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Estamos sempre a perder. Por vezes é tão sutil que nem percebemos a tarraxa do brinco que ficou pela rua, a moeda de dez centavos que caiu do bolso, os cem fios de cabelo que despencam diariamente, os milhões de células que se findam, o pôr do sol que se fez espetacular enquanto trabalhávamos diante do computador; perdemos a hora, o tempo preciso para um bolo no forno, o telefonema do amigo e também do telemarketing, a roupa que encolheu na secadora, a sessão do filme esperado no cinema, o guarda-chuva sob a mesa de um café; perdemos o instante em que um bebê aprendeu a sentar, em que uma criança descobriu um livro, o momento de expressar gratidão, a hora de mais ouvir do que falar.

Estamos sempre a perder. Por vezes é tão impactante que, por horas, dias, meses e anos, não sabemos como reagir. Algumas perdas são definitivas, e essas exigem algo a mais de nós. Exigiram do escritor João Anzanello Carrascoza aos 14 anos, quando seu pai morreu em um acidente de carro. Depois partiram sua avó e alguns amigos, ainda adolescentes, na pequena cidade de Cravinhos, interior de São Paulo, onde ele nasceu. Mas tais rupturas fizeram Carrascoza entender desde cedo o significado do estar no agora. Talvez por isso ele constantemente esteja a acessar o passado em sua literatura, mas a narrá-lo de forma presente. Ou melhor, exatamente por esses fatores é que sua produção literária – que já soma mais de 30 livros publicados, entre contos, romances e publicações para crianças e jovens; entre eles Aquela água toda, Aos 7 e aos 40, Diário das coincidências e Trilogia do adeus – seja toda preenchida de afetos. “Talvez o que faço seja uma literatura de despertamento, de dizer: olha, é bom ver essas coisas que movem nossas existências. O que sobra da vida senão elas?”, questiona o escritor, que durante 25 anos foi seguidor do mestre de ioga José Ramon Molinero (1922-2004), convivência que não só contribuiu para o conhecimento de seu próprio ser, mas também para sua identidade literária. “Foi um pai espiritual que ensinava coisas que não estavam no âmbito do terreno.”

Neste mês chega às prateleiras o novo livro de Carrascoza, Catálogo de perdas (Sesi-SP Editora). Selecionado pelo projeto Rumos Itaú Cultural 2015-2016, e feito em parceria com sua esposa, a artista visual Juliana Monteiro Carrascoza, o escritor encarou o desafio de criar múltiplos contos e narrar em primeira pessoa histórias variadas sobre perdas, algumas mais subjetivas, mas a maioria delas ligada à morte de alguém, seja um companheiro(a), mãe, pai, filho, amigo. A publicação é inspirada no acervo do Museum of Broken Relationships (Museu dos Relacionamentos Rompidos) de Zagreb, a capital da Croácia, onde o autor esteve em 2014. Foi a partir daí que ele teve a vontade de criar narrativas de perdas que, de alguma forma, têm relação com algum objeto específico que marcou a convivência entre as personagens..

Aos 55 anos, dos quais 30 foram dedicados à redação publicitária, Carrascoza, que é também professor na USP e orientador de mestrandos e doutorandos na ESPM, acredita que, tal como o poema Elegia, de Drummond, se a toda hora perdemos alguma coisa, um tanto de outras ganhamos continuamente. Pai de Lucas, de 20 anos, ele ganhou há um ano e meio a pequena Maria Flor. E com ela aprendeu, novamente, que entre perdas e ganhos só uma coisa interessa: viver.



Carrascoza, a partir do título de seu novo livro pergunto: estamos sempre a perder? É inevitável. O primeiro instante de sua vida é o instante que você ganhou, mas perdeu também, porque ele vai desaguar no fim. E no fim é a mesma coisa, ao mesmo tempo que se ganha se perde. A morte pode ser a perda, mas, se há crença em uma continuação, é um ganho.

