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Breves Entrevistas Com Homens Hediondos


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Ficha Técnica Saiu na ImprensaOpiniao do LeitorSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2005

372 pág.
Sinopse

Nos 23 contos que compõem o volume de 'Breves entrevistas com homens hediondos', David Foster Wallace explora alguns de seus temas favoritos, como dependência de drogas, depressão, sexo, relacionamentos românticos, a mídia e as barreiras de comunicação que impedem as pessoas de compartilhar seus sentimentos. Sua capacidade de penetrar minuciosamente nos tormentos psicológicos dos personagens, aliada a um estilo irônico e repleto de experimentalismo formal, define-o como um dos mais inventivos autores da nova prosa americana.
Opinião do Leitor:

Bruno  /  Data:  31/7/2009
Conceito do leitor:  Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)

sublime
apenas um ou dois dos vários contos de ''breves entrevistas'' já valem o livro. talvez o único autor q tenha me perturbado de maneira semelhante seja Ian McEwan. é difícil continuar o mesmo depois de ler foster wallace


joao massarolo  /  Data:  13/11/2008
Conceito do leitor:  Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)

bom para se ler em tempos de crises
Breves entrevistas com homens hediondos é uma leitura diferente de tudo que se espera de um romance. tem notas de rodapé, citações etc
mesmo assim, cativa o leitor pela dignidade do texto.

Saiu na Imprensa:

Correio Braziliense  /   Data: 13/8/2005
Sensações no microscópio
Desorientadora e fragmentada, a literatura cerebral de David Foster Wallace é apresentada aos brasileiros com a edição do livro de contos Breves entrevistas com homens hediondos

Tiago Faria

O talento para a polêmica não é mera estratégia de marketing para David Foster Wallace. Faça o teste: digite o nome do escritor norte-americano em qualquer um desses mecanismos de busca de páginas da internet. O resultado será uma série de elogios para um autor com "obsessões excêntricas, que lembram Edgar Allan Poe" (segundo o New York Times) e que conjuga as qualidades de "humorista e pensador" (The Wall Street Journal), e uma fileira de comentários sarcásticos contrários a um autor "exibicionista" (o leitor A.B. Wright), "prolixo" (o leitor Mike Stone), "chato e irritante" (o leitor J. Bosiljevac). Capaz de polarizar a crítica e o público norte-americanos, Wallace é um artista à moda antiga: um provocador avesso a concessões, mergulhado em uma prosa enfeitada de idiossincrasias, complicada e incômoda até por birra.

A confusão que choca os leitores é, para o escritor, sinal em sucesso. Em entrevistas, Wallace já chegou a dizer que quer fazer literatura desorientadora e pouco confortável - assim, do jeito como é o mundo em que ele vive, em que você vive. O livro de contos Breves entrevistas com homens hediondos , que a Companhia das Letras lança no Brasil, ainda é a forma menos dolorida de conhecer a estranha, e cerebral, lógica do escritor - antes dele, escreveu o romance de 1.079 páginas Infinite jest , de futurismo dos mais sarcásticos e tristes. Nos 23 textos, estão espalhados fragmentos de um autor que, de muitas formas, destoa da própria geração de contistas (e romancistas, já que esse também é o ramo de Wallace) dos Estados Unidos. A principal delas: a fixação de Wallace por experimentações formais supera, em muitos casos, as reflexões sobre os estados de espírito de quem vive em um ambiente em que um bom número regras sociais perdeu o sentido.

Antes de definir personagens e situações, o autor está deslumbrado com o próprio processo da escrita. Wallace usa a literatura como microscópio para seres humanos, mas também para os próprios clichês literários. Ele assume que os jargões publicitários e os modelos prontos de texto - de formulários, memorandos, programas de computador - fazem parte do contexto dos contos e romances. Nesse aspecto, Breves entrevistas demonstra a ansiedade do escritor nessa exploração das tantas formas em que a palavra é usada por aí, hoje. Em A morte não é o fim, usa a estrutura enciclopédica para detalhar um traço minúsculo da rotina trivial (quase ridícula) de um escritor muito premiado, muito respeitado. Na série de Breves entrevistas (que divide-se em quatro contos), revela as respostas dos entrevistados, mas salta as perguntas. São diálogos com interlocutores ocultos.

As sérias brincadeiras vão um pouco além quando, em Octeto, Wallace adota o formato de "pop quiz" e pede que o leitor defina o destino de personagens marginalizados. Ou como, em A pessoa deprimida, parodia as "muletas" da literatura científica ao fazer com que as notas de rodapé saiam tão ou mais extensas que o próprio conto. Esses e outros são jogos de linguagem que podem parecer gratuitos (e não está totalmente errado quem nota que Wallace muitas vezes usa a literatura como espelho para a própria literatura, como viagem em torno das próprias habilidades), mas o contraste entre o que o escritor diz e como diz garante uma série de níveis de leitura aos textos - que, para a sorte de Wallace, raramente parecem transformar os personagens em meros instrumentos para o laboratório de palavras.

Quando o autor deixa, as pessoas que habitam os contos sofrem em redomas de intimidade, isoladas em sensações que podem durar poucos minutos - mas que são amplificadas em longos parágrafos, em frases que não fazem questão de chegar ao ponto final. É aí que Wallace demonstra o talento de extrair o máximo do mínimo. Observa a apatia que se esconde no velho escritor de A morte não é o fim, os sutis códigos de convivência entre pai e filho em O diabo é um homem ocupado e, principalmente, a angústia do menino de 13 anos em Para sempre em cima- nesse conto, Wallace enxerga em um momento específico (o movimento de subir em um trampolim e se jogar em uma piscina lotada de gente) uma série de símbolos para uma história maior, sobre o "salto no vazio" que é transitar do lado de lá (a infância) para o lado de cá (a idade adulta).

Ao levar a extremos o choque entre uma prosa detalhista e emoções de difícil definição, Wallace pode ser pedante de tão enclausurado na própria caverna estética (é o caso de contos "ilegíveis" como Datum centurio). Mas tem sempre a sensibilidade de se dedicar ao indivíduo de uma forma quase clínica. Como se analisar as diferenças de cada célula fosse a chave para desvendar um ser vivo assustador de tão complexo. A impressão que fica em Breves entrevistas com homens hediondos é que Wallace ainda está maravilhado diante dessas primeiras observações. Seria o nascimento de um grande cientista?

Sobre o autor:

SIQUEIRA, JOSE RUBENS
Nascido em Sorocaba (São Paulo) em 1945, é dramaturgo e roteirista de cinema. Obras publicadas: Viver de teatro - Uma biografia de Flávio Rangel. São Paulo, 1995. Dominique Wolton - Elogio do grande público - uma teoria crítica da televisão (trad.). São Paulo, 1996. Fredric Jameson - As sementes do tempo (trad.). São Paulo, 1997. Peter Burke - O renascimento italiano, cultura e sociedade na Itália (trad.). São Paulo, 1999.

WALLACE, DAVID FOSTER
David Foster Wallace nasceu em 1962, em Ithaca, Estados Unidos. É professor de literatura no Pomona College, em Claremont, Califórnia. Vencedor do cobiçado prêmio MacArthur Fellowship (1997), é autor de dois outros livros de contos, dois romances e uma antologia de ensaios e artigos.


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