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Quando leu, há um tempo, o livro A beleza salvará o mundo, do búlgaro radicado em Paris Tzvetan Todorov (1939-2017), o diretor e ator brasileiro Selton Mello compreendeu mais ainda aquilo que, encoberto por algum mistério até então, o impele a fazer cinema. Atinou que sua arte, embora fruto de algum questionamento pessoal, era com mais realce a possibilidade de tocar no coletivo um impulso à mudança – não uma modificação política ou social, pelo menos em um primeiro momento, mas sobretudo íntima. É uma leitura que o próprio cineasta retém agora, após estrear por detrás das câmeras, há nove anos, com Feliz Natal, emplacar três anos depois o aclamado O palhaço, dirigir as três temporadas da série Sessão de terapia, de 2012 a 2014, e enquanto se prepara para lançar nos cinemas, no início de agosto próximo, seu terceiro longa-metragem, O filme da minha vida, baseado no livro Um pai de cinema, do chileno Antonio Skármeta, o mesmo autor de, entre outros, O carteiro e o poeta.

Desta vez, a inquietação que fez Selton se apaixonar pelo livro e o transformar em filme foi sua vontade de explicitar o marcante, e por vezes difícil, momento em que um jovem ingressa na fase adulta da vida, quando muitas vezes começa a romper com percepções do passado que se descobrem equivocadas, incluindo amigos, família e amores. No caso dessa trama específica, ambientada no sul do Brasil na década de 1960, o espectador acompanha o jovem Tony (Johnny Massaro), que mantém uma estreita relação com a mãe (Ondina Clais) e não consegue lidar com a ausência misteriosa do pai (Vincent Cassel).

O ponto de convergência de Selton com essa história é a inadequação ao mundo vivida por Tony, a mesma que o cineasta sente ainda hoje, embora mais amadurecido pelos seus 44 anos de idade, dezenas de filmes e novelas no currículo como ator – sua estreia nesse ofício foi aos 9 anos, no seriado Dona Santa, da TV Bandeirantes. “Se eu tomasse alguma pílula da felicidade e toda a inadequação saísse de mim, eu não faria um filme como esse novo e perderia com isso”, ressalta o mineiro de Passos, com infância vivida em São Paulo, mas há décadas morando no Rio de Janeiro.

No dia a dia, longe dos hotéis e locações que fazem parte da rotina exaustiva quando está em algum novo trabalho – até este mês também grava como ator O mecanismo, série sobre a Operação Lava Jato, dirigida por José Padilha em exclusividade para o Netflix –, Selton Mello assume uma rotina calma, longe dos holofotes, como aprendeu a se manter desde os 20 e poucos anos, quando sua carreira foi definitivamente alçada ao sucesso. Gosta de ficar em casa assistindo a muitos seriados e filmes ou lendo livros, assim como se dedica ao pilates e à meditação. E como todo mineiro, garante ele, embora pareça quieto em seu canto, a cabeça hiperativa está a criar incessantemente histórias, desejos, lampejos de memórias que podem se transformar em mais um filme. Afinal, o cinema está aí cheio de beleza. E o mundo espera ser salvo.


Selton, são nove anos desde sua estreia como diretor, com Feliz Natal, depois O palhaço, até chegar ao atual O filme da minha vida, cuja entrada do protagonista na vida adulta e os conflitos que ele atravessa nesse período estão em evidência. Como você nota sua maturidade como cineasta?Geralmente, o que vem imediatamente à mente das pessoas são os filmes, mas, para mim, tem um dado importante: entre O palhaço e O filme da minha vida, dirigi sozinho o [seriado] Sessão de terapia, e foram três temporadas, 115 episódios, uma grosseria de quantidade de coisa. E isso é muito bom. Porque um cineasta, muitas vezes, faz um filme, demora seis anos para conseguir fazer um outro e meio que perde a mão, não treina. E o Sessão de terapia, para mim, foi uma espécie de magistrado por trás das câmeras, porque era uma sala, duas pessoas sentadas uma de frente para a outra e tendo de contar essa história durante 25 minutos diários, sendo atraente e convincente o trabalho dos atores. Então, aquilo ali, para mim, foi um treino danado, com atores diferentes de escolas variadas, e eu tive de exercitar muito minha maneira de trabalhar com eles. Então me deu muita musculatura. E, quando vim para O filme da minha vida, vim treinado, vim quente. O filme fala sobre amadurecimento, um jovem entrando na fase adulta. É um tema clássico, já teve outros filmes sobre isso. E a gente pode achar um paralelo em relação a uma maturidade minha atrás das câmeras.