Mas o que, em sua opinião, representa subjetivamente a perda do outro?
Perder o outro é perder um pouco de si também, que desaparece e com ele vai junto uma forma de você entender sua própria existência. Você fica sem o ganho dessa presença, uma visão de você por meio de outro, uma mediação de tua existência.

E quais são suas perdas?
Entre as principais estão meu pai, minha avó do lado paterno, perdas muitos fortes. E muitos amigos eu perdi quando era criança. Na cidade em que vivi, lá em Cravinhos, perto de Ribeirão Preto, as pessoas morriam afogadas em açude; perdi amigos que estavam andando de bicicleta na beira da estrada e foram atingidos por carros, um primo meu morreu assim, aos 8 anos. Depois, quando eu já estava com 14 ou 15 anos, amigos pegavam o carro do pai no fim de semana, porque não tinha fiscalização, e provocavam acidentes. Teve um que pegou a caminhonete do pai e atropelou uma pessoa; o menino que estava ao lado dele morreu dois anos depois fazendo racha. Ou seja, perdi direto muitos amigos e familiares. Por isso minha relação com a morte sempre foi muito presente, muito marcante; altera totalmente sua vida.

E isso obviamente marca sua literatura...
Tudo o que faço traz os aprendizados que tive, porque você acaba sendo escritor trazendo tudo o que você observou, tudo aquilo que você desfrutou também, aquilo que você enfrentou. Isso vai pautando seus temas também, eles vão virando suas obsessões, pois são a maneira como você vê o mundo, e as coisas estão aqui, mas amanhã podem não estar. Obviamente, deve ter gente para a qual a perda pode ser uma coisa mais esperada, nem sempre abrupta. Mas estou em constante suspeição, mas não por medo, porque sei que a morte pode acontecer. Ela pode acontecer a qualquer instante e quão difícil é suportar qualquer tipo de dor, qualquer tipo de perda. Portanto, nós teremos de enfrentar isso todo dia, a todo momento. Algumas são menores, algumas mais miúdas, subterrâneas ou superficiais, e outras realmente são transformadoras. Por isso que a minha literatura é sempre focando no estarmos aqui, focando neste momento.


Imagino que seja justamente por isso que a morte é um elemento que, de alguma forma, está tão presente em seus livros.
Sim, a morte está presente pelo aspecto físico ou, às vezes, ela é simbólica. E também é brusca, marcante, muito forte, porque enseja outro ciclo, destina outros rumos para aqueles que estavam vivendo. Então é também uma transformadora muito vigorosa, vem realmente para a metamorfose. Isso me interessa assim como o tempo, já que a morte é o limite do tempo. Acho que quase sempre o tempo figura nos meus textos como personagem, ele está ali organizando a história com o narrador ou com personagens secundárias. E, curiosamente, narro muito no presente, porque as coisas estão acontecendo à nossa vista. Então perceba que, no mesmo momento que elas acontecem, nós já estamos perdendo-as. Esse minuto, no momento em que ele se concretiza e a gente o vive plenamente, já é perdido.

