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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
1ª Edição
- 2004
192 pág.
A modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido. Zygmunt Bauman investiga nesse livro de que forma as relações tornam-se cada vez mais 'flexíveis', gerando níveis de insegurança sempre maiores. A prioridade a relacionamentos em 'redes', as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade - e freqüentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual -, faz com que não saibamos mais manter laços a longo prazo. Mais que uma mera e triste constatação, esse livro é um alerta - não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas também a capacidade de tratar um estranho com humanidade é prejudicada.
Opinião do Leitor:
Clarisse / Data: 15/10/2009 Conceito do leitor: | (opine)
Genial!
Autor essencial para qualquer um que pretende entender o mundo em que vivemos! Absolutamente incrível!
Wanderley Rocha de Azevedo Goulart / Data: 7/7/2009 Conceito do leitor: | (opine)
Fim sem início
Tenho notado, preocupado, que as minhas relações amorosas não tem passado de um ano. Estava achando que o problema era comigo. Porém este livro me foi indicado por uma amiga que está no terceiro ano de psicologia. Consegui me enxergar atolado nesta reciclagem amorosa contínua até o pescoço. Preciso fazer algo, eu não concordo com este tipo de relação. E não havia percebido que é uma nova realidade do pós-modernismo. Mas acredito que é possivel mudar o todo, estudando e enxergando estes fatos que muitos, como era meu caso, acreditam, que seja um problema pessoal. Há um certo sentimento de que uma relação já começa com data de validade, é horrível isto. Obrigado, Bauman, por fazer algo para melhorar nossa sociedade.
RUBENS ELIAS DA SILVA / Data: 24/10/2008 Conceito do leitor: | (opine)
O AMOR NOS TEMPOS DE SOLIDÃO VOLUNTÁRIA
Neste livro, Bauman aplica sobejamente o conceito de liquidez às relações afetivas nos tempos de modernidade tardia. Este texto é uma reflexão sucinta e lúcida das sérias transformações sociais, econômicas e políticas que a sociedade pós-guerra atravessa. Estas transformações fragmentam não só os conceitos de solidariedade, alteridade e companheirismo, mas a própria forma de os sujeitos enxergarem a si mesmo e aos outros. É um livro para ler e refletir. Vale a pena.
Diário de Pernambuco /
Data: 11/6/2006 Amor romântico só se concretiza na fantasia
Incapacidade de lidar com o afeto e proliferação da cultura de consumo, em que a satisfação pessoal está acima de qualquer coisa, enfraquecem as relações
Carolina Leão
A chegada do Dia dos Namorados sempre foi um problema para o tradutor Felipe Teixeira. 'Desde a adolescência, nunca consegui comemorar a data acompanhado. Se tinha namorada durante a época, arrumava um jeito para acabar o relacionamento. Quando estava só, me sentia deprimido', afirma. Felipe, 31 anos, começou a fazer terapia há três anos para resolver um problema antigo. 'Hoje, consigo ver claramente que idealizava demais minhas relações, nada era perfeito ou como eu queria que fosse', comenta. Um dos motivos mais freqüentes da ida às cartomantes e aos consultórios terapêuticos, o amor (ou a incapacidade de lidar com ele) se tornou uma quimera, distante da realidade.
O mito de Tristão e Isolda, baseado num conto popular celta datado do século 12, ganhou novos contornos dramáticos que surgem, por exemplo, na impossibilidade de consumação do desejo em amantes cuja ligação é estabelecida pela distância - como no caso dos namorados virtuais. A bióloga Érica Neves é casada há 7 anos e costuma freqüentar salas de bate-papo em busca de parceiros que possam satisfazer desejos que ela não encontra no seu casamento. 'Sei que não passa de delírio da minha cabeça. Mas o que eu recebo com meus amantes virtuais, acabo revertendo para o meu marido. É uma forma de aquecer o casamento', comenta. Os personagens Tristão e Isolda protagonizam também o novo filme de Kevin Reynolds, que estréia no próximo dia 23, em todo o país.
A história do casal que, de tanto amar, acaba morrendo pode não ser o objetivo real de um casal apaixonado. Porém, é a intensidade e a magia que envolvem esse tipo de sentimento o alvo dos enamorados contemporâneos. 'O primeiro ponto a chamar a atenção é a relação entre amor romântico e individualismo, que só é possível mediante uma concepção moderna de mundo. O próprio mito de Romeu e Julieta é isso. Dois adolescentes que rompem com a tradição para viver uma história de amor. Ele traz consigo uma contradição porque esse desejo de amor só é possível na morte', afirma Roberta Campos, professora do departamento de antropologia da UFPE. Para psicanalistas como Jurandir Freire Costa, autor de 'Sem fraude nem favor', ensaios sobre o amor romântico, esse tipo de atividade só provoca sofrimento. Tê-lo como referência é, na verdade, nadar contra uma maré hedonista provocada pela cultura de consumo, que exalta a satisfação pessoal acima de qualquer coisa.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman também acredita que a sociedade de consumo impossibilita o afeto. No livro 'Amor líquido', ele utiliza o termo liquidez, vindo da economia, para explicar como os relacionamentos atuais são pontuados pela noção de rentabilidade. 'Para Bauman, as pessoas estão sempre calculando os riscos de suas escolhas. Se estou numa relação que não é prazerosa ou se ela entra em choque com as minhas realizações individuais, o vínculo se enfraquece. É uma eterna busca de maximização do prazer. Há uma dificuldade de lidar com a dor e ela se torna quase marginal. Quem sofre é rejeitado porque os valores são de sucesso e felicidade. Mas como as pessoas não encontram esse ideal, tornam-se frustradas', completa Roberta.
O médico Diogo Holanda, de 26 anos, admite que conservar o amor em seu vigor dá trabalho. 'É preciso sair da rotina. Mas às vezes não dá. O dia-a-dia das contas, dos pagamentos, do trabalho, tudo isso enfraquece o relacionamento', comenta. É na fantasia que se vive, entretanto, a utopia do amor romântico. O cinema hollywoodiano e suas comédias românticas são uma verdadeira fábrica da paixão sem riscos. Mas nada bate a série Romances, que coloca no mercado brasileiro os livros Júlia, Sabrina e Bianca. São cerca de 2 milhões de exemplares vendidos por ano. A gerente de produto da editora Nova Cultura, Daniella Tucci, diz que recebe centenas de correspondências por mês com palpites sobre histórias de príncipes encantados modernos. 'Os romances têm que ter final feliz. Se chega no final e eles não terminam juntos, a gente não publica. As leitoras são muito exigentes e ligam reclamando até quando os personagens não combinam com a foto publicada', diz.
BAUMAN, ZYGMUNT Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde ocupou a cátedra de sociologia geral. Em 1968 emigrou, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha, onde em 1971 tornou-se professor titular de sociologia da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos.
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