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ISBN: ISBN-13: Livro em português
Brochura
- 12 x 18 cm
1ª Edição
- 2005
160 pág.
Para o jovem Antoine, a inteligência e a consciência crítica se transformam em empecilhos para alcançar a felicidade na sociedade atual. Por isso, o anti-herói criado pelo autor francês decide investir na idiotice como forma de sobrevivência. Decidido a parar de sofrer por causa de uma consciência que o impede de aceitar as injustiças do mundo, Antoine tenta sem sucesso virar alcoólatra, suicidar-se e até fazer uma cirurgia para retirar uma parte do cérebro. Mas a redenção de Antoine vem com o emprego numa corretora de ações de um ex-colega de escola. O protagonista passa então a freqüentar o mundo dos bem-sucedidos executivos financeiros de Paris, fica milionário de uma hora para outra, e tenta de todas as maneiras se adaptar à sua nova condição. Mas entre um intervalo e outro do antidepressivo Felizac, o herói fica vulnerável ao seu próprio veneno, ou seja, seu cérebro ainda dá sinais de estar vivo e sua dificuldade de sentir-se um membro efetivo da sociedade vem à tona. Até que o 'resgate' de fato acontece, de uma forma nada convencional, para concluir, depois de uma série de experiências que beiram o surreal, a história engendrada pela imaginação fértil do autor.
Opinião do Leitor:
Alberto Chassot / Data: 28/8/2008 Conceito do leitor: | (opine)
COISA DE MENININHO BOBO E ESTÚPIDO
O livro é infame, sem graça, mal escrito e tedioso. Só poderia ter vindo da França, onde fez grande sucesso e o escritor mais lido, tal como cá, é Paulo Coelho. E pensar que a França já nos deu Maupassant, Balzac, Flaubert, Camus e etc. Candidato a fazer sucesso num país culturalmente indigente e literariamente infame como o Brasil que nos deu e dá Jorge Amado, Rubem Fonseca, LF Veríssimo e outros que, felizmente apaguei da memória.
Cristiane / Data: 7/4/2008 Conceito do leitor: | (opine)
Inteligente e bem humorado
Um livro conciso e enxuto. O autor faz um critica divertida e crua aos valores da classe media. Com um humor sedutor o autor nos conduz a uma linha de raciocionio inteligente e a uma critica extremamente necessarioa num mundo que cultiva cada vez mais a passividade intelectual. fantastico!
Ionara / Data: 23/3/2008 Conceito do leitor: | (opine)
Hilário!!!
Se você já não assite televisão há algum tempo, tem pouco para conversar em comum com a maior parte das pessoas e todo mundo vira a cara com a sua opinião....Este é seu livro de cabeceira!! Quase morri de rir com a nada sutil crítica da vida moderna deste autor,nada melhor que um francês para poder fazer estas loucuras: tentar alcoolizar-se, tomar aulas de suicídio, pedir uma lobotomia e enfim encontrar a chave para a adaptação: usar medicamentos legalmente prescritos!! Engraçadíssimo, porém perdeu-se um pouquinho no final, acho que ainda estava sobre efeito alienante da medicação pois só coneguiu finalizar com um americano Happy End! Que pena.
Correio Braziliense /
Data: 21/5/2005 Estupidez ou lucidez
Atração na Bienal Internacional do Livro, Martin Page escreve e fala sem medo
Tiago Faria
RIO - Comprar o Produto pelo rótulo, no caso, pode ser mais perigoso que de costume. Como me tornei estúpido não é um elogio à ignorância, nem o nome de um desses tantos livros que parodiam a onda de manuais de auto-ajuda. Debaixo do título anedótico, esconde-se um autor que, dono de uma prosa concisa e direta, arrisca-se o tempo todo a cair em rótulos apressados. Há quem veja no gosto que demonstra por fábulas uma tentativa imatura de decalcar Voltaire e Oscar Wilde. Outros enxergam nos momentos mais fantasiosos do livro (de estréia!) uma quedinha pelo surrealismo. Chegaram a compará-lo (e nem o próprio autor entende o motivo) a Paulo Coelho. "Eu já esperava por esse tipo de coisa. Quando um autor novo entra em cena, você tem que encontrar uma forma de apresentá-lo. Mas as pessoas vão um pouco longe demais", disse, aos risos, em entrevista na 12ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.
No contar das páginas, fica até fácil odiar Page. É um autor sem medo da comédia e da ironia, sem problemas em parecer muito acessível, sem pudores de aceitar seres irreais em tempos de Harry Potter, com disposição de arriscar divagações filosóficas em linguagem cristalina (e sem parecer como uma filial de O mundo de Sofia). No Brasil, Como me tornei estúpido, com dois meses de lançado, está na terceira edição e vendeu cerca de 6 mil exemplares. Feito capaz de jogar Page em um time restrito: o de autores que conciliam apelo popular com tentativas pouco óbvias de refletir sobre literatura e a própria geração.
Enquanto a conterrânea Lolita Pille , de Hell e Bubble gum , vê o ocaso dos jovens ricos, fúteis e (pela lógica simplificadora da literatura da escritora) abomináveis da França, Page prefere uma opção menos automática. Cria um personagem que funciona de espelho para um grande número de leitores que se interessa por este livro - e, aos poucos, aponta que a crise daquele jovem está, em boa parte, na forma como ele optou por encarar a própria vida. Antoine é um sujeito tão inteligente que, segundo ele próprio, sente-se diminuído em uma sociedade que valoriza a burrice. Mas quem estaria errado: o mundo ou Antoine?
Nos primeiros capítulos, Page coloca o leitor na posição de defensor incondicional do modo exageradamente pessimista como Antoine enxerga a própria rotina. Sem namorada, com poucos amigos, o rapaz descobre que foi excluído da vida em sociedade pelo fato de preservar a aparência de uma pessoa inteligente. "Ele constatara muitas vezes que inteligência é palavra que designa baboseiras bem construídas e lindamente pronunciadas, e que é tão traiçoeira que freqüentemente é mais vantajoso ser uma besta que um intelectual consagrado", aponta logo o primeiro parágrafo do livro. Eis a bandeira de Antoine, e aí reside o desejo que abraçar o que considera ser "estupidez".
E o que significaria ser estúpido? Para nosso herói, é encarar as coisas de uma forma maniqueísta, sem buscar o tempo todo a complexidade nas coisas, sem se preocupar em ver programas bobos de tevê, sem ter vergonha de ganhar muito dinheiro com empregos burocráticos - e ter roupas novas, carros do ano. No decorrer do livro, Antoine conseguirá ter tudo isso, e é nesse percurso que Page desconstruirá lentamente as certezas do personagem - e, de quebra, as do leitor. Não é um livro sobre um mundo cruel em curto-circuito de valores (ainda que, indiretamente, chegue a isso), mas sobre um jovem insatisfeito com a condição de isolamento que tomou diante da vida - mas sem o manual de instruções para escapar da bolha de sabão em que se meteu.
Antoine até tenta. O suicídio, o alcoolismo e, finalmente, a estupidez. Não são saídas das mais eficientes e, entre uma ilusão e outra, mantém relacionamento cada vez mais distanciado com amigos que, de tão bizarros (um deles, submetido a fortes doses de fósforo quando criança, chega a brilhar no escuro), parecem feitos de imaginação. Para Page, a salvação do protagonista pode estar em aceitar o amor, em compartilhar a própria inteligência com a inteligência do outro. Para um livro que pode até provocar suspeitas (pelo título, até) de reflexo de uma geração egoísta por excelência, é uma conclusão surpreendente de tão madura, de tão fora de moda.
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