias de hoje - a depressão. Fruto de sua dolorosa, dramática e vitoriosa trajetória durante a doença, 'O demônio do meio-dia' é um livro envolvente, sagaz, construtivo e humano, não se restringindo apenas a um simples relato do autor sobre sua relação com a doença. Muito pelo contrário, inspirado pelo que sentiu na própria pele, Andrew faz uma investigação ampla e minuciosa, o mais abrangente estudo sobre a depressão publicado nos últimos tempos.
Opinião do Leitor:

Rogério Sepa  /  Data:  24/11/2009
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Exo ajuda
Linguagem e textos sublimes, escritos por um jornalista de tinta cheia. A aproximação e intimidade convidadas ao leitor, através de relatos apresentados na obra, são profundos e fazem com que tenhamos muito respeito a mente humana.


André Luiz Balog Desiderio  /  Data:  3/5/2008
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Um romance da depressão
Obra indispensável a todos que se interesam pelo assunto depressão.
Completo e detalhado, é de longe o livro mais bem escrito sobre o tema.
Escrito sob a forma de um romance, torna a leitura ainda mais interessante.
Fascinante!


Liana  /  Data:  13/10/2003
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Denso e esclarecedor
É uma leitura densa, o assunto depressão não é fácil de digerir, o autor amplia o tema, não prendendo-se apenas a definições e tratamentos, falando também nos aspectos culturais, políticos,... e vários exemplos de pessoas que sofrem desse mal, inclusive o próprio autor.
Apesar de, muitas vezes, a leitura tornar-se um pouco sombria, o tom esclarecedor enriquece quem se interessa pelo assunto.

Saiu na Imprensa:

Jornal do Brasil  /   Data: 14/6/2003
Caleidoscópio da depressão
Andrew Solomon escreve um tratado multidisciplinar sobre a doença.

Antonio Quinet

Do fundo de um estado depressivo, Andrew Solomon escreve um tratado multidisciplinar sobre as diversas questões trazidas pela depressão – O Demônio do Meio-Dia. Multidisciplinar e ''leigo'', pois o autor não tem pretensões de especialista e revela que não é médico, psicólogo ou filósofo. Não se pode, contudo, dizer que ele não tenha se tornado, ao longo de seus sete anos de estado depressivo, um especialista tanto da chamada ''depressão'' quanto da dor de existir inerente a todo ser humano. Quem jamais a sentiu?

Percorremos em seu livro a história do conceito de melancolia desde a Antigüidade (com a teoria de bile negra, da qual deriva o termo) até a psicanálise, sem deixar de passar pela psiquiatria clássica e pela antropologia. Solomon propõe uma reflexão sobre a tentativa do suicídio em suas várias abordagens - Durkheim, Freud, Primo Levi são alguns dos autores citados -, aborda a política das drogas e da medicina e estuda os fenômenos depressivos na comunidade gay. Analisa o cotidiano, a evolução e a clínica da depressão propriamente dita com base em relatos de casos, entre estes o seu, entremeados por citações literárias, testemunhas, confissões e depoimentos. Deixa falar a dor da tristeza, o peso da vida, o desânimo da existência, a mortificação do desejo e a frieza decorrente da gelificação da pulsão de morte. Descreve a vida opacificada pela sombra do sol negro da melancolia. E com esse caleidoscópio deixa claro que a depressão - esse demônio que surge ao meio-dia - deve sempre ser decifrada.

Porém a depressão, mesmo decifrada, continua enigmática, pois, ''como o sexo, retém uma inesgotável aura de mistério''. Andrew fala de si e de sua depressão com a mesma objetividade, franqueza e lucidez com que aborda a psiquiatria neurormonal, a psicanálise, a filosofia, a história da depressão e relatos de pessoas que passaram por vivências semelhantes. Seu texto se equilibra entre descrição e discrição, entre o relato e o pudor da vida íntima, sem apelar para o tom confessional ou para a vaidade da vítima. Com desprendimento, trata o que lhe ocorreu como um caso - com suas marcas subjetivas e relações pessoais - entre os demais, resultando em sua implicação no tema, tornada possível pela psicanálise a que se submeteu, por seu inegável talento de escritor e por seu insofismável desejo de transmissão do produto de sua pesquisa. Sua escrita, confessa, não foi catártica, mas antes se impulsionou na demanda de seu editor (acompanhada de um significativo adiantamento de seus direitos autorais) e no desejo de fazer algo útil para os outros. O processo de escrever sobre a depressão restabeleceu seu laço com o outro (os entrevistadores, o leitor), que havia sido afrouxado pela tristeza e pela solidão. Solomon, sem esgotar seu tema, consegue chegar até nós como sujeito e objeto da depressão.

O demônio do meio-dia em momento algum reduz a depressão a uma concepção unívoca ou a banaliza. Solomon a trata como estado d'alma, como patologia e também como característica do humano, confrontando-se, logo de saída, com a tendência médica de considerá-la a expressão de um desequilíbrio neurormonal. ''A depressão não é a conseqüência de um nível reduzido de nada que possamos medir. Aumentar os níveis de serotonina no cérebro dispara um processo que conseqüentemente ajuda muitas pessoas deprimidas a se sentirem melhor, mas não porque tenham um nível anormalmente baixo de serotonina.'' O enunciado, tão banal hoje em dia, ''Estou deprimido, mas é só químico'' equivale, em seu entender, a ''sou assassino, mas é só químico'' ou ''sou inteligente, mas é só químico''. Como conclui, ''o sol brilha luminosamente e isso é só química também e é pela química que as rochas são duras e que o mar é salgado, e que certas tardes de primavera trazem em suas brisas suaves uma quantidade de nostalgia que agita o coração com anseios e devaneios adormecidos pelos nomes de um longo inverno''.

Apesar da crítica ao abuso de drogas antidepressivas e ansiolíticas e ao reducionismo neurormonal na abordagem da depressão, Solomon não nega que determinados medicamentos ''salvaram sua vida'' e ressitua seu uso em um justo lugar. Ao lado da essência do tratamento, que consiste em medicar-se (herança de Hipócrates) e fazer psicoterapia (herança de Platão e de Freud), mantém-se a importância de ''continuar a luta''. Em diversas passagens, enfatiza a impropriedade conceitual e o caráter ilusório e até mesmo pernicioso da noção de ''felicidade'' para o sujeito que não deixa de buscá-la, sem conseguir alcançá-la. Nas palavras de Charlotte Brontë: ''Nenhuma zombaria nesse mundo me soa tão oca quanto a que diz para cultivar a felicidade. O que significa a felicidade nesse conselho? A felicidade não é uma batata, para ser plantada em humo e adubada com esterco!''

O oposto da depressão não é a felicidade, mas sim a vitalidade, a escolha de ficar vivo. Isso, como diz Andrew, não é uma rara alegria? A alegria, a tristeza e o desejo são, conforme a Ética de Espinosa, os três afetos fundamentais do homem: ''A alegria, ou o sentimento que temos do aumento de nossa força para existir e agir; a tristeza, ou o sentimento que temos da diminuição de nossa força para existir e agir; e o desejo, ou o sentimento que nos determina a existir e agir de uma maneira determinada.''

Como Freud ensina, o estado depressivo é semelhante ao trabalho de luto: elaboração de uma perda que tem início, meio e fim. O fim da depressão corresponde a novos investimentos libidinais. Em termos lacanianos, sua permanência equivale à manifestação da dor de existir, em que o desejo é banido e resta apenas tristeza. Algo latente - a melancolia inerente à condição humana (Graham Green) - eclode. ''É a solidão dentro de nós, que se torna manifesta e destrói não apenas a conexão com os outros, mas também a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo.'' A psicanálise, ao oferecer um tratamento pela via do desejo, torna possível o caminho que parte da dor de existir e segue em direção à alegria de viver. Para isso, todavia, é necessário que o sujeito, como Andrew Solomon, queira saber e tenha a coragem de se confrontar com a dor que morde a vida e sopra a ferida da existência, transformando a falta que dói na falta constitutiva do desejo.


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