Livraria Cultura
 
Cesta de Compras 0 item R$ 0,00
DVDs CDs Games Hotsites Eventos
Busca

Imperador, O

A Queda De Um Autocrata


Clique e veja as localidades, horários e condições.
Disponibilidade de acordo com a quantidade de produtos em estoque.

Preço R$ 
em até 3x de R$ 13,50
sem juros no cartão


Comprar

Ficha Técnica Saiu na ImprensaSobre o Autor

ISBN: 
ISBN-13: 
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2005

200 pág.
Sinopse

Considerado um dos mais importantes correspondentes estrangeiros, o polonês Ryszard Kapu´scin´ski chegou à Etiópia em 1974, logo após a queda do imperador Hailé Selassié I, que comandara o país durante 44 anos. O soberano havia sido destituído por uma junta militar, que o mantinha preso e perseguia os integrantes do regime deposto. Arriscando a vida, Kapu´scin´ski entrevistou às escondidas alguns dos ex-empregados do palácio - homens com ocupações inusitadas, como a de 'colocador de almofadas' ou de 'cuco' do imperador - e são estas as vozes que dão forma ao livro, identificadas apenas pelas iniciais de cada nome. Enquanto percorrem os bastidores do palácio, os depoimentos traçam um painel histórico e cotidiano do reinado de Selassié, tido pelo povo e pelos cortesãos como o 'Escolhido de Deus', o 'Reis dos Reis'. Publicado originalmente em 1978, e traduzido para o inglês em 1983, 'O imperador' projetou o autor internacionalmente e foi visto como uma crítica velada e alegorizante ao regime comunista da Polônia, sob influência da União Soviética.
Saiu na Imprensa:

Correio Braziliense  /   Data: 3/12/2005
Delírios imperiais
Depoimentos de serviçais de Hailé Selassié mostram detalhes de uma monarquia arcaica

Silvio Queiroz

Correspondente de guerra experimentado, Ryszard Kapuscinski cobriu para a agência estatal de notícias polonesa, PAP, 27 entre as dezenas de golpes de estado e revoluções que marcaram o pós-Segunda Guerra na África, Ásia e América Latina. Na Etiópia, esteve pela primeira vez em 1963, para acompanhar a primeira reunião de líderes africanos, e testemunhou o lauto banquete oferecido por Selassié experiência que, tudo indica, atiçou-lhe o faro de repórter para um mundo quase de fantasia que se pôs a investigar e desvelar em seguidas visitas nos 10 anos seguintes. Em 1974, com a queda do imperador, retomou a Adis-Abeba decidido a reconstituir com a riqueza possível de detalhes dos bastidores cotidianos de uma corte cuja suntuosidade foi tão exemplar quanto a pobreza extrema em meio à qual resplandecia.

Sua matéria-prima são os depoimentos que resultaram no livro. Funcionários e serviçais do palácio, alguns deles confessamente ávidos por perpetuar a memória do soberano – e, por extensão, dar sobrevida a uma época que sabem perdida -, descrevem as próprias experiências e reminiscências. Kapucinski, o repórter, abriu mão de editar os relatos: limitou-se a traduzi-los, por caminho tortuoso que começa em algum dos inúmeros idiomas e dialetos locais, passa ao francês, ao polonês e ao inglês, idioma em que O Imperador foi lançado para o mundo, pela primeira vez, em 1978.

O resultado, para o leitor, é quase uma experiência de regressão. Os mais treinados em exercícios de imaginação, ou os que guardem na memória as imagens da época, terão a impressão de estar assistindo à encenação do drama histórico. Para a maioria, contudo, há um universo de personagens e anedotas por descobrir. Quem imaginaria, como integrante infalível da comitiva,um encarregado de colocar almofadas sob os pés de Selassié, sempre que a altura do trono onde fosse sentar o impedisse de alcançar o chão com os pés? Ou um serviçal que se dedicou por 10 anos a rastejar aos pés de dignitários convidados a palácio... e enxugar de seus sapatos o xixi do cãozinho imperial? (Sim, porque mesmo aos honrados com o privilégio de estar de pé diante de sua majestade era vedado desviar os olhos para uma ocorrência assim mundana.) O desfile de vassalos, subalternos, súditos e serventes, com suas reverências cortesãs e intrigas, expõe mais do que fatos: mergulha no imaginário que sustentou interiormente os 44 anos de reinado de Selassié. Em certa medida, dispensa maior conhecimento prévio do "factual" que constitui a biografia convencional do soberano, e a história formal do país. Porém, passadas três décadas desde a queda da monarquia, e com a África mergulhada no esquecimento que lhe reserva até aqui a ordem mundial do pós-Guerra Fria,sena útil para o leitor brasileiro - em especial o de menos de 30 anos - o acréscimo ao menos de uma cronologia sucinta de Selassié.

Por ter escolhido a composição de seu personagem na forma de um mosaico, Kapuscinski oferece os fragmentos, conforme expressos pelas palavras de seus informantes, e dispensa contextualizações. Assim, a leitura pura e simples de O Imperador retratará um Selassié da maneira como era visto por aqueles que, como descreve um funcionário do inigualável Ministério da Pena (informações), disputavam cotidianamente um mero olhar do "venerável senhor". Dessa perspectiva, desvela-se o monarca que, ao menos no microcosmo de sua corte, encarna em si a idéia da nação, da pátria. Tal identidade está presente, entre outros, em um dos mitos fundadores da moderna nação-Estado européia: a gesta do rei Artur, que em época mais tardia forneceria substância para o romance de cavalaria.

Tirano venerado, o imperador etíope teve seu momento de personificar a própria nação em 1935, quando, ainda jovem e recém-entronado - ascendera em 1930, aos 24 anos -, desafiou a Itália de Benito Mussoli, então uma das potências militares em fase final de preparação para a Segunda Guerra. Exilado na Grã-Bretanha a partir de 1936, é reconduzido ao trono pelas tropas britânicas que desembarcam no país cinco anos depois, para ficar até 1952. É apenas por volta de 1960, coincidindo com a fermentação do movimento anticolonial no continente, embalado por um vago "socialismo africano", que o soberano etíope começa a sentir as primeiras trepidações políticas. Aparentemente alheio ao sentido que tomam as relações internacionais, na era marcada pelo confronto geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética (hoje extinta), Selassié torna-se cada vez mais prisioneiro de um "autismo autocrático".

O descompasso entre o cenário retratado desde os rodapés palacianos e a realidade tal como vista pela história convencional talvez escape ao leitor que não tenha familiaridade com a história recente da Etiópia. Em O Imperador, a revolução de 1974 é narrada da perspectiva daqueles que tinham um mundo a perder - o mundo próprio para o qual foram educados (ou melhor seria dizer "adestrados"), tendo Selassié como centro de gravidade e âmago. O lado oposto, o dos jovens oficiais reunidos na organização revolucionária conhecida como Dergue, forma imagens nebulosas nas quais se entrevê uma figura de contornos monstruosos e fantasmagóricos: o "povo furioso", capaz de violência insuspeitada contra o soberano dessacralizado. Aos olhos dos informantes de Kapuscinski, a fome que castigava o país soava como rumor distante, abafado por muralhas e veludos. Da mesma maneira, a "sovietização" da oficialidade jovem, fenômeno observado em diversos países vizinhos e até no distante Afeganistão - outra jóia cobiçada na geopolítica traçada pelo Kremlinparece ter escapado aos que cercavam o imperador, inclusive para protegê-lo. (Como é comum nas tiranias, chefes de espionagem e assessores palacianos dedicam mais tempo a vigiar-se uns aos outros, como rivais potenciais, do que a manter sob atenção os inimigos do Estado.)

A década de 70 foi marcada pelo recuo internacional dos EUA, derrotados primeiro na Guerra do Vietnã, depois nos conflitos armados que se seguiram à independência das colônias portuguesas na África - principalmente em Angola, onde jazidas de petróleo aguçaram apetites neocoloniais e envolveram na disputa tropas de Cuba e África do Sul -, no Irã tomado de assalto pelos aiatolás xiitas e por fim na América Latina, onde a guerrilha esquerdista sandinista derrotou a ditadura pró-Washington de Anastasio Somoza. Foi nesse contexto que a turbulência na Etiópia e a queda de Selassié representaram mais um tento marcado por Moscou no tabuleiro mundial, em outro ponto de importância estratégica: o Chifre da África, vital para o controle das vias de navegação entre o Mediterrâneo e os terminais petrolíferos do Golfo Pérsico. Não foi por outra razão que o regime soviético mudou seguidas vezes de lado na disputa travada entre Etiópia e Somália, em meio a severa seca e uma fome letal, pelo controle do deserto de Ogaden. Etíopes e somalis lutaram ambos com armas e conselheiros militares soviéticos, mas a queda do imperador de Adis Abeba garantiu para o novo regime o apoio de Moscou, agora já assentado numa aliança estratégica de longo fôlego, que incluiu o envio de tropas cubanas ao país africano.

O mergulho de Kapuscinski no universo mental e emocional da corte etíope tem, no entanto, o mérito de permitir ao leitor de hoje uma compreensão retrospectiva de como certos laços sociais e tradições culturais sobrevivem aos homens e às instituições humanas. O jovem oficial que assumiu o comando do regime em 1977, o coronel Mengistu Mariam, acentuou o caráter "socialista" e pró-soviético da revolução. Mas inseriu entre nome e sobrenome o Hailé do antecessor, com o significado de "poder" ou "poderoso”. Sob esse manto, instituiu um período de perseguição sistemática de opositores, dissidentes e remanescentes da velha ordem, período que ficou conhecido como "terror vermelho".

Hailé Selassié não era, afinal, o nome de batismo do imperador, que até assumir o trono era conhecido como o rás Tafari Makonnen. O título tradicional de rás, dado aos chefes tribais etíopes, ficou mais conhecido no Brasil, por algumas gerações, como questão freqüente em passatempos de palavras cruzadas. Menos conhecida, porém, é a devoção cultivada ainda hoje ao monarca pelos adeptos da religião rastafari, difundida a partir da Jamaica no embalo da música do reggae. Nas letras de Bob Marley e Peter Tosh, dois dos "ideólogos" do movimento religioso-musical, são recorrentes as menções a temas e imagens bíblicas, compondo uma teia religiosa em que se encontram elementos judaicos e cristãos. Selassié possivelmente não teve participação direta no nascimento do movimento rastafari, mas incorporava uma tradição pela qual os etíopes se entendiam como descendentes remotos do encontro entre o rei Salomão e a rainha de Sabá. Querelas religiosas à parte, o fato é que em meados dos anos 80, durante outro período de guerra e fome no Chifre da África, Israel organizou uma ponte aérea para retirar milhares de judeus etíopes, chamados falashas, e assentá-los em solo israelense.

Como para compor um epílogo para a história de Selassié, escrito à revelia do personagem, grupos de rastafaris jamaicanos iniciaram há alguns anos um movimento de "regresso à pátria-mãe", Instalaram-se em comunidades devocionais em um bairro de Adis Abeba, observados pelos locais com alguma curiosidade e muita desconfiança. O culto ao velho imperador, passadas três décadas de sua derrubada, não chegou a comover muitos etíopes: para estes, a miséria cotidiana - material e espiritual - não deixa lugar a saudosismos. Os caribenhos com seus cabelos trançados, sua música elétrica e seu inglês de difícil compreensão não chegaram a ser assimilados, nem tampouco repelidos: ficaram em seu canto, ignorados e quase esquecidos, mas sempre sob um precavido olhar vigilante, como um bando de jovens maconheiros um tanto esquisitos, porém pacíficos a maior parte do tempo. Mera curiosidade, que a maioria não entende como associar à memória do soberano que encarna os últimos momentos de glória de uma civilização que deu as costas ao passado mas vaga errante sem encontrar caminho para o futuro.


Veja mais
Sobre o autor:

KAPUSCINSKI, RYSZARD
Nasceu em 1932, em Pinsk (hoje Bielo-Rússia), então pertencente à Polônia. Desde 1954 é repórter da PAP, a agência de notícias polonesa, encarregado de coberturas no exterior, sobretudo na África e na América Latina. De 1964 a 1980, realizou matérias sobre 27 revoluções, golpes de Estado e insurreições diversas.


Compras relacionadas

Quem comprou este item também comprou:

Voltar
CAÇADOR DE PIPAS, O
EBANO - MINHA VIDA NA AFRICA
MINHAS VIAGENS COM HERODOTO
QUASE TUDO
TRAVESSURAS DA MENINA MA
LIVREIRO DE CABUL, O
MEMORIA DE MINHAS PUTAS TRISTES
BERLIM
INTERMITENCIAS DA MORTE, AS
NA PIOR EM PARIS E LONDRES
(livro) (livro) (livro) (livro) (livro) (livro) (livro) (livro) (livro) (livro)
Avançar
ATENÇÃO
Os pedidos deste catálogo estão sujeitos a alteração sem prévia comunicação.
Os pedidos ficam condicionados a disponibilidade do estoque da Livraria Cultura e de nossos fornecedores (editoras e distribuidores).

Agora você pode participar do nosso site inserindo seus vídeos, suas imagens e links para seu blog ou website. Clique nos ícones abaixo e participe!

Envie sua imagem relacionada
Envie seu vídeo relacionado
Envie seu link relacionado

Tags deste produto O que é isso?

Clique nas opções abaixo para atribuir Tags do produto às minhas Tags.


Minhas Tags deste produto O que é isso?

Para atribuir suas Tags para este produto, clique aqui e faça seu login.


Tagas mais populares da Cultura O que é isso?
Buscar Tags em todos os produtos


   Últimos itens visualizados
R$ 40,50
 

Entrega Foguete  
R$ 43,69
 

Esgotado na Editora R$ 117,45
 

R$ 50,40
 

R$ 98,00
 

Entrega Foguete  

Home | Direito de propriedade | Dúvidas (FAQ) | Quem somos | Nossas lojas | Suas compras | Frete | Fale conosco | Imprensa | Recursos Humanos | Seção - Livros | Gêneros - Filmes | Estilos - Músicas
São Paulo - Conjunto Nacional - 11 3170 4033 São Paulo - Shopping Villa Lobos - 11 3024 3599 São Paulo - Market Place Shopping Center - 11 3474 4033 São Paulo - Bourbon Shopping São Paulo - 11 3868 5100 São Paulo - Villa Daslu - 11 3170 4058


Porto Alegre - Bourbon Shopping Country - 51 3028 4033 Recife - Paço Alfândega - 81 2102 4033 Brasília - CasaPark Shopping Center - 61 3410 4033 Campinas - Shopping Center Iguatemi - 19 3751 4033
TrustSign Ebit Loja DiamanteInternet Segura Webboom RSS