Este é o seu filme mais autoral. Ele é, de alguma forma, o filme de sua vida?
Não, não acho que ele seja o filme da minha vida, acho que ele é tão autoral como O palhaço ou Feliz Natal e quanto o Sessão de terapia. Quando vai contar uma história, a gente se coloca ali numa posição de um depoimento bem pessoal. Mas, em relação ao título do filme, pensei que, se eu usasse o mesmo do livro, era meio um spoiler, sacou? Então, um dia veio esse nome na minha cabeça, e é uma pergunta que todo mundo se faz: Qual é o filme da sua vida? Quais são os títulos que te tocam? E pensei: “Nossa, isso é um bom título, comercialmente falando”. E o cinema tem papel, é um personagem do filme. E se com O palhaço eu presto uma homenagem a minha profissão de ator, O filme da minha vida é uma homenagem ao cinema, entre outras coisas. Achei que esse título era perfeito, o filme não da vida do Selton, mas do Tony Terranova, um personagem que ao longo do tempo vai ganhando musculatura emocional para se sentir dono do próprio filme.

Percebo que, ao mesmo tempo que suas personagens costumam trazer uma beleza intrínseca, carregam uma grande melancolia, um certo desamparo persistente nelas em relação à vida. Tais sentimentos e sensações são elementos fundamentais para você trabalhar na arte ou minha leitura é errada?
É louco, porque quando a gente faz um filme e depois começa a conversar com os jornalistas e pessoas que viram o trabalho, se torna terapêutico, porque a gente começa a se dar conta de coisas que não percebia antes. É assim: li o livro [Um pai de cinema, de Antonio Skármeta], achei lindo, me toquei com aquele personagem [Tony], me identifiquei com ele e quis contar essa história. Mas se agora você for analisar com distanciamento, o Benjamim [de O palhaço] é primo do Tony Terranova [de O filme da minha vida], que é primo do Caio, de Feliz Natal. São personagens que se sentem inadequados. O Tony mais ainda, por ser bem jovem, quando você se sente inadequado em relação ao seu lugar no mundo, vive os primeiros amores, se questiona sobre seus desejos, o que fazer na vida. Eu me sinto assim, me sinto um inadequado, mas talvez mais domado, mais velho, já que estou com 44 anos. Amadureci, claro, mas ainda me sinto inadequado muitas vezes no mundo. Então, gosto desses personagens porque me sinto assim mesmo, me interesso por eles e falo com conhecimento de causa.

E são as inadequações que nos movem, não?
Acho que essas inadequações colocam a gente para frente. Precisamos ficar atentos porque às vezes elas se transformam em melancolia e podem virar tristeza e depressão, aí é grave, pois podem te engessar. Mas, a partir do momento que você lida com as dores e se compreende, e aí entra terapia nisso, que faço e recomendo, você se reconhece, conhece suas fraquezas, suas forças, suas válvulas de escape, seu calcanhar de Aquiles.

Você se sente inadequado em relação a que geralmente?
Ao convívio social, às pessoas, à violência, à loucura que é tudo nos relacionamentos, à agressividade, à exposição das redes sociais... Acho o mundo bem louco, e isso acaba indo para os meus trabalhos. Me sinto meio velho; não sei se você se liga nisso de signos, mas sou capricorniano e dizem que capricorniano nasce velho e morre jovem. Sempre fui um menino muito sério e com o tempo fui deixando de ser. Não que eu não seja hoje, continuo, mas menos do que era antes, por incrível que pareça. Responsável serei sempre, mas já deixo a vida andar mais, não dá para controlar tudo, então esses personagens me comovem.


