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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 14 x 21 cm
1ª Edição
- 2005
304 pág.
Na esteira do sucesso da primeira antologia, Luiz Ruffato organiza mais uma coletânea com o melhor da literatura das autoras da nova geração, como Adriana Falcão, Cecília Gianetti e Andréa Del Fuego. São 30 textos inéditos sobre temas essencialmente urbanos e contemporâneos.
Saiu na Imprensa:
Gazeta Mercantil /
Data: 15/7/2005 Colcha de retalhos literária
Antologia retrata as novas escritoras brasileiras e seus temas díspares
Alexandre Amorim
Luiz Ruffato, organizador de Mais 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira , já disse que "toda antologia é uma aposta". Desta feita, ele aposta em um time de autoras que iniciou sua vida literária a partir da década de 90. O livro é o segundo volume da série, e tenta organizar as autoras em "pequenos grupos de afinidades", conforme o prefácio. É preciso reconhecer o esforço de Ruffato: nestes tempos de fragmentações e subjetividades inflamadas, não é fácil conjugar identidades, É impossível chegar a um panorama definitivo dessas mulheres literatas. Os grupos se dividem em linhas tênues que podem se cruzar, ligando temas como relações familiares, amores mal-sucedidos, personagens à margem da sociedade e outros recortes de realidade que se transformam em ficção. Porque esta antologia é também uma colcha de retalhos que o organizador tece para ser apreciada.
Existem pontos em comum, mas a costura desses contos não pretende apresentar um desenho de formas definidas; antes, deixa que o leitor perceba cada retalho e, aos poucos, monte seus próprios mosaicos. As combinações entre os contos são dinâmicas e as peças podem se unir em desenhos de motivos políticos, românticos, urbanos, fantásticos, escatológicos e outros tantos, mas também em esboços de estilo contemporâneo, tradicional ou experimental. As afinidades são dinâmicas, e a "nova literatura" que essas mulheres fazem é justamente o reflexo da novidade: uma indefinição saudável de um panorama que ainda está sendo projetado.
As autoras são apresentadas com uma brevíssima biografia e bibliografia, mas é claro que o cartão de visitas de cada uma delas é seu conto publicado no livro. Como o conto é, por excelência, a escrita que deve atingir o leitor de modo mais direto e rápido ("como um nocaute", diria Cortázar), as escritoras se acham na desconfortável posição de serem julgadas por uma parte diminuta de sua obra. O risco de se tomar o retalho pelo tecido é grande, mas se a colcha está na vitrine, cabe ao freguês julgar se leva ou não.
A seguir, cometo o pecado de não comentar todos os 30 contos, mas como todo pecado tem o seu prazer inerente, este traz o prazer de aguçar a curiosidade do leitor.
Alguns desses textos demonstram experiência das autoras ao escrever, como "Para Agitar os Relógios", de Ana Cecília Carvalho, autora consciente de que a mimesis deve ser sempre mais do que mera imitação da vida. Também Adriana Falcão mostra segurança e domínio do gênero, em um retrato do jovem artista assassinado, onde a simplicidade e a concisão são as grandes coadjuvantes da narrativa. Em outros casos, é o conteúdo que se destaca, na maturidade de lidar com relações difíceis como as de mãe e filha ("Freio nos Dentes", de Miriam Mambrini) ou na costura íntima dos personagens de "Dos Amores Fingidos", da mineira Maria Esther Maciel.
Há autoras à procura de sua fundamentação e que demonstram ainda não ter se firmado na escrita. Cynthia Dorneles, por exemplo, descreve uma mulher em crise, mas em narrativa banal demais mesmo para quem tem uma intenção de voz coloquial e contemporânea. Em "Belo Horizonte", Márcia Carrano experimenta á alteridade numa busca de linguagem que não é a sua própria 'e acaba descrevendo fetiches onde seu personagem supostamente deveria ver a cura. Ainda buscando base para sua literatura, Beatriz Bracher escreve uma "Ficção" curta e que envolve de modo equilibrado a urbanidade e seu simulacro de reações, mas expõe uma narrativa ainda evasiva, tentando fazer caber em frases rápidas um assunto que acaba escapando do conto.
Destaque deve ser dado, também, àquelas que experimentam seus estilos e não se preocupam em inovar, mas contam histórias de conteúdo envolvente, quer pela sua inventividade (como no caso tele/platônico entre artista e admirador em "Helga", de Dóris Fleury), quer pelo equilíbrio na estrutura narrativa (vide "Avon", de Andréa deI Fuego, uma crítica ao mundo publicitário onde a leveza do estilo surte o efeito irônico desejado). Também sem inovações literárias - mas com o resultado ficcional esperado - Ângela Dutra de Menezes retrata fielmente em linguagem coloquial sua "Teoria Freudiana do Medo".
O livro é, enfim (e como não poderia deixar de ser), irregular. Irregular no seu valor literário, nas experiências e nos estilos apresentados. Mas Luiz Ruffato, ele mesmo um grande escritor, sabe que essa diversidade deve ser apreciada com vagar, já que cada conto é um universo em si mesmo. A Literatura abre os olhos do leitor para novas concepções da vida. O livro organizado por Ruffato oferece essa possibilidade: são, pelo menos, 30 universos femininos a serem descobertos.
RUFFATO, LUIZ Luiz Ruffato nasceu em Cataguases (MG) em 1961. Publicou: Histórias de remorsos e rancores (histórias, 1998); Os sobreviventes (histórias, 2000), Menção Especial do Prêmio Casa de las Américas –; Eles eram muitos cavalos (romance, 2001), vencedor do Prêmio APCA de melhor romance de 2001 e Prêmio Machado de Assis de Narrativa, da Fundação Biblioteca Nacional; Come tanti cavalli (Milano, Bevivino Editore, 2003); Tant et tant de chevaux (Paris, Éditions Métailié, 2005); Eles eram muitos cavalos (Espinho, Quadrante, 2006); As máscaras singulares (poemas, 2002); Os ases de Cataguases (ensaio, 2002); Mamma, son tanto felice (Inferno Provisório – Volume I romance, 2005) e O mundo inimigo (Inferno Provisório – Volume II romance, 2005), ambos vencedores do Prêmio APCA de melhor ficção de 2005.
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