No novo livro, Catálogo de perdas, quase todos os contos apresentam personagens que passaram por uma perda definitiva. Como nasceu a ideia dessa publicação?
Como você falou muito bem, os textos que escrevi, até antes desse livro, trazem muitas questões relacionadas com as perdas, com aspectos de ausência, mas digamos que elas são transfiguradas da minha existência. Já com o Catálogo de perdas, o que aconteceu é que fui convidado em 2014 para ir ao Festival Europeu de Contos, na Croácia. O Brasil era o país homenageado e foram quatro brasileiros na ocasião. E em Zagreb descobri que existe o Museu dos Relacionamentos Rompidos, muito pequeno, modesto, mas muito criativo. E o que tem lá? Ele tem objetos junto dos quais as pessoas enviaram uma carta contando a relação partida com alguém e a relação com aquele objeto. Então uma curadoria organiza, digamos, a edição do ano ou do biênio e deixa as peças lá expostas. E fui a esse museu, achei-o bastante simpático e percebi que é sempre alguém falando de uma relação quebrada, que não é necessariamente uma perda, e nem todas eram uma partida por conta de uma morte; as pessoas continuavam a viver, mas tinham quebrado uma relação. E a maior parte eram relações amorosas, românticas, mas tinha uma ou outra também familiar. E fiquei com aquela ideia, que era muito interessante. Depois, mais adiante, li o livro O museu da inocência, de Orhan Pamuk. É uma história na qual ele vai relatando os encontros que ele tem com a prima, por quem se apaixona e vai guardando os objetos, todas as coisas que ela toca. E vai fazer um museu, que é o nome do livro na história. Fiquei pensando que já escrevi muito sobre perdas, elas me tocam muito também, mas precisava escrever sobre perdas de outras pessoas, e achei que poderia trabalhar a expansão dessa ideia do Museu dos Relacionamentos Rompidos para as perdas definitivas, que são cortadas pela morte, que tivesse relações não apenas românticas e familiares, mas de toda natureza, que fossem díspares, que tivessem uma pluralidade, como se fosse uma espécie de um pequeno museu da vida que a gente vive, pequenos exemplos. Por isso o nome Catálogo, que entra por uma perspectiva de ser um livro no qual você abre e vai consultando em ordem alfabética.

E quais foram os desafios na confecção dessas histórias?
O livro tem sempre o foco narrativo em primeira pessoa, porque dá mais força ao sujeito contar a sua perda, e exigia de mim uma pesquisa que não tinha ainda como contista, pois tinha de escrever com um eu de idades variadas, encontrar uma perda que tivesse expressão, fosse significativa. E esse foi o desafio, porque eles são também espécies de contos curtos. Queria também que tivesse um volume de objetos relacionados aos tipos de perdas possíveis. E que a história não precisasse ser tão longa para isso. Que ela tivesse logo uma entrada e o conflito já aparecesse, e como o objeto passou a ser recordado pelo narrador em função da perda. E achei que o objeto podia corporificar um pouco esse episódio, essa cena, essa forma de rememorar. E daí veio a ideia de o livro trazer fotos que acompanhassem as histórias [a composição fotográfica foi feita pela artista visual Juliana Monteiro Carrascoza, com intervenção sobre imagens do álbum de família de sua avó e sua bisavó]. Então, quando eu propus o projeto para o Rumos Itaú Cultural, queria que fosse um desafio para mim, porque como escritor você tem de se desafiar. Não queria fazer de novo o que eu sei fazer, então saí dos romances e quis fazer um outro tipo de conto, de menor extensão, mas que me traz novamente ao universo da perda, da dor.

Ainda que você conte as perdas pelas vozes de outras pessoas e tenha inventado rupturas que não fazem parte de sua trajetória, ainda assim sinto ao ler Catálogo de perdas que aquelas perdas que estão ali são, de alguma forma, parte, mesmo que mínima, de sua memória.
Acho que a memória, sendo acessada pela escrita ou valendo-se da escrita para buscar o tempo que foi, faz a gente viver esse tempo e o reconstruir por meio de uma sensibilidade da linguagem que a gente não tem mais acesso. Ou seja, o tempo passado é o nosso ganho, a gente o viveu, mas ele ainda faz parte de nós, da nossa existência, se a gente souber conectá-lo por meio da memória. Ao mesmo tempo, a memória é estratégica, porque ela esquece coisas para poder seguir e ao mesmo tempo ela preserva, segura e quer lembrar outras. Então ela age como um editor; o que fica e o que não fica vai constituindo a sua história, a sua escrita pessoal. Você se coloca como um texto vivo para os outros, para a sua contemporaneidade, a sua alteridade, é assim que você se estabelece. No meu caso, não sei, talvez seja uma limitação, mas quando escrevo acesso muito o momento anterior que acabei de viver, ou memórias mais distantes minhas ou de outros, próximas ou não, que você acaba descobrindo por informações que relataram a você. Então você tenta plasmar essa história, enfim, tenta embarcar também no que o outro registrou, que está ali no espaço, espaço-tempo, e no labirinto da memória que vai ressignificando coisas também, porque ela não dá sentido sempre igual.


De algum modo, parece que estamos sempre a ressignificar as memórias. Conforme você vai vivendo, você também ressignifica experiências anteriores. Já é bastante do conhecimento da teoria literária que, para escrever, o artista, qualquer que seja o artista, sobretudo o que atua com a palavra, ele trabalha com a invenção e a memória, então aquilo que foi vivido e aquilo que ele projeta, que não é vivido, mas que ele pode compor. Ambos se misturam, por vezes um texto tem mais invenção, por vezes ele tem mais memória, ou tem equilíbrio. Mas a memória também projeta a invenção e a invenção de alguma forma advém do que você já teve como substrato de conhecimento de vida.

Para você sempre foi assim? Ou seja, antes de você ser escritor, quando era uma criança ainda, as histórias das pessoas, da família já o instigavam?
Sim, sempre me desafiou, me encantou, me moveu, digamos que me estimulou a não deixar as coisas se perderem, saírem das minhas vistas e das minhas mãos. Desde pequeno eu pensava nisso também, vivia um fato e já lembrava, porque o resgate da memória ia me consolidando também como um sujeito que constrói sua subjetividade e pode alterá-la, pode aprimorá-la. É como se fosse um aprendizado. Acho que relembrar o que foi vivido te traz encanto, saudade, inquietação, alegria, mas não é só isso. É uma forma de você também aprender sobre si e constituir também sua escrita. Porque cada um de nós, e acredito nisso, é um texto o tempo todo sendo feito e refeito, são as narrativas que criamos para nós.

Mas trazer tão abertamente as memórias para a literatura, buscar tanto no passado o que está sendo escrito, camufla de alguma forma um medo de que a memória se perca, de que a existência chegue ao fim?
Não é uma preocupação, mas a certeza da finitude inesperada. Talvez, por uma questão de formação, pelo fato que ocorreu na minha adolescência, quando meu pai faleceu em um acidente de automóvel e eu tinha 14 anos. Então isso me coloca sempre no momento de suspeição, porque sei que a morte pode acontecer em qualquer hora. Eu vi uma pessoa agora e depois não a vi mais, então nunca foi uma coisa assim do tipo que vai acontecendo aos poucos. Acredito que a finitude uma hora vem e você não tem tempo de fazer coisas, de avisar pessoas, de se despedir nem nada. Então, escrever para mim é justamente tentar viver o instante da melhor forma possível, me entregar a ele sabendo que uma hora eu não o terei. E escrevendo posso ter aqueles com quem vivi de uma outra forma, constituído por esse arcabouço da memória. Mas isso faz com que eu valorize justamente o momento presente nas histórias que escrevo. Estamos aqui, aqui que estamos e é isso que nós fazemos, nós vivemos, estamos fazendo a nossa jornada.

Coincidentemente (ou não), você lançou em 2014 o livro Caderno de um ausente, no qual um homem de 50 anos escreve um caderno de anotações de vida para Beatriz, a filha recém-nascida, com a qual ele não sabe quanto tempo terá para estar junto. Só que, na vida real, você, que já é pai do Lucas, de 20 anos, se tornou pai novamente há um ano e meio, com o nascimento da Maria Flor. Como tudo isso afetou sua consciência ou suspeição sobre vida e morte?
Caderno de um ausente, se você for olhar hoje, é um livro premonitório porque eu ainda não estava casado, não tinha filha e escrevi um livro sobre um cara mais ou menos da idade que depois eu passei a ter – na época eu tinha 50, mas já estou com 55 –, que é a idade do narrador, e eu poderia ter tido um filho de novo, mas foi uma filha. E o narrador escreve para uma filha, demanda delicadeza para dar a ela boas-vindas a esse mundo, que é para onde ele a traz, mas é também um mundo de expiação. Acho que, às vezes, a gente como artista acaba pisando em alguns territórios do mundo do sensível e a gente não tem muito como saber onde é esse lugar, pois às vezes ele é no futuro. Isso não é da ordem do sobrenatural, é da ordem do natural, como se a história já estivesse sendo escrita e você só teve a chance de se aproximar. Nesse livro, o narrador tem muita apreensão de quanto tempo ele vai viver e, mesmo que viva muito, não é suficiente para ele ver, fazer essa jornada de reconhecimento e de acompanhamento do crescimento dessa filha. Ou seja, como se o amor ficasse a meio caminho, e ele queria o amor na plenitude. Por vezes olho a Maria Flor, que nasceu há um ano e meio, e fico pensando quanto tempo tenho de ter com ela, quanto tempo também terei. Faço essas reflexões, inquietações que o personagem fez. Agora sinto de uma outra maneira porque, de fato, a minha existência está muito mais em jogo do que a do personagem. E por vezes acho que devo esquecer isso e apenas ficar com ela, estar vivendo. Agora, é claro que me emociono vendo aquele rostinho e penso quantos anos eu tenho: dez, 15, será que vou ver essa menina com 20 anos, com 30? Como eu vejo meu filho que tem 20 já. Isso obviamente me inquieta, mas penso que a história está andando, a minha e a dela, e nós iremos até onde a gente puder ir.

Aliás, justamente por causa de suas memórias, mãe e pai são figuras presentes em toda a sua obra, e mais uma vez essa característica fica bem marcante em diversas histórias de Catálogo de perdas.
Acho o seguinte, lá em Cravinhos, que era cidade pequena, não acontecia nada. Então você começa a ver o que está na sua frente. E o que está na sua frente? O outro. Meu irmão vivia no mesmo quarto que eu, ele se parecia comigo, mas não era eu; daí vem meu pai, que tinha uma voz, o olhar, a cor dos olhos que era parecida, mas não era eu. Então, a descoberta da alteridade foi muito interessante porque ela se deu dentro do núcleo familiar e depois no externo, que são os vizinhos, amigos. Minha literatura nasceu de eu ver o outro que parece comigo, mas não sou eu. E de que não sou o outro, mas o outro me justifica. A família é uma coisa que me importa e, para além da família, toda a órbita de outras relações, porque é como se a necessidade de falar para as pessoas, de contar histórias, passasse pelos afetos do indivíduo, e a minha forma de relatar o social é sempre pelo individual.

Disso surge uma obra sua que podemos chamar de literatura de afetos?
Acredito mesmo que meu trabalho com a literatura está muito próximo do ser humano, são personagens que estão sempre focados no cerne da questão que é um ser humano diante do outro. E a imersão no afeto ou no desafeto é impossível de não existir. E trabalho isso acreditando que a literatura é também uma rede de afetos. Você constrói uma história, tem o leitor que a partilha, você na feitura da tua história já dialogou também com outros autores e também com a contemporaneidade literária que traz determinados tipos de concepção de vida. Interessa-me a maneira que a gente possa respeitar o outro, entendê-lo, saber que ele vive a mesma situação que a nossa, maravilhosa e precária. Estamos caminhando juntos, estamos juntos nessa jornada, e o que nos resta? Restam os afetos. Nesse mundo contemporâneo, me preocupo demais com eles, porque o mundo virtual mudou muito as formas com que as pessoas se relacionam. Assim, a arte que leva a gente para o universo do sensível, dos afetos, deve ser enriquecida, fortalecida, senão a gente não terá para onde ir. Poder seguir com o outro é o que consagra o ser humano, assim como a tolerância com o próximo, o acalanto, o abraço, pelo menos as mãos dadas, o caminhar juntos.

Carrascoza, há um tempo questiono os criadores sobre como eles realmente veem a atividade que exercitam. Assim, pergunto: o que é ser escritor?
Acho que é justamente trabalhar com essa ideia da memória, como uma lembrança de que o tempo todo estamos nos despedindo daqui, o tempo todo estamos indo embora. E uma vez que você está trabalhando com essa lembrança, você está evocando a grandiosidade que parece menor da vida, está mostrando quanto que nossa condição é maravilhosa, ainda que precária, mas é a única que temos.

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