Aliás, você acabou de mencionar as redes sociais e é bacana porque conseguiu ser um dos poucos artistas que se preservam da exposição pública de maneira muito grande. Pouco se ouve falar de você quando não está produzindo de fato algo, por exemplo. Você é bem reservado para entrevistas, raramente alguém abrirá uma revista e haverá uma foto sua fora do contexto realmente artístico. Essa foi uma escolha desde o princípio? Como foi esse processo?
Olha, tive essa intuição durante os meus 20 e poucos anos. Bom, sou ator desde criança, mas com 20 e poucos você começa a entender melhor tudo e nessa época comecei a fazer muita novela, e junto vem essa coisa de você estar em todas as revistas. Ali tive uma intuição de ver que aquela não era a minha. E pensei: “Por que vou estar nesta revista aqui? Por que viajar para tirar foto em não sei onde?”. Na época, eu era visto como uma figura metida, que não quer dar entrevista, não quer falar. Mas o legal é que, com o tempo, vai virando uma marca sua e as pessoas vão vendo que é genuíno, que é seu. Além dessa conjunção astral, sou mineiro, nasci no interior de Minas, minha família tem raízes todas lá, embora eu tenha passado a infância em São Paulo. E mineiro é tipo low-profile total... Não vou ficar cantando de galo, sou o oposto. Quando você vê, estou fazendo, produzindo na moita, trabalhando quieto, sem alardear muito, concentrado na minha. Com o tempo, a imprensa começou a ver que eu era assim. Sinto que isso foi uma conquista.

E no dia a dia, como você lida com esse mundo extremamente digital em que vivemos?
Sou novato nisso, resisti muito como velho que sou, demorei muito para ter alguma rede social e acabei tendo Instagram e mais nada. Lá eu coloco trabalhos, coisas divertidas, coisas bonitas, referências, virou quase um diário para quem gosta do que faço. É inevitável, pois não dá para fugir desse mundo, e acho também que é uma ferramenta muito interessante para um momento como esse. Acho que, no fim das contas, consigo resumir assim: as ferramentas todas estão aí, o negócio é como você usá-las e não elas usarem você. Não fico tirando selfie e mostrando minha casa. Até ali, consegui ter a minha personalidade. Às vezes, fico o maior tempão sem olhar aquilo, daí volto para falar do filme. Dez anos atrás, pagava uma fortuna para ter um cartaz de meu filme no jornal. Hoje em dia, tenho mais de 700 mil pessoas que me seguem, fiéis e que gostam do que faço. E, se eu boto ali que meu filme vai estrear, já estou falando diretamente com meu público.

O que é ser cineasta?
Pô, cara, ser cineasta é poder contar uma história pelo meu ponto de vista, porque, como ator, você é uma peça da engrenagem. Digo isso sempre, depois que comecei a dirigir, sou outro ator, nem melhor nem pior, mas diferente, porque sei como a coisa é feita. E sei que, para aquilo funcionar, é uma engrenagem gigante, que envolve muita gente e muita coisa. Me deu inclusive uma noção de humildade maior, porque o ator tem uma tendência de achar que é a estrela da companhia, e muitas vezes ele é, porque tem a atenção do público. O ator chama de fato. Mas, para ele estar ali, tem maquiagem, tem a trilha sonora, tem a edição, tem o contrarregra, o figurinista, tem tudo. Quando dirijo, tenho um prazer enorme, especialmente pela minha cabeça, que é bem hiperativa e gosta de trabalhar, de estudar e pensar um monte de coisas. Então, dirigir é uma maravilha para o meu temperamento. Artisticamente, alargou minhas possibilidades, sabe? Muito mais do que como ator, muito mais. Hoje em dia, quando vou atuar, me sinto em férias. Atuar é a coisa mais mole que tem, é coisa que faço desde criança, é leve, vou ali e faço o meu e não tenho de me preocupar com o resto, só tenho de botar a roupa e fazer, me preocupo só com o meu papel, enquanto o diretor está ali o dia inteiro, todos os dias, cuidando de tudo. E é bom também que acabo usando isso de uma forma boa para atuar. Por exemplo, na época de Sessão de terapia, fiquei três anos fazendo só aquilo. Não fiz mais nada. E, quando acabou a terceira temporada, estava louco para atuar, e isso é muito bom, porque quando volto a atuar, vou com muito tesão. Então fiz Ligações perigosas, minissérie da Globo; era um superpersonagem, [o Visconde de] Valmont, cuja versão para cinema [de 1988] com John Malkovich foi um filme muito da minha geração. Caralho, vou fazer aquele personagem que ele fez, e tinha até o medo da comparação. Então fui lá e atuei cheio de fúria, com vontade de me expressar. E depois você atua e sente saudade de dirigir.

