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Invençao De Morel, A


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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do Leitor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
 - 13 x 19 cm  - Peso 0,160 Kg 1ª Edição - 2006

136 pág.
Sinopse

'A invenção de Morel', romance do argentino Adolfo Bioy Casares (1914-1999), foi publicado originalmente em 1940. Narrado por um fugitivo da justiça, conta a história de sua busca por esconderijo e salvação numa ilha deserta. Após um período solitário, o narrador se surpreende com a presença de pessoas no local. Ele não sabe como elas chegaram lá e nota que seus modos são anacrônicos e seu cotidiano, repetitivo. Atordoado com as mudanças, a princípio evita as pessoas, mas a paixão que brota por uma das visitantes da ilha o leva a quebrar o isolamento. Aos poucos se aproxima dela e de seu mundo e descobre que se chama Faustine. Tenta falar-lhe, mas ela não o ouve, nem o vê. Instigado pelo desejo, ele busca nas entranhas do lugar alguma explicação para o alheamento de Faustine. Obcecado pela moça, assiste ao assédio de outro visitante a ela e sente ciúme. Aos poucos, o mistério se desata. Morel, o homem que assediava Faustine, construíra uma máquina capaz de extrair das coisas e das pessoas uma espécie de essência. O narrador supõe então que Morel recorreu à máquina porque fracassara em sua tentativa de seduzir Faustine, captando secretamente imagens durante uma semana de veraneio e, graças ao movimento da maré, que fazia funcionar seu invento, deixou-as serem reproduzidas eternamente, numa espécie de filme dotado de todas as dimensões possíveis. Esclarecido o enigma, o narrador coloca-se diante de um dilema - contemplar Faustine eternamente ou usar a invenção de Morel, inserir-se em suas imagens e passar a viver no mesmo mundo de Faustine.
Opinião do Leitor:

Marcos  /  Data:  3/10/2006
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ótimo
Um livro maravilhoso e profundo. Em poucas páginas o autor consegue um efeito soberbo. Vale a pena ser lido com atenção pois a leitura não é muito fácil.


Carlos A F Rocha  /  Data:  21/6/2006
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Curiosidade
Tenho uma ediçao deste excelente livro, do falecido Circulo do Livro, onde o titulo eh ''A maquina fantastica''.


Luis Eduardo Marcondes Machado  /  Data:  8/6/2006
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Instigante
Em ''A Invenção de Morel'', Bioy Casares nos leva a uma reflexão do que é real ou irreal em nossa vida. O quê existe e o quê é produto de nossa mente, é a linha mestra deste livro. O final é surpreendente, fazendo-nos refletir se teríamos as mesmas reações. Leitura cativante, é um livro que nos prende pelo texto preciso, limpo e profundo - na alma humana. Grande livro.

Saiu na Imprensa:

O Globo  /   Data: 17/6/2006
Em Bioy Casares, a imortalidade vista como prisão
Escritor não foi apenas um co-autor de Borges, mas mestre da literatura que construiu uma obra autônoma e rica

Quando se fala de "A invenção de Morel", a mais importante narrativa do escritor argentino, Adolfo Bioy Casares (1914-1999), a ênfase recai, sempre, na intriga admirável, que eletriza o leitor nas enxutas 136 páginas. De fato, em um século literário dominado pela fragmentação, pela introspecção e pelo experimentalismo, como foi o século XX, a literatura de Bioy Casares parece dissonante e, mesmo, surpreendente.

Mas será, de fato, a qualidade da trama que distingue o livro? Não será a ênfase no enredo mais uma estratégia, discreta e até enobrecedora, para desmerecer e diminuir a literatura de Casares? Ele - que foi não só o maior amigo, mas o grande parceiro intelectual e literário de Jorge Luis Borges - costuma ser tratado, com benevolência odiosa, como um sub-Borges. Um "escritor assistente".

Um "recurso barato" que se tornou importante

A miséria dessa visão atinge não só "A invenção de Morel", mas toda a literatura de Bioy Casares, que inclui livros magníficos como "O diário da guerra do porco", "A trama celeste" e, entre os que escreveu a quatro mãos com Borges, as célebres "Crônicas de Bustos Domecq". Ela afeta, e determina, também uma maneira de ler Bioy Casares e, em particular, de ler "A invenção de Morel". Leitura que, se valoriza sua vocação para as tramas impecáveis, deprecia, ou mesmo anula, os aspectos mais vitais de seus livros.

Em um longo diálogo com o jornalista argentino Sergio López ("Palavra de Bioy", EmecéEditores), Bioy Casares rememora como lhe veio a idéia do livro. Passava uma temporada no campo quando, um dia, por pura distração, pôs-se a imaginar a possibilidade de invenção de uma estranha máquina, capaz de reconstruir integralmente um ser humano. Uma máquina, como disse, "que pudesse estender a todos os sentidos o que o fonógrafo conseguiu para os ouvidos, e o espelho para os olhos". Depois, ele se deu conta de que esta máquina, se não podia ser inventada, podia ser criada em uma narrativa, já que a literatura não conhece limites, ou impossibilidades. Foi o que fez.

Pois é justamente a célebre máquina, criada em "A invenção de Morel", que, uma vez o livro pronto, lhe pareceu a parte mais defeituosa da história. Um "recurso barato", definiu. Contudo, é esse recurso e suas repercussões na trama que os críticos, em geral, apontam como o elemento-chave do livro. Sem perder o senso de humor e a visão informal que tinha da literatura, Casares observa na mesma conversa que, de todo modo, sentia-se um afortunado por ser o inventor da história de um fugitivo da Justiça que chega de bote a uma ilha deserta, dorme por um tempo e, na manhã seguinte, é despertado pela música "Tea for two", o clássico que Vincent Youmans escreveu em 1924, uma de suas canções favoritas.

"A invenção de Morel" é, em parte, o resultado do grande interesse de Casares pelas coisas do pensamento; que para ele se aproximavam menos da seriedade e mais do prazer. Desde cedo, sua atenção se voltou não só para a literatura, mas também para a filosofia. Filho de família burguesa, levou vida confortável, leu muito e viajou muito. Para ele, o conhecimento era um tipo nobre, mas delicioso, de jogo; daí seu interesse, ainda, pela literatura policial, que praticou, a quatro mãos, com a mulher, Silvina Ocampo.

A trama de "A invenção de Morel" está entre as mais requintadas produzidas pela literatura hispano-americana no século XX e relata a história de um homem que teve sua vida abalada por uma descoberta. Um fugitivo venezuelano consegue escapar da Justiça abrigando-se no arquipélago Ellice, no Pacífico. As ilhas estão desertas, pois foram devastadas por uma misteriosa epidemia. Apesar disso, um grupo de turistas passeia tranqüilamente pelas praias. O herói de Casares se apaixona por uma das mulheres do grupo, amor que o leva a desvendar o segredo daqueles viajantes.

Duplos, ou espectros, revivem cenas passadas

Anos antes, a mesma ilha de Ellice fora visitada por um certo Morel, inventor de uma supervitrola capaz de gravar em discos não apenas sons, mas formas, cheiros, uma imagem completa da realidade. Morel e seus amigos morreram por causa das radiações emitidas pelo aparelho. Mas seus duplos, ou espectros, continuaram a rondar pela ilha, e a reviver as cenas passadas, a repeti-las infinitamente. A imortalidade é vista, nesse caso, como uma prisão.

A trama é, sem dúvida, engenhosa. Mas, como nos diz Otto Maria Carpeaux em texto crítico que serve de posfácio, embora o livro seja uma sátira, "o objeto da sátira não é a técnica e, sim, a condição humana". Carpeaux destaca um aspecto que costuma ser desprezado pelos leitores modernos da obra: a maneira como Casares usa histórias habilidosas para fisgar, nas entrelinhas, os mais graves dilemas humanos. Nesse ponto, foi discípulo aplicado do inglês H. G. Wells (1866-1946). O nome de seu misterioso inventor, Morel, joga com o nome de Moreau, o protagonista de "A ilha do Dr. Moreau", que Wells publicou em 1896. Como Morel, o lendário Moreau, um médico refugiado em uma ilha tropical, se põe a criar seres monstruosos.

"Estar numa ilha habitada por fantasmas artificiais era o mais insuportável dos pesadelos", diz o fugitivo de Casares. "Estar apaixonado por uma daquelas imagens era pior do que estar apaixonado por um fantasma". Publicado em 1940, "A invenção de Morel" antecipa alguns dos dilemas existenciais que, dominam nosso novo século. Era de duplos, clones, realidades virtuais.

A grandeza da novela ultrapassa, em muito, sua brilhante oficina técnica. Reduzir sua imagem à de competente artesão em oposição ao grande Borges, sem dúvida genial - é uma maneira, odiosa, de diminuí-lo. Pois que se leia "A invenção de Morel", sua grandeza como escritor está toda ali.

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