Carolina Leão
O pop, por mais superficial que pareça, tem se tornado um campo fértil de discussão filosófica. Se as consolações de
Platão via best-sellers não fazem efeito para quem busca a auto-ajuda disfarçada em saber, o mesmo não se pode dizer dos livros que unem quadrinhos, música, romance e filosofia. Sobretudo pelo fato desse estilo não ter como objetivo apaziguar o ânimo do homem contemporâneo. É diversão e curiosidade, como a coletânea de ensaios sobre o desenho
Os Simpsons lançada ano passado no Brasil pela editora Madras.
Os Simpsons e a Filosofia é prova de como o debate considerado exclusivo das universidades se instala com espontaneidade na cultura de massa.
Em 18 artigos é possível confrontar dilemas éticos, políticos e estéticos no universo da bem-sucedida animação norte-americana. Ao mesmo tempo em que promove a aproximação entre ambientes aparentemente distintos, o livro permite a reflexão sobre a longa vida da série. Ainda: há a desmitificação de que para se fazer filosofia é necessário um grande questionamento acerca da existência humana. Basta, por exemplo, as travessuras de Bart.
O grande nome dessa tendência, no entanto, é o jovem escritor
Alain de Botton. O suíço radicado na Inglaterra tem se especializado na produção de obras que versam sobre o conteúdo filosófico dos cânones literários bem como das lições que os mestres do saber podem passar. Em todos os seus livros, sejam ensaios (
Ensaios de Amor) ou romances (
O Movimento Romântico), há o flerte com a filosofia em citações pop.
Como Proust pode Mudar sua Vida e
As Consolações da Filosofia são os mais representativos.
Botton fala para um público jovem, ansioso por informação. E fala sobre Mointagne, Nietzsche, Epicuro. Compõe uma atmosfera simbólica com histórias de amor, refrãos pop e promessas de felicidades como pano de fundo.
Pablo Capistrano, em
Pequenas Catástrofes, segue caminho semelhante. Best-seller em Natal (RN), o livro tem sua trama construída em cima de recortes e citações filosóficas que se misturam às referências do próprio autor (Pixies, Sonic Youth, Nietzsche, Wittgenstein).
Capistrano leva sua idéia também ao espaço virtual onde a junção entre as duas culturas são destaque.