Ter se tornado diretor, fazer cinema e depois série televisiva te deixou mais seletivo para o que você faz como ator? Não, nesse sentido não. Na verdade, sempre fui muito seletivo, sempre pensei bem o que fazer. Como ator, por exemplo, percebo isso claramente. Não sei se lá fora é assim, mas, no Brasil, o cara faz um vilão e fica sempre fazendo só vilão. Se ele faz uma vez algo engraçado, ele é sempre engraçado. E sou um camarada muito liso nesse sentido, nunca deixei rótulo me pegar. Teve fase da minha vida que fiz muita comédia e adorei fazer. Pensei: “Ótimo, delícia, mas vamos mudar agora o rumo dessa prosa”. E daí logo meto um Feliz Natal na veia, para entenderem que também sou isso. E daí como ator faço filme [A erva do rato] do Bressane, depois Árido Movie, filme estranho sem dinheiro nenhum. Sempre tentei pular para lá e para cá como intérprete e tentar fazer de tudo.


O ofício de atuar te cansa em algum momento, uma vez que você começou com 9 anos de idade? Você já teve vontade de cair fora e fazer algo completamente diferente?
Já tive sim vários momentos desses. Um momento ‘pré-Palhaço’ foi esse, por exemplo. Foi uma hora em que me questionei: “O que estou fazendo, por que estou fazendo isso há tento tempo?”. Mas veja como é um capricorniano: imediatamente fiz um filme sobre isso, porque, na verdade, O palhaço é sobre isso, sobre o sentimento de um ator se questionar o porquê de estar fazendo aquilo. Mas é muito estimulante esse trabalho. O artista tem a bênção de poder sublimar, transformar as dores em arte. Coisas que você sente, que você passou, que você pode transformar em um filme, em uma personagem. E isso é muito bom.

O protagonista de O filme da minha vida está na fase de transição para a vida adulta, quando começa a assumir novas responsabilidades e é tomado por questionamentos sobre a existência. Como foi essa sua transição?
Foi parecido, bem parecido com esse protagonista. Por isso que gosto tanto dele e quis contar essa história. Eu era um adolescente bem inadequado e me sentia fora do mundo, e isso tem a ver também com minha história, porque fui ator mirim e com 12 anos pararam de me chamar para trabalhos. Então, fui ser dublador, o que foi uma maravilha, pois aprendi muita coisa, mas, ao mesmo tempo, me sentia péssimo porque ninguém me chamava mais para atuar. Passei a achar que eu era ruim, era feio, era péssimo ator e ninguém ia me chamar mais. E teve isso também de conhecer mentiras, de ver que as pessoas não eram exatamente o que você pensava. Mas amadureci, estamos amadurecendo sempre.

Quando você tem a ideia de fazer um filme, em algum momento inicial passa pela sua cabeça se aquela história imaginada irá agradar ao público ou você não liga para esse tipo de questionamento?
Em um primeiríssimo momento, não penso nisso. Por exemplo, O palhaço foi um questionamento que estava tendo como ator e parei e pensei como poderia falar disso. E daí pensei que seria na forma de um palhaço, que é o artista mais primitivo. E, sendo algo pessoal e íntimo, ele toca muita gente. Foi um aprendizado meu. Quando sou muito sincero com o que sinto, penso e vejo, funciona, dá certo com o público. Neste atual, quando li, me encantei com o personagem, com essa história familiar, com os afetos familiares que me são caros. E imagino que o público que gostou de O palhaço vai gostar deste.

Mas quando se começa um filme, há o medo do fracasso?
Sem dúvida, é sempre um parto dificílimo. E, sim, pode fracassar. Mas o que é fracassar? Porque quando você faz um filme do jeito que sentia e queria fazer, se ele não tiver muito espectador, ou se a crítica odiar, seja o que acontecer, você foi sincero, quis fazê-lo. Então, você precisa estar muito conectado consigo, com suas verdades e sentimentos. Faço meditação e tem a ver com isso tudo. Na verdade, tudo parte de uma conexão com você pessoa, com o Selton Figueiredo Mello. E, por acaso, sou um artista que faz coisas que vão agradar a uns e a outros não. Já fiz vários fracassos e outros tantos sucessos e todos me ensinaram coisas.

Venho perguntando uma coisa para outros criadores que entrevisto e gostaria de saber de você também: a arte salva ainda alguma coisa ou nunca salvou?
Acho que salva ainda sim, cara, acho que salva bem, acho que a gente é bem esburacado, toda a nossa alma, nossas coisas. Todos nós temos muitos buracos e podemos preencher esses buracos de várias formas, e a arte pode preencher alguns deles. Não todos, mas alguns ela pode. Ela pode iluminar, ensinar, acalentar. No caso do cinema, é bonito porque ele atravessa todas as expressões artísticas, abarca a literatura, as artes plásticas, a fotografia. Li um livro lindo, A beleza salvará o mundo, de um camarada chamado [Tzvetan] Todorov. Foi um livro indicado pelo Jorge Furtado e fala disso, de que a beleza salvará o mundo.

O filme da minha vida salvou o que em você?
Acho que salvou coisas que eu jamais diria em uma entrevista. Vivo coisas familiares que são dolorosas, e esse filme é uma espécie de exaltação da memória. Meus pais estão ficando velhos, por exemplo, e dedico esse filme a eles, que são meus maiores incentivadores, as pessoas mais importantes da minha vida. Na verdade, dedico tudo a eles, mas este fiz questão de cravar na tela. É a exaltação da memória da minha família, de meus pais, da minha vida.

Por falar em memória, você tem uma coisa bacana de trazer atores das antigas para seus trabalhos. Neste longa de agora, há a participação do Rolando Boldrin, por exemplo.
A gente vive em uma sociedade na qual se exalta muito o novo; o novo talento, o novo ator, o novo diretor, a nova geladeira, o novo aplicativo, o novo tudo. Como diretor, principalmente, você vê na escolha do meu elenco que cuido disso com um carinho enorme. No meu primeiro filme, além de ter atores que já estavam no mercado, trago de volta a Darlene Glória; em O palhaço, além do Paulo José, que é o maior ator brasileiro, ao lado do Zé Dumont, eu trago de volta o Moacir Franco; no O filme da minha vida, trago o Boldrin. A nova geração precisa saber, precisa conhecê-los. Por exemplo, vai ter gente que nunca viu o Rolando Boldrin e, ao vê-lo agora, vai pesquisar e entender que ele é um ícone da cultura popular, um cara fundamental para a memória do Brasil profundo, para a música de raiz. É um dos meus papéis, talvez um dos mais importantes como diretor, e que me orgulha, que é fazer com que a gente se conecte com quem não está nos holofotes e deveria estar.

A passagem do Boldrin no filme é muito marcante. Ele interpreta o condutor do trem, que, em determinado momento, indagado pelo Tony se ele gostava de sua profissão, ele diz que sim, porque ele leva as pessoas para resolverem os problemas delas. Não há uma alusão ao ser cineasta nessa passagem, talvez você dizendo que faz cinema para as pessoas também serem tocadas e irem resolver suas coisas?
Gostei muito, cara, essa é uma hora boa que a gente começa a ter leitura que não viu antes. Amei, nunca tinha pensado nisso. Levo as pessoas para resolverem suas coisas. Eu as levo para o cinema para verem um filme e espero que elas sejam tocadas e saiam mudadas de alguma forma, mexidas ou que as façam rever algum conceito, alguma coisa, que sejam transformadas de alguma maneira. É uma forma de celebrar o lado bendito da vida, sabe? Poder ser uma espécie de alento, o público entrar no cinema e, mesmo com tudo pifando lá fora, ter alguns momentos de bons sentimentos e poder, talvez, se melhorar. Isso é nobre, é bonito de fazer. Por isso que a beleza salvará o mundo.

Leia a crítica sobre O filme da minha